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SAÚDE

Transplante de medula óssea pode ser utilizado no tratamento de casos graves da doença de Crohn

Técnica melhora a qualidade de vida das pessoas e previne o agravamento da inflamação do aparelho digestivo, que pode levar ao desenvolvimento de câncer, desnutrição, anemia grave, infecção generalizada e até mesmo à morte.

17 fevereiro 2016 - 14h15DA REDAÇÃO
Divulgação
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Os benefícios do transplante de medula óssea no tratamento de tumores hematológicos já são conhecidos. A novidade é que o procedimento continua sendo aperfeiçoado para contribuir com a recuperação de pacientes que sofrem de outras patologias, como as doenças autoimunes. Médicos e pesquisadores presumem que a incidência de pessoas com este problema passou de 3 a 5% para 15 a 20% da população mundial.

Embora exista mais de 30 doenças autoimunes, o transplante de medula óssea apresenta uma eficácia maior no tratamento de algumas delas, como a doença de Crohn. “Em casos graves, nos quais o paciente não responde mais a nenhum tratamento, o objetivo do transplante de medula óssea é gerar o reinício do sistema imunológico, fazendo com o que o organismo pare de produzir anticorpos que atacam as próprias células”, explica a hematologista e coordenadora do Centro de Transplante de Medula Óssea da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Aline Miranda de Souza.

 

Para isso, é utilizada uma técnica chamada de transplante autólogo de medula óssea. “O paciente recebe uma medicação que induz as células-tronco a migrarem do interior da medula óssea para o sangue periférico (que circula pelas veias e artérias). O sangue do paciente é coletado por uma veia do braço e passa por uma máquina capaz de separar o grupo de células-tronco das demais. Depois de colhidas, as células são preservadas vivas, por meio de congelamento, até o momento da infusão. O procedimento é indolor e dura em torno de três a quatro horas, sendo que a coleta pode ser feita mais de uma vez, até se atingir o número necessário para a realização de um transplante seguro”, explica a especialista.

Com a realização do transplante de medula óssea, os pacientes com doença de Crohn grave têm uma grande chance de recuperação e melhora da qualidade de vida. “Temos estudos que mostram que até 50% dos pacientes passam a não ter mais necessidade de utilizar medicamentos para o controle da doença de Crohn após o transplante. Cerca de 40% não ficam completamente curados, mas melhoram o estado de saúde e passam a responder aos medicamentos. Apenas 10% não manifestam melhora”, revela Aline.

 

 

O que é a doença de Crohn?

 

Trata-se de uma doença que causa inflamações em todo o aparelho digestivo, da boca ao ânus, mas predominantemente na parte final do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon). A manifestação dos sintomas da doença de Crohn acontece, geralmente, entre 20 e 30 anos de idade ou entre 50 e 60 anos. Os principais sintomas são dor abdominal e surtos de diarreia com a presença de muco e sangue, febre e anemia em casos mais graves por deficiência na absorção de nutrientes e pelos sangramentos frequentes. Entre os exames indicados para o diagnóstico da doença, estão colonoscopia, endoscopia e exames de sangue para avaliar o grau e a extensão da doença de Crohn.

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