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SETEMBRO AMARELO

Setembro Amarelo alerta cuidados com o risco de suicídio; 263 pessoas se suicidaram em MS no ano passado

Durante este mês, acontece a campanha brasileira de prevenção ao suicídio, mais conhecida como "Setembro Amarelo", iniciada no Brasil em 2015

19 setembro 2020 - 09h30Rosana Siqueira
O assunto é complexo até mesmo entre os profissionais da saúde, que acabam engrossando estas tristes estatísticas
O assunto é complexo até mesmo entre os profissionais da saúde, que acabam engrossando estas tristes estatísticas - (Foto: Divulgação)
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O tema ainda é envolto em tabus, mas com a pandemia do coronavírus, o aumento do isolamento e depressão, os suicídios voltam a assombrar as autoridades de saúde dos estados. De acordo com a Rede Psicossocial da Secretaria de Estado de Saúde, 263 pessoas morreram no ano passado em Mato Grosso do Sul por atentarem contra a própria vida. No mesmo período, 3.370 pacientes foram atendidos em unidades de saúde por tentativa de suicídio. Por isso o mês de setembro é dedicado à conscientização da população sobre a prevenção do suicídio. 

Durante este mês, acontece a campanha brasileira de prevenção ao suicídio, mais conhecida como "Setembro Amarelo", iniciada no Brasil em 2015. O mês foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando, bem como conscientizando a população sobre a importância de sua discussão.  

A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que mais da metade de todas as pessoas que cometem suicídio têm menos de 45 anos. Para diminuir essas estatísticas, o diálogo sobre o tema é fundamental.  

O assunto é complexo até mesmo entre os profissionais da saúde, que acabam engrossando estas tristes estatísticas. Por isso, desde 2014 é realizada em todo o País a campanha Setembro Amarelo, encabeçada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). 

Este ano, Mato Grosso do Sul realizou seminário de capacitação para profissionais da área totalmente on-line. Isso por causa da pandemia de coronavírus, que impossibilita eventos presenciais. Com programação organizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), o seminário reuniu mais de 200 pessoas entre psicólogos, médicos e enfermeiros, em torno das ações de combate ao suicídio. 

A situação é grave, avalia a gerente-técnica da Rede Psicossocial, Michelle Scarpin, e precisa ser discutida não só com a comunidade, mas também entre os profissionais. 

"Existe subnotificação em relação à tentativa de suicídio. Muitas vezes, os profissionais têm dificuldade em preencher as fichas de atendimento. Isso principalmente em municípios pequenos, onde já existe uma situação em que familiares preferem não levar o paciente para o atendimento por pensarem que a notificação vai gerar uma ficha policial", destaca a gerente-técnica da Rede. 

Para ela, a subnotificação dificulta o desenvolvimento de políticas públicas. "Quando não temos dados completos, nossas ações não conseguem ser 100% efetivas", diz Michelle. Por isso, o trabalho de capacitação de profissionais, especialmente entre os que integram o Sistema Único de Saúde (SES), é um dos focos de atuação da Rede Psicossocial da SES. Outro eixo de atividade é a conscientização das pessoas. 

Motivos - Entre os fatores de risco para o ato estão as doenças mentais, as condições de saúde limitante e aspectos psicológicos e sociais. Identificar quem é vulnerável ou tem risco para o suicídio é um dos grandes desafios para a sociedade e todos devem ficar atentos. "É muito importante dizer para quem está passando por uma situação difícil procurar ajuda", afirma a gerente-técnica da Rede Psicossocial. 

Os familiares e amigos precisam procurar compreender o suicídio e entender que a pessoa está passando por sofrimento psíquico. É importante conhecer as formas de ajudar e encaminhar para tratamento profissional. É complexo auxiliar aqueles que estão com o pensamento de suicídio e, por esse motivo, as pessoas próximas também precisam estar bem e amparadas, avaliam os especialistas. 

Terapia ajuda a ameninar conflitos

A terapia é um grande apoio para quem teve um episódio de depressão. A chance disso ocorrer novamente é muito grande, por isso a importância da terapia que pode diminuir a chance de isto acontecer ou reduzir a intensidade do processo. Colocar para fora seus medos, angústias e medos ou experiências ruins, sem nenhum tipo de julgamento, evita sofrimentos e permite o autoconhecimento. 

