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SAÚDE

Nova Friburgo vai ganhar Centro de Pesquisa e Inovação em EPIs

Projeto receberá apoio e recursos da Faperj

6 agosto 2020 - 15h25
O objetivo é garantir qualidade aos produtos feitos no Brasil e dar suporte à indústria para adaptação de linhas de produção, uso de tecnologia e capacitação.
O objetivo é garantir qualidade aos produtos feitos no Brasil e dar suporte à indústria para adaptação de linhas de produção, uso de tecnologia e capacitação. - (Foto:Direitos Reservados/Reuters)
O FLOR DA MATA - NOTICIAS

O município serrano de Nova Friburgo ganhará um Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Esses equipamentos têm sido usados por profissionais da área de saúde que atuam na linha de frente da pandemia da covid-19.

O objetivo é garantir qualidade aos produtos feitos no Brasil e dar suporte à indústria para adaptação de linhas de produção, uso de tecnologia e capacitação.

O projeto foi um dos contemplados pelo edital Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19, do governo fluminense, e terá apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Vinte e três pesquisadores estão engajados no projeto, sob a vice-coordenação do professor do Instituto de Saúde de Nova Friburgo, da Universidade Federal Fluminense (ISNF/UFF), Cláudio Fernandes.

Fragilidades
De acordo com Fernandes, foram percebidas deficiências no processo de qualidade no mercado de EPIs. Segundo ele, os materiais disponíveis no Brasil não são adequados.

“Apesar de o marco regulatório brasileiro prever que as empresas sejam registradas e mantenham a qualidade, ainda não existe no Brasil um processo de vigilância dessa qualidade. A gente não tem feito isso de maneira ativa. A crise da covid expôs ainda mais esse problema”, disse o professor.

Há fragilidade nos materiais disponíveis tanto para proteção de médicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas, entre outros profissionais da saúde, como também da população que, segundo ele, vai precisar usar máscara de barreira ainda durante muito tempo.

O segundo aspecto negativo é a concentração de produção em um único país (China), o que torna a indústria muito dependente do mesmo fornecedor.

Cláudio Fernandes destacou que o Brasil tem capacidade tecnológica para fazer conversão industrial e aplicar também suas experiências nesse campo. “Nova Friburgo está recepcionando essa ideia”.

O município serrano fluminense tem mais de 1,3 mil empresas da área têxtil e, particularmente, da moda íntima. “É claro que isso não é suficiente, porque a EPI é outra expertise”, reconheceu Fernandes. Mas existem similaridades em alguns aspectos que permitem uma conversão tecnológica mais ágil.

Em Nova Friburgo estão situados dois grandes polos de pesquisa que reúnem setores de saúde, microbiologia, imunologia, biologia voltada às necessidades humanas da UFF, e o polo de engenharia da Uerj, com química de polímeros, têxteis, entre outros setores.

Expectativa
O projeto aguarda a liberação dos recursos pela Faperj. A ideia é que o centro de pesquisa possa iniciar os trabalhos até o final deste ano, dada a urgência da pandemia.

No momento, estão sendo feitos o levantamento em termos das tecnologias empregadas atualmente e as demandas das secretarias municipais de Saúde sobre o uso de EPIs.

Atualmente, 180 empresas do Polo de Moda Íntima de Nova Friburgo já estão fabricando 11 milhões de máscaras de barreira de tecido por mês para a população.

Fernandes lembrou que as indústrias têxteis têm enxergado potencial para agregar valor a determinados tipos de tecidos. O intuito é que eles possam ter um uso maior na área de máscaras para o setor da saúde.

Um dos elementos mais importantes na confecção de uma máscara do tipo N95, cuja capacidade de filtração chega a 98%, é um filtro chamado meltblow, que fica situado entre as camadas externa e interna do artigo. De acordo com o professor, apenas duas empresas no mundo fabricam o meltblow. Com isso, a disponibilidade do produto é bastante reduzida e o preço, em geral, elevado. As máscaras de algodão utilizadas no cotidiano têm proteção entre 50% e 70%.

As indústrias têxteis da região estão avaliando produzir alternativas ao meltblow, que tenham as mesmas condições de proteção, mas que sejam tecidos novos e competitivos, inclusive, no mercado internacional.

Fernandes acredita que, com apoio do novo centro de pesquisa, as empresas terão mais capacidade de chegar a esse estágio. E não só para fabricar máscaras, mas capotes, macacões, gorros, aventais, uma série de outros equipamentos de proteção para os profissionais da saúde.

Integração
As universidades do Rio de Janeiro que participam do projeto vão se integrar com as indústrias que desejarem realizar uma adaptação para produção de EPIs de maior qualidade voltados a equipes de saúde.

Com o centro de pesquisa, as universidades conseguem prestar um serviço ao gestor público, avaliando a qualidade de produtos que estão no mercado, bem como dando suporte à indústria que queira fabricar um produto melhor, desenvolver sua linha de produção, fazer adaptações e capacitar a equipe.

Detalhes como a costura ultrasônica, por exemplo, que não deixa perfurações na máscara que possam permitir a passagem ou vazamento de elementos, são fundamentais na confecção de EPIs para a saúde.

O professor disse ainda que, após a implementação, o novo centro de pesquisa vai poder comparar os produtos e avaliar a evolução do setor.

Estão engajados no projeto o Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo (Sindvest), o Polo de Moda do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), as empresas Quipo e Media Glass, especializadas em inteligência artificial, bigdata e telemedicina, e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), por meio do projeto da Rede de Empresas Fluminenses contra Efeitos da Covid-19.

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