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Combate ao abandono de animais em Campo Grande ainda é um grande desafio

Dados mostram que durante a pandemia os casos tiveram aumento

26 outubro 2020 - 14h45Felipe Ribeiro
Ver animais nas ruas de Campo Grande se tornou cotidiano
Ver animais nas ruas de Campo Grande se tornou cotidiano - (Foto: Divulgação)
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Dois vídeos relacionados aos maus-tratos a animais domésticos foram enviados na última semana. As filmagens mostram situações de desprezo com cães e gatos, que foram abandonados em locais inóspitos de Campo Grande e encontravam-se em estado de saúde degradado. Em uma gravação, a funcionária pública aposentada e protetora independente de animais, Lígida dos Santos, expõe sua indignação com o descaso.

“Ô gente, eu vim aqui fazer esse vídeo enquanto faço esse resgate, porque é impossível que tem um ser humano que joga um animalzinho desse pra sofrer e morrer à própria sorte, vivo, vivo!”, queixou a protetora, consternada com a situação.

Lígida explica que o descaso com animais domésticos em Campo Grande é gritante. Ela comenta que o tutor prefere abandonar o animal a castrá-lo. Cita também que existem vários locais na cidade onde os seres são deixados ao relento. “Campo Grande tem vários pontos de desova. As pessoas se habituam a pegar animal e jogar lá. Um desses é a rua lateral ao condomínio Village Parati”, explica.

Lígida divulgou o desabafo nas redes sociais

O cachorro que a protetora tentou socorrer no vídeo morreu por Cinomose, uma doença infecciosa causada por um vírus. O custo do tratamento na clínica veterinária onde deixou o cão está sendo pago por ela e mais uma protetora independente. “Nós somos uma rede com umas 500 pessoas envolvidas, totalmente órfãs de apoio. Eu tô resgatando animais todos os dias. São gastos com rações, remédios e veterinário. Um resgate não fica por menos de R$ 400”, disse Lígida.

A luta dos envolvidos com o resgate desses animais é um desafio constante. As pessoas que trabalham por um mundo melhor para os pets relatam que não é nem um pouco fácil e que se tivessem mais ajuda da sociedade, a situação de abandono seria ínfima perto dos casos existentes atualmente. “Às vezes, não tem ração e tem que ficar se humilhando, pedindo doação de rações nas redes sociais. Agora não faltou ração pros animais (na ONG – Organização não Governamental), porque os amigos fazem campanhas e ajudam”, explica Kelly Macedo, presidente da ONG Cão Feliz.

Ela diz que na entidade em que dirige, existe até trabalho voluntário. “Temos um funcionário de limpeza, uma auxiliar de veterinário voluntária e um médico veterinário também voluntário, que vem duas vezes por semana. Eu larguei o conforto de casa pra ficar perto das minhas crianças de pata”.

Protetora encontra gatos abandonados em bairro na Capital

Final feliz - Por volta do ano de 2017, um cachorro filhote sem raça definida, foi encontrado com feridas na boca. Quem o resgatou foi a também protetora independente Greice Maciel. “O cãozinho 'Boca' estava com a boca toda estourada. Alguém deve ter jogado ou colocado bombinha na boca dele. Tava com uma lesão muito feia, passou por várias cirurgias, estava muito magro porque não conseguia comer. A gente o encontrou abandonado em uma obra”, detalhou.

Maciel comenta que hoje o cão está bem e recuperado devido sua ação de resgate. “Foi um caso de superação mesmo. Ele ainda não foi adotado, está em um lar temporário. Já fazem três anos, mas está muito bem. É um cachorro muito feliz”, explicou a protetora.

A SESAU (Secretaria Municipal de Saúde Pública) da Capital informou que já existem políticas públicas para o combate do problema. “Tivemos vários projetos de lei aprovados e sancionados, como a guarda responsável de animais domésticos, a regulamentação do comércio de animais em Campo Grande e o sistema de posse responsável de cães e gatos, regras de registro, de passeios e outras responsabilidades passíveis de penalidades”, detalhou a SESAU.

Quem o resgatou o "Boca" foi a também protetora independente Greice Maciel

O órgão ainda disse que no decorrer deste ano, a SUBEA (Subsecretaria do Bem-Estar Animal) estruturou alguns projetos. “Ideias como o programa de educação para o bem-estar animal, instalado especialmente nas escolas, selo Empresa Amiga dos Animais, Banco de Ração e Utensílios, atuação nos resgates e captação de lares temporários”, informou a entidade.

Lígida, que no início da reportagem mostra sua imensa insatisfação com o problema, agora agradece quem muito faz pelos animais. “Nós somos protetores independentes, a gente enxuga gelo. Quem nos ajuda muito são a Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) e o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). Eles são verdadeiros heróis”, disse.

Ela também apresenta uma resposta para os maus-tratos e abandono dos pets. “O CCZ tem a melhor técnica de castração de Campo Grande. A castração é uma das soluções para o problema, a conscientização é outra. Existe muita ignorância, falta de ação do poder público, ausência de consciência ambiental. A sociedade maltrata”, concluiu.

Para evitar esses maltratos, cada vez mais comuns, foi sancionada no dia 29 de setembro a Lei 1095/2019 que pune quem comete abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilação a animais. Estão inclusos os tipos silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A nova legislação possui um item específico que trata de cães e gatos, justamente por serem as principais vítimas desses crimes.

Antes, a pena da Lei de Crimes Ambientais previa de três meses a um ano de detenção. Agora, a pessoa que for culpada por crime contra animais no Brasil será condenada de dois a cinco anos de prisão, mais multa e proibição da guarda. Estabelecimentos comerciais e rurais que viabilizarem tais crimes também serão punidos pela nova lei.

Para evitar esses maltratos, cada vez mais comuns, foi sancionada no dia 29 de setembro a Lei 1095/2019

Estudo - Segundo dados inéditos, divulgados no ano passado pelo Instituto Pet Brasil, o País possui 370 ONGs. Destas, somente cerca de 25 estão na região Centro-Oeste, o que contabiliza uma média de 6 ONGs por estado. O número é bastante pequeno se comparado ao acolhimento existente pelas entidades no País: mais de 172 mil, entre cães e gatos, em todo o Brasil.

Apenas os abrigos de médio porte, que suportam de 101 a 500 animais, mantêm, no total, mais de 89 mil pets abandonados sob tutela, o que representa 52% da população de cães e gatos disponíveis para adoção no Brasil.

Sobre a saúde veterinária, um levantamento feito pelo IBGE apurou que 19 milhões de animais domésticos não foram imunizados contra a raiva.

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