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CONSCIÊNCIA NEGRA

Ausência de trabalhadores negros nas agências bancárias ainda é realidade em MS

19 novembro 2020 - 11h06 Por Geliel Oliveira

“Nós não temos conhecimento de casos de racismo contra os funcionários, justamente pela ausência de pessoas negras”. A afirmação é de Neide Rodrigues, presidente do Sindicato dos Bancários em MS durante entrevista hoje (19) ao Giro Estadual de Notícias, véspera do Dia da Consciência Negra. Conforme a Pnad IBGE, entre as pessoas que se declararam pretas e pardas, o desemprego avançou, de 13,5% e 12,6%, no quarto trimestre de 2020.

Ela destaca que essa é uma luta antiga do sindicato e o assunto é debatido em conjunto com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na tentativa de fazer com que as empresas do sistema financeiro contratem as pessoas negras.

“Temos percebido a ausência significativa dessas pessoas nas instituições financeiras, na mesa de negociação com a Fenaban. Estaremos cobrando essa questão da contratação. Essa desigualdade é ainda mais nítida quando falamos em cargos como chefia e direção, quando há uma contratação é para cargos inferiores”, observa.

O sindicato não é o único a denunciar tais dados, a Pnad contínua do IBGE divulgada em maio deste ano registrou que taxa de desocupação dos pardos é cerca de 43% maior que a dos brancos e de cor negra têm taxa de desocupação de 55,1% superior.

Para a presidente, a ausência de casos de racismo nos bancos não é totalmente positiva. “Nós não temos conhecimento de casos de racismo contra os funcionários justamente por essa ausência, principalmente na rede privada, você quase não vê, pois no momento da contratação o banco privado já tem conhecimento da cor da pessoa, diferente dos bancos públicos onde as contratações são feitas via concurso”.

Ainda de acordo com o sindicato, pela primeira vez os bancos privados também aderiram o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), instrumento utilizado tanto pelas empresas particulares quanto pelas estatais como uma forma de enxugamento do quadro de pessoal, para a otimização dos custos.

“Quando a pandemia começou nós nos reunimos com a Fenaban, e pedimos que não houvessem demissões na pandemia e os bancos se comprometeram a não demitir, o Bradesco hoje tem uma atividade nacional de protesto pelas demissões que chegam a mais de 2 mil trabalhadores”, afirma.

No período de 2 meses foram de 35 a 40 pessoas demitidas pelo Bradesco, Santander e Itaú não ficaram para trás, as demissões ocorreram desde o início da pandemia, na rede privada são aproximadamente 100 trabalhadores demitidos. O Home Office está sendo tendência nas agências, 50% dos trabalhadores em cada semana.

“Quanto aos bancos aproveitarem esse momento da pandemia para demitir funcionários é oportunismo que vem do sistema financeiro, até mesmo porque o único que não teve prejuízo na pandemia foi o sistema financeiro que inclusive teve incentivo do governo federal, que deveria ter vindo com a justificativa de não demissão para que não houvesse prejuízo para o público, mas não teve nenhuma contrapartida”, finaliza.

Departamento de Operações de Fronteira - Disque Denúncia