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SAÚDE

Publicação britânica destaca ações contra zika e microcefalia no Brasil

O texto, produzido por pesquisadores brasileiros, destaca as iniciativas do governo federal para ampliar o conhecimento sobre o zika vírus.

1 março 2016 - 16h08DA REDAÇÃO
Divulgação

O artigo "Zika vírus e microcefalia no Brasil: uma agenda científica" ganhou destaque na publicação britânica The Lancet, especializada em temas ligados à saúde. O texto, produzido por pesquisadores brasileiros, destaca as iniciativas do governo federal para ampliar o conhecimento sobre o zikavírus e as suas consequências para a saúde pública no País e em todo mundo.

De acordo com os pesquisadores, para alcançar melhores chances de sucesso, um plano estratégico para a ação governamental deve ser apresentado em torno de seis componentes centrais.

O primeiro objetivo é ampliar a base de evidência da infecção, das doenças, e dos resultados potenciais das pesquisas sobre zika. Apesar de ser conhecida há várias décadas, o vírus zika foi um assunto negligenciado, possivelmente por causa de seus efeitos leves e seu alcance limitado. A criação de uma equipe multidisciplinar, incluindo clínicos bem treinados, epidemiologistas, geneticistas, neurologistas, obstetras, entre outros, fará com que seja possível gerar, compartilhar e analisar um grande volume de dados.

O segundo componente é desenvolver um teste sorológico rápido e confiável. Atualmente, o diagnóstico de zika se baseia na detecção de RNA viral, que está presente apenas em um breve período da viremia. De acordo com os pesquisadores, é essencial ter testes sorológicos confiáveis e mais sensíveis e específicos. O terceiro eixo é controlar a infestação por Aedes aegypti com o objetivo de reduzir a infecção e a doença. Apesar de o controle do mosquito ter sido uma prioridade nacional, estudos precisam avaliar a eficácia de novas formas propostas de controle de vetores, como mosquitos infectados com a bactéria wolbachia.

A quarta meta do plano é definir protocolos para o tratamento de casos agudos, em particular as mulheres grávidas, e prevenção das consequências de malformações congênitas graves e incapacitantes. Não há nenhum tratamento comprovado hoje para o vírus zika e qualquer novo tratamento terá de ser seguro para as grávidas. O quinto objetivo é iniciar as bases para o desenvolvimento de vacinas, prospecção e avaliação de possíveis estratégias tecnológicas. Tendo em vista as dificuldades no controle do mosquito vetor e a ausência de outras formas de tratamento e prevenção, o desenvolvimento de uma vacina contra zika parece ser essencial para o controle a longo prazo da doença.

O sexto e último objetivo do plano estratégico é a reprogramação do sistema de saúde como consequência da epidemia. Para lidar com esta nova situação, será fundamental definir os recursos adequados para pesquisa, formação e capacitação. Segundo os autores do artigo, a cooperação internacional exigirá um complexo nível de coordenação e um grande esforço das agências reguladoras para aumentar as chances de sucesso dentro de um prazo razoável.

 O texto é assinado pelo presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) , Paulo Gadelha, pelo vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência, Rodrigo Stabeli, pelo coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde, Paulo Buss, pelo diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral-Netto, pelos pesquisadores da Fiocruz Mauricio Barreto e Pedro Vasconcelos, além de Naomar Almeida-Filho, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e Mauro Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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