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Delcídio classifica de covarde e ilegal gravação que o levou à prisão

Com exclusividade para acritica.net, o senador Delcídio do Amaral disse ser vítima de armadilha covarde

1 março 2016 - 11h13DA REDAÇÃO
Divulgação
O FLOR DA MATA - NOTICIAS

O senador Delcídio do Amaral (PT/MS) concedeu entrevista exclusiva para o portal acritica.net, em que fala de sua situação durante o período em que esteve preso em Brasília. Para o senador, a gravação feita com ele, e que culminou com a decisão de sua prisão pelo STF, foi uma armadilha covarde, ilegal e em momento que ele dava atenção a uma família que conhecia.

Delcídio garantiu que não está em prisão domiciliar, que é um erro afirmar que isso aconteça, mesmo porque ele não é condenado a nada. Sobre seu futuro político disse que na hora certa vai decidir o que fazer.

O senador também divulgou a carta que encaminhou aos senadores.

Acompanhe a entrevista com o senador Delcídio do Amaral:

A Critica - O senhor avalia que foi vítima de uma ação orquestrada. Quem teria interesse em planejar esta armação?

Senador Delcídio - Absoluta certeza. Minha defesa e o tempo vão acabar mostrando. Fui vítima de uma armadilha covarde sucedida de uma série de equívocos jurídicos.

Uma gravação armada e sem autorização, portanto ilegal, de um terceiro, num ambiente privado, absolutamente fora das minhas atribuições parlamentares, num momento de atenção à família que conhecia há anos e que havia muito buscava minha ajuda.

A Crítica - Enquanto o senhor esteve preso, surgiram informações que teria passado por períodos depressivos, especialmente depois da divulgação de uma suposta declaração do ex-presidente Lula, em relação ao episódio, que não lhe era muito favorável.  São verdadeiras essas versões de que o senhor teve momentos depressivos e em que chorava muito?

Senador Delcídio - Nada a ver. É lógico que, numa situação dessas, não é nada fácil manter o equilíbrio mas, apesar de fisicamente abalado, mantive a mente firme.

A Crítica - Qual era de fato a sua rotina na prisão?

Senador Delcídio - Li muitos livros. Procurei literatura que somasse minha cultura e meus conhecimentos. Trabalhei duro no estudo e confecção das minhas defesas junto aos meus advogados, que apresentamos à Justiça e ao Conselho de Ética do Senado.

A Crítica - Em algum momento neste período na prisão, o senhor de fato cogitou fazer delação premiada?

Senador Delcídio - Numa situação dessas, a gente tem que conhecer e considerar todas as possibilidades, até para poder balizar melhor as escolhas que fiz. Acabei optando pelo bom direito, com fortes argumentos que construíram minha defesa técnica, fruto do "bom direito".

A Crítica - A imprensa nacional divulgou que o STF o colocou em prisão domiciliar, com uma série de restrições, incluindo a obrigatