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INTERNACIONAL

Referendo sobre nova Carta Magna de Cuba tem alta participação

O novo texto reconhece o mercado e o investimento privado e estrangeiro como atores em sua economia de linha soviética, mas sempre sob o comando do único e governante Partido Comunista de Cuba

25 fevereiro 2019 - 10h45
Fort Atacadista Natal

Os cubanos foram às urnas neste domingo, dia 24, em um referendo constitucional que discute a vigência do socialismo em meio a fortes pressões dos EUA e com os olhos voltados para a crise na Venezuela, seu aliado mais próximo.

Os colégios eleitorais abriram às 7 horas (9 horas de Brasília), e foram fechados às 18 horas. De acordo com a comissão eleitoral, até as 14 horas, 74% dos mais de 8 milhões de eleitores convocados já haviam registrado seus votos sobre a nova Carta Magna, que substituirá a de 1976.

Observadores locais e estrangeiros disseram esperar que entre 70% e 80% dos eleitores devem ratificar a nova Constituição. Também espera-se mais votos no "Não" do que em 1976, quando a Carta foi aprovada por 97,8% dos eleitores, e em 2002, quando o voto para tornar "irrevogável" o socialismo obteve 99,3% de aprovação.

A maior parte de votos no "não" desta votação deve ocorrer porque diferente de votações anteriores, a oposição ao regime cubano não pediu a anulação ou abstenção, mas sim o voto pelo "não". Os primeiros resultados oficiais serão divulgados na tarde desta segunda-feira, 25.

O novo texto reconhece o mercado e o investimento privado e estrangeiro como atores em sua economia de linha soviética, mas sempre sob o comando do único e governante Partido Comunista de Cuba, e afirma que "apenas no socialismo e no comunismo, o ser humano alcança a dignidade plena".

A consulta foi feita em meio à crise que atravessa o governo de Nicolás Maduro. "Cuba em pé pelo #Sim à #Constituição e ratificando o apoio à #RevoluçãoBolivariana", tuitou o presidente Miguel Díaz-Canel.

Cuba faz campanha para tentar unir a comunidade internacional contra o que denuncia como "agressão militar dos EUA" contra o seu aliado. "#Venezuela não está sozinha. #ManosFueradeVenezuela", escreveu Díaz-Canel, para quem o sim é "um voto também pelo socialismo, a pátria e a revolução", e a resposta às ameaças de Donald Trump, que havia afirmado em Miami que "os dias do socialismo e do comunismo estão contados na Venezuela, e também na Nicarágua e Cuba", três países apontados como "a troika da tirania" pelos EUA.

O governo cubano organizou uma campanha onipresente nas redes sociais e canais de televisão estatais - os únicos em sinal aberto - para obter a aprovação, com o uso da hashtag #YovotoSí (Eu voto sim, em tradução livre), apelando ao patriotismo e questionando as posições contrárias.

Para a Constituição passar é necessário obter 50% + 1 dos votos e o governo tem a certeza de uma grande vitória. O voto é facultativo na ilha. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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