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ALERTA CONTRA DENGUE

Audiência alerta para epidemia de dengue em 2016 e apresenta vacina

Somente este ano, já foram registrados 31.512 casos de dengue em todo o Estado e uma epidemia pode ocorrer no próximo ano.

11 novembro 2015 - 14h00Da redação
Em 2013, Campo Grande atendeu cerca de 1.500 pacientes por dia nas Unidades Básicas de Saúde decorrentes da epidemia de dengue, segundo o secretário municipal de Saúde, Ivandro Fonseca.
Em 2013, Campo Grande atendeu cerca de 1.500 pacientes por dia nas Unidades Básicas de Saúde decorrentes da epidemia de dengue, segundo o secretário municipal de Saúde, Ivandro Fonseca. - Patricia Mendes/Divulgação
 
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Cerca de 390 milhões de pessoas são infectadas por ano com o vírus da dengue, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), motivo pelo qual a doença é considerada um grave problema de saúde pública. Este foi um dos dados alarmantes apresentados na tarde desta quinta-feira (11) durante a audiência pública “Estudos e Avanços no Controle da Epidemia da Dengue em Mato Grosso do Sul”, proposta pela presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputada Mara Caseiro (PTdoB).

“O crescimento da doença muito nos preocupa, pois sabemos que prevenir é melhor que remediar e queremos evitar mais mortes”, ressaltou a deputada.

Para respaldar sua preocupação com um avanço significativo da doença no próximo ano, Mara Caseiro apresentou dados preocupantes fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde. Somente este ano, já foram registrados 31.512 casos de dengue em todo o Estado e uma epidemia pode ocorrer no próximo ano.

Ao todo, 13 óbitos por dengue foram confirmados, sendo três em Dourados. Os números assustam em comparação ao ano anterior, quando foram registrados 9.256 casos.  

Para a superintendente estadual de Vigilância em Saúde, Ângela Cunha Castro Lopes, é preciso mudar a cultura de responsabilizar apenas o poder público pela infestação de dengue.

“Não adianta saber como prevenir a proliferação do mosquito e não agir, pois é como ser hipertenso e reclamar pelo remédio sem agir cortando o sal. Uma epidemia só pode ser evitada se todos agirmos em conjunto”, alertou. A alta incidência de vetores foi constatada em 67 municípios de Mato Grosso do Sul e a secretaria estadual ainda alerta que um mosquito fêmea infectado pelo vírus pode produzir mil ovos, que resistem até 450 dias à espera de água para eclodir.

Em 2013, Campo Grande atendeu cerca de 1.500 pacientes por dia nas Unidades Básicas de Saúde decorrentes da epidemia de dengue, segundo o secretário municipal de Saúde, Ivandro Fonseca.

“Constatamos que 38% desses pacientes eram oriundos do centro da cidade, ou seja, não são só os terrenos baldios que estão mal cuidados. Estamos correndo contra o tempo com as ações preventivas, com auxílio do Exército e autorizações do Tribunal de Justiça para obrigar as pessoas a colaborar e abrir as casas para os agentes de saúde, para quando chegarmos no período de chuvas, de janeiro a abril, a situação estar controlada”, afirmou, destacando que a população precisa estar alerta e ajudar para evitar uma nova epidemia em 2016.

VACINA

A audiência também trouxe representantes da empresa Sanofi Pasteur, que desenvolveu a vacina contra a dengue após 20 anos de estudos e que aguarda liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a comercialização do produto a partir de 2016.

“A vacina foi testada em 40 mil indivíduos voluntários, de 9 meses a 60 anos de idade, em 15 países, e constatou 65,6% de eficácia e 81% a menos de encaminhamentos para internações. Isso representa uma economia, visto que o doente deixa de ir trabalhar, gasta com transporte para procurar médico, gasta para se tratar e representa também menos superlotação em hospitais, consequentemente mais gastos públicos em Saúde”, resumiu a diretora médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani.

A empresa estima que os gastos com casos ambulatoriais somam R$ 1,2 bilhão por ano com dengue. O custo da vacina ainda não foi definido, mas a expectativa é que ela seja viabilizada tanto para a rede pública quanto para a rede privada.

Ela deverá ser aplicada em três doses, com intervalos de seis meses entre cada uma. Os pacientes voluntários que receberam as doses estão sendo acompanhados semanalmente até 2018 e ao todo 560 pessoas participaram do processo de criação da vacina, que comprovou resultados para os quatro tipos de vírus da dengue existentes.

A vacina é composta por estes quatro vírus atenuados combinados com a vacina da febre amarela. “Não descobrimos a solução total para doença, mas a contribuição. A dengue só deixará de existir quando todos se conscientizarem que é necessário fazer sua parte no combate”, finalizou Sheila.

A DOENÇA

Segundo o Ministério da Saúde, a dengue é transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, ao picar o homem. A primeira manifestação da dengue é a febre alta (39 a 40°C) de início abrupto que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e prurido cutâneo.

Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. O tratamento deve ser indicado por um médico. O Aedes aegypti também é responsável pela transmissão de chikungunya, zika vírus e febre amarela.

Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ainda revelam que há um vetor secundário do vírus do dengue, o Aedes Albopictus, também transmissor das outras três doenças.

A prevenção da proliferação do mosquito deve ser feita com: o descarte correto de lixos, em sacolas fechadas; evitar água parada em vasos de plantas, colocando areia; limpar a bandeja de ar condicionado; lacrar caixas d’água; remover sujeiras de calhas; lavar recipientes de águas de animais e trocar a água todos os dias; guardar pneus em locais cobertos, entre outros.

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