29 de setembro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
JBS - Covid 19
OPINIÃO

Computador adora criança

8 fevereiro 2016 - 10h29Ronaldo Mota

Alguns adultos gostam mais e outros menos de computador. Computador, por sua vez, parece adorar as crianças. Transformar essa ferramenta natural em meio para estimular a capacidade de inovação é talvez o desafio educacional mais importante dos nossos tempos.

Mattew Lipman costumava afirmar: “há algo em comum entre as crianças e os filósofos: a capacidade de se maravilhar com o mundo”. Professor Lipman, falecido em 2010, foi um pioneiro em novas abordagens de educação para crianças. Em 1972, deixou a Universidade de Columbia para desenvolver suas ideias, tornando-se um líder mundial no ensino de filosofia para crianças.

Uma questão contemporânea similar diz respeito a como incluir o tema atual “inovação” como parte integrante do ensino fundamental e acerca da pertinência e possibilidade de explorar neste nível uma metodologia compatível conhecida como “aprendizagem independente”. Isso decorre da nova exigência educacional quanto à preparação de futuros profissionais e cidadãos em geral para um mundo no qual a inovação é central. Para tanto, é crucial o papel que as novas tecnologias, em especial as tecnologias digitais incluindo a internet, podem desempenhar sobre as experiências educacionais de alunos e professores ao longo de suas vivências escolares.

Os adultos, muitas vezes, olham para o computador como um instrumento exógeno a ser eventualmente utilizado. Crianças mal percebem o meio e, se algo as maravilha, é o que elas produzem a partir dele, sem gastar um só segundo pensando na ferramenta, a qual lhe é natural, espontânea e intrínseca. Isso faz uma diferença enorme, dado que pulamos etapas e vamos direto ao jogo, à aprendizagem em si.

A principal característica da abordagem de aprendizagem independente é explorar a autonomia do educando, sendo elemento chave adotar como centro do processo de aprendizagem o aluno, tendo como referência principal o estímulo a aprender a aprender. Embora, a definição geral inclua a autoaprendizagem stricto sensu, de fato, na maioria dos casos, na escola regular, a integração com o currículo e o professor são os protagonistas nesta metodologia. Da mesma forma, ainda que em geral se associe o potencial uso desta abordagem com adultos, certamente é quando bem jovem que o hábito do aprender a aprender melhor se

desenvolve, com mais naturalidade e pertinência.

A complexa competência digital e a vocação para inovação se agregarão em nível de importância ao domínio do conhecimento tradicional e às competências e habilidades típicas ministradas nas escolas atuais. Assim, a observação inicial de Mattew Lipman permite ser ampliada para: “em comum entre as crianças, os filósofos e os inovadores, há a capacidade de se maravilhar com o mundo e querer transformá-lo”. Olhar com olhos de gosto pelos desafios, e não de acomodação, pode fazer com que a nova geração vislumbre novos problemas e soluções inovadoras, criando e inventando caminhos inéditos. Assim seja.

(*) Ronaldo Mota, chanceler da Universidade Estácio de Sá e Diretor Corporativo do Grupo Estácio.

Banner Whatsapp Desktop