Um dos maiores riscos de suicídio é a depressão. E o maior indicador da ideação suicida parece ser a desesperança. Qualquer indivíduo, mesmo levemente deprimido, pode cometer suicídio na tentativa de buscar alívio ou solução de seus problemas, escapar das adversidades do mundo ou da sensação de impotência diante de obstáculos cotidianos. Outro ponto é  velhice. Muitos aposentados, não conseguem reorganizar suas vidas e não veem mais sentido em viver. O mercado de trabalho, cada vez mais estressante, exigente e desafiador, está levando as pessoas a adquirirem diversas síndromes como o Burnout, o que também causa suicídio. 

Por isso uma boa avaliação psicológica e psiquiátrica, são fundamentais para indicar o tratamento. O diagnóstico deve ser realizado com muito cuidado.  

Hospitais fazem campanhas este mês 

Na depressão muitas pessoas acalentam a ideação suicida. Com isso mudam os comportamentos e as atitudes. Por isso a família deve estar atenta para dar acolhimento e buscar ajuda no momento certo. 

Para a Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems), a saúde mental é um pilar importante para o bem-estar. Por isso, o plano de saúde se preocupa constantemente em trazer iniciativas diferenciadas para cuidar dos servidores do estado e seus familiares. 

Conforme explica a diretora de Assistência à Saúde da Cassems, Maria Auxiliadora Budib, os números em relação ao suicídio crescem constantemente. "A depressão, a ansiedade, a falta do olhar cuidadoso na saúde mental trazem sequelas irreversíveis à família e à sociedade. Por isso, precisamos dar atenção ao tema e estarmos atentos ao cuidado com a saúde mental". 

O cenário de pandemia e a necessidade do isolamento social, de acordo com Maria Auxiliadora, fizeram com que as pessoas se sentissem mais solitárias, o que pode ser um indicativo para um quadro de fragilização da saúde mental. "Já tínhamos a preocupação em relação aos cuidados com a mente e, neste momento, a pandemia trouxe novas dores emocionais para as pessoas. A transformação no modo de se viver impactou fortemente a sociedade".  

A diretora de assistência à saúde da Cassems salienta que as mudanças na rotina e o medo constante de adquirir a Covid-19 contribuem para uma piora na saúde mental.  "As regras de isolamento social e o desestímulo ao contato físico afetam o modo de vida das famílias e traz a solidão para mais perto de cada um de nós". 

De acordo com coordenadora de Psicologia da Cassems, Cláudia Szukala, a Caixa dos Servidores está sempre atenta a questão da saúde mental. "Temos esse olhar cuidadoso com a saúde da mente há muito tempo. Agora, com a pandemia, tivemos que intensificar essas ações. As situações de isolamento, incertezas, medo, tristezas, estão mais constantes na pandemia. Então, é necessário retomar essa assistência com mais iniciativas, que alcancem todos os beneficiários". 

A Cassems desenvolveu várias ferramentas e ações para atenuar o sofrimento das pessoas que estão passando por esse momento delicado. No início de maio, a Caixa dos Servidores lançou um serviço de acolhimento psicológico, via telefone, para os seus beneficiários e colaboradores de todo o estado. O atendimento é gratuito e busca oferecer uma escuta qualificada para diminuir ao máximo o sofrimento psíquico individual e coletivo, com psicólogos que estarão na retaguarda para que os beneficiários passem por esse período de instabilidade em organização das suas ideias e pensamentos. O canal funciona por meio do telefone (67) 4001-6919, de segunda à sexta-feira, das 7h às 22h. 

Cuidar, acolher e humanizar são verbos que fazem parte do dia-a-dia da diretoria e dos colaboradores da Cassems. Com a adoção do protocolo "Visita 0", que restringe ao máximo o número de visitas aos pacientes internados no Hospital Cassems de Campo Grande, a Caixa dos Servidores lançou duas ações que visam amenizar o distanciamento entre o paciente e seus familiares, além de oferecer todas as informações sobre o internado. 

O "Robô Ipê" é uma ferramenta de televisita que auxilia os familiares de pacientes com Covid-19 internados, onde, por meio de vídeo, eles podem conversar com o ente internado. As famílias também recebem boletins médicos diários via e-mail. Com esse recurso, pioneiro em Mato Grosso do Sul, os familiares podem agendar um horário definido com a equipe técnica. Já o "Espaço Acolher" é uma estrutura física composta por dois containers, montada no estacionamento do Hospital de Campo Grande, feita exclusivamente para receber os familiares de pacientes internados. Neste ambiente, é possível dialogar sobre o quadro clínico, bem como oferecer auxílio psicológico para pessoas próximas dos beneficiários em internação. O local oferece assistentes sociais e psicólogos à disposição, todos os dias da semana, das 7h às 17h. 

 

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