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EX-MINISTRO DA SAÚDE

Em entrevista ao Grupo Feitosa, Mandetta aborda nova variante da Covid-19, vacinação e política

O ex-ministro da Saúde participou do Programa Giro Estadual de Notícias, que inclui as rádios Marabá, Band FM 100,9, Montana, Nova FM, Serra FM, Serrana FM, Corumbá FM e Band FM 88,5

28 janeiro 2021 - 10h50Da Redação
O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta
O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta - (Foto: A Crítica)

Ao participar nesta quinta-feira (28) do Programa Giro Estadual de Notícias, do Grupo Feitosa de Comunicação, que inclui as rádios Marabá FM, Band FM 100,9, Montana FM, Nova FM, Serra FM, Serrana FM, Corumbá FM e Band FM 88,5, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, falou sobre a variante do novo coronavírus detectada primeiramente em Manaus (AM), a vacinação contra a Covid-19 e a possível candidatura dele à Presidência da República em 2022. Outro tema também abordado por ele durante o bate-papo de quase uma hora foi sobre a impossibilidade de ser privatizar o SUS (Sistema Único de Saúde).

Na entrevista, sob o comando de Carlos Ferreira e Rogério Alexandre Zanetti, o ex-ministro recordou que logo no início da pandemia o Ministério da Saúde tinha aprovação de 70% da população e hoje esse índice não chega a 30%. "Naquele momento, era o início da pandemia, o conhecimento das pessoas era muito baixo. Nós tínhamos as coletivas de imprensa, quando explicávamos para as pessoas o que estava acontecendo, o intuito era que as pessoas pudessem conhecer e preparar as suas linhas de defesa dentro das suas casas. As pessoas estavam bebendo daquela fonte, depois com as trocas de ministros e a posição de não falar sobre o assunto, o Governo perdeu o vínculo com a população, tanto na hora de pedir o sacrifício para ficar em casa, quanto na hora de sair, mas sair com responsabilidade", lembrou.

O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, participou nesta quinta-feira (28) do Giro Estadual de Notícias

O ex-ministro ressalta que agora para se obter informações foi preciso criar um consórcio de imprensa. "O Governo perdeu a credibilidade. A percepção da população, que deseja ter acesso às informações, ficou decepcionada. Nós cumprimos esse objetivo naquele momento e, por isso, tínhamos 70% de apoio. Além disso, no começo, tínhamos muitas teorias polêmicas, como sobre o uso de medicamento, e o presidente Jair Bolsonaro entendeu que podia se embasar nessas teorias e acabou dando exemplo contrário. A crise ficou mais estendida, tivemos pouca adesão, aumento de contágio, crise no atendimento, crise na conduta, crise na abertura de leito e depois fechamento, enfim, tudo acabou culminando com a catástrofe de Manaus", lamentou.

Ele acrescenta que, agora, temos a crise da vacina, pois apostou em uma só, deixando de adquirir outras vacinas. "Se tivéssemos um mix de vacinas, usando o SUS, poderíamos atacar a doença, pois temos 340 mil homens, fora enfermeiros e médicos, prontos para ajudar. Temos uma Ferrari sem gasolina", lamentou, lembrando que essa cepa de Manaus pode provocar uma grande pandemia no Brasil em 60 dias. "A transferência de pacientes da capital amazonense para outros Estados e a falta de controle podem plantar a nova cepa em todo o território brasileiro, agravando a situação da pandemia no Brasil. Há indícios de que a variante aumenta a transmissibilidade do vírus", alertou.

Sobre o uso de medicamentos, o ex-ministro explicou que, de cada 100 pessoas que pegam a Covid-19, 80 têm formas leves da doença

Segundo Mandetta, a transmissibilidade do vírus seria 12 vezes maior que a atual cepa. "Ou seja, com essa nova cepa, se antes eram mil casos por dia, teremos 12 mil casos por dia. Serão mais pessoas acionando o sistema e isso vai provocar o colapso. Tiraram muitos pacientes de Manaus e distribuíram para várias cidades do Brasil, fora as pessoas que saíram de carro. A tendência é que essa cepa se espalhe por todo o território nacional. Se isso for fato, em 60 dias, ou seja, em abril teremos uma situação muito dura, com baixo número de vacinados e uma cepa mais transmissível", avaliou.

Medicamentos

Sobre o uso de medicamentos, o ex-ministro explicou que, de cada 100 pessoas que pegam a Covid-19, 80 têm formas leves da doença e, para essas pessoas, qualquer remédio será eficaz. "Elas vão sarar com cloroquina, benzedeira, chá, etc. O problema da cloroquina é que, no caso dos idosos, que é o grupo mais crítico e muitos têm problemas cardíacos, o uso desse medicamento pode ser perigoso. No jovem, passa tranquilo, mas para as pessoas de risco, é preocupante. Não existe tratamento, 20% vão precisar de hospital, são as formas moderadas e graves. Aqueles que vão para o CTI, que são 5% dos 20%, muitos acabam morrendo", ressaltou.

