27 de outubro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
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Entrevista

Expresso Queiroz completa 60 anos como exemplo de empresa regional de sucesso

NOVO DESIGN - A empresa conta hoje com mais de 60 veículos atendendo grande Dourados e a fronteira c
NOVO DESIGN - A empresa conta hoje com mais de 60 veículos atendendo grande Dourados e a fronteira c - Eronemo Salustiano
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Nos tempos atuais de economia globalizada em que empresas transnacionais lideram e controlam diferentes segmentos de mercado, uma empresa tipicamente regional, com gestão familiar, completar 60 anos, torna-se um feito a ser comemorado.

A Expresso Queiroz, que atua no segmento de transporte interurbano de passageiros e de pequenas cargas, conseguiu este feito exatamente num dos setores hoje mais controlados por grandes corporações que pelo seu gigantismo assumem dimensão de monopólio. Na contramão desta tendência a empresa, que entra na sua terceira geração de herdeiros, se mantém competitiva, eficiente, rentável, mantendo vivo o sonho do seu fundador, o comendador Loureiro Pereira de Queiroz, que a dirigiu desde sua criação no longínquo final dos anos 40, pós-guerra, até 2002, quando morreu perto de completar bem vividos 88 anos de idade.

Neusa Alice Pereira de Queiroz Fermau, uma das filhas e que atualmente é diretora da empresa, testemunhou desde os cinco anos de idade sua trajetória empresarial que tem ingredientes de uma biografia que merece ser escrita como exemplo de pioneirismo e sucesso, de quem perseguiu o sonho de ter seu próprio negócio, apostou no transporte de passageiros. E de quebra ajudou a desbravar boa parte do sul do Estado e da fronteira com o Paraguai do então Mato Grosso. Era uma época que as estradas não eram asfaltadas, tinham traçados que tinha trechos pouco melhores que trieiros. Dourados, hoje uma cidade de quase 200 mil habitantes, era só um lugarejo inóspito que atraiu muita gente seduzida pela utopia da terra prometida por Getúlio Vargas, ao promover a reforma agrária, implantando a Colônia Federal Agrícola.

Hoje uma senhora, Neusa que trocou a medicina (seu sonho profissional da juventude) pela responsabilidade de tocar a empresa fundada pelo pai, tem viva na memória detalhes desta epopéia empresarial – que é, sem exagero ou ufanismo -a história da Expresso Queiroz.

Esta história começa em 1948, quando o velho Queiroz, então um homem com 33 anos, cabo do Exército brasileiro, resolveu dar uma guinada na vida, apostando todo o patrimônio que tinha acumulado (a casa onde morava com a mulher e os dois filhos pequenos) na compra de um ônibus usado da única empresa (a Sobral) que na época explorava o então incipiente serviço de transporte coletivo urbano da Campo Grande daquela época. Hipotecou a casa e não teve dúvida: mudou com toda a família para Dourados, para aproveitar a oportunidade de trabalho com a existência da Colônia Agrícola Federal de Dourados. Seu objetivo: transportar o nascente fluxo de passageiros, principalmente nordestinos, entre Maracaju e a Colônia, a qual atraía milhares de famílias interessadas em conseguir uma das glebas que o governo federal distribuía para a exploração agrícola.

Foram tempos difíceis, lembra dona Neusa. As estradas eram precárias. As pessoas não tinham onde ficar e a casa da família servia de hospedaria para aqueles que precisassem pernoitar para, no dia seguinte, seguir viagem até a Colônia Federal. “Meu pai fazia de tudo. Dirigia o ônibus, fazia às vezes de cobrador e mecânico. Toda a família se envolvia no negócio. Até eu, ainda menina, ajudava a remendar pneu. Preguei a cobertura de madeira coberta com lona oleato no Asa Branca, nome dado ao nosso primeiro ônibus, referência a origem do meu pai, um cearense que veio tentar a sorte nos sertões de Mato Grosso ”, conta Neusa.

A Expresso Queiroz foi crescendo junto com a região onde brotaram literalmente, no vácuo do cultivo da terra e na criação de gado, várias cidades, as antigas passaram por um processo de explosão econômica e demográfica. A empresa continua sendo tocada pela família, que nos anos 50 voltou a Campo Grande, época da mudança do trajeto para, Campo Grande - Dourados, passando por Rio Brilhante. Era necessário um dia inteiro para chegar ao destino, pois 240 km em estrada de chão atrasavam muito a viagem. O filho Natanael Pereira de Queiroz, à medida que crescia, auxiliava o pai trabalhando como motorista, cobrador e mecânico. Em meados de 1953, mais ônibus foram adquiridos para transportar passageiros até Rio Brilhante, antiga Entre Rios, onde era preciso fazer baldeação, o qual um ônibus saía de Dourados e ia até à margem do rio.

Os passageiros atravessavam a pé e pegavam o outro ônibus que os aguardavam para chegarem a Campo Grande. Somando-se posteriormente ao trajeto, a cidade de Ponta Porã. Não era uma tarefa fácil. O asfalto era só um projeto que veio a sair do papel nos anos 70. Não havia pontes. Durante mais de 30 anos a empresa teve praticamente a exclusividade na exploração do transporte de passageiros Campo Grande/Dourados e região de fronteira com o Paraguai e extremo sul do Estado. Havia ônibus de hora em hora. “Meu pai chegou a comprar dez ônibus novos de uma só vez, mas os deixavam parados no pátio e rodava com os velhos, por causa das péssimas condições da estrada. Dava até dó de colocá-los para viajar, a bateria chegou a descarregar de tanto tempo parados”, se recorda Neusa.

Apesar da desregulamentação da economia nos anos 90 e a falta de fiscalização, a empresa não deixou de ser a única empresa concessionária do transporte de passageiros entre Campo Grande Dourados/Ponta Porã e região de fronteira. Mesmo competindo com empresas interestaduais e até com o transporte clandestino das vans, preservou seu espaço no mercado, modernizando a gestão, renovando a frota e incorporando modelos novos e modernos.

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