Mandetta acrescenta que, agora, temos a crise da vacina, pois apostou em uma só, deixando de adquirir outras vacinas

Mandetta recorda que o mundo tentou encontrar remédios para tratar a Covid-19 e isso acabou causando confusão. "Eles propuseram o tratamento, mas agora estão retirando todas as postagens no Twitter. Não tenho problema nenhum com remédio nenhum, mas tem de calcular o risco e o benefício. 80% não vai ter problemas, podendo tomar qualquer tipo de medicamento, enquanto outros 20% terão problemas sérios e, por isso, faço o alerta", falou.

Política

A respeito da política, Luiz Henrique Mandetta lembrou que quando dividiram o Mato Grosso para criar Mato Grosso do Sul a história que se falava na época era de que os melhores políticos tinham ficado no Mato Grosso e aqui em Mato Grosso do Sul não ficou ninguém bom. "Agora, temos um momento melhor da classe política, como a senadora Simone Tebet disputando a Presidência do Senado, a Tereza Cristina ocupando o Ministério da Agricultura e eu como ministro da Saúde, enfim, fico feliz por ser de Mato Grosso do Sul, Estado periférico em termos de população, temos só 1,7 milhão de eleitores, um bairro de São Paulo. Mas o fato de ganharmos projeção nacional e sermos lembrados nacionalmente significa que temos qualidade e ser convidado para ser candidato a presidente da República demonstra força do nosso Estado", afirmou.

Enrico Feitosa, diretor da rede de rádios do Grupo Feitosa de Comunicação e Gustavo Faleiros, assessor do ex-ministro Mandetta

Ele revelou que tem conversado com vários nomes que estão interessados em disputar a Presidência da República em 2022 e que alguns se encantam mais com a ideia, outro menos. "Agora, o importante é a gente saber o tamanho da gente e buscar uma unidade porque o Brasil está em frangalhos. Nós estamos quase que vivendo uma guerra civil na Internet. É um tiroteio, é uma coisa de ódio do lado A contra o lado B, a turma do Bolsonaro falando vote em mim se não a turma do PT volta, e a turma do PT falando vote em mim se não o Bolsonaro fica.  Deve existir vida inteligente entre esses dois mundos. Eu sou um eleitor que votou no Bolsonaro, mas não vou repetir o meu voto. Assim como eu tem um número grande de pessoas que também não vão repetir o voto, mas também estão procurando quais vão ser as opções em 2022. O fato de o meu nome estar dentro desse radar de alternativas é muito bom para Mato Grosso do Sul, mas, daí dizer que isso vai se materializar tem uma distância muito grande. É um caminho muito grande, um novelo muito grande", reforçou.

Privatização do SUS

Questionado sobre uma possível privatização do SUS, Mandetta foi taxativo: o SUS é uma máxima Constitucional e para privatizá-lo só se você convocar uma nova Constituição, o que não existe. "Saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Depois lá na frente fala que vamos cumprir isso por meio do SUS, que envolve Governo Federal, Governo dos Estados e Prefeituras. O SUS é feito por meio de pacto entre a União, Estados e Municípios, que se reúnem uma vez por mês. Para a sua formação, conta com hospitais públicos, rede de atenção básica, hospitais filantrópicos, como a Santa Casa aqui de Campo Grande, e da iniciativa privada, com o El Kadri", relatou.

Enrico Feitosa, diretor da rede de rádios do Grupo Feitosa de Comunicação (à esq.), Luiz Carlos Feitosa, fundador do Grupo Feitosa de Comunicação (centro) e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (à dir.)

Ele completa que 60% do que o SUS faz é na rede privada. "Esse debate ideológico tem de ser 100% público ou poder contratar não interessa a população. O povo quer saber do padrão de qualidade e se ele vai ter acesso. Depois que você entrou no SUS, aí as coisas andam bem, a coisa funciona, o duro é expandir acesso. De 2005 a 2010 foi quando mais se expandiu a rede SUS em Campo Grande. Essa discussão é como fazer para dar mais acesso, não existe a privatização do SUS", afirmou.

O ex-ministro da Saúde aproveitou para falar sobre a vacinação contra a Covid-19. "As pessoas não precisam ter medo da vacina, eu mesmo vou tomar. Os abraços não estão proibidos, estão apenas suspensos e, quando todos formos vacinados, vamos voltar a nos abraçar. Acredito que ainda vamos atravessar este ano de 2021 pedindo calma e bom senso, mas logo vamos aumentar o número de pessoas vacinadas e as coisas vão começar a voltar ao normal", finalizou.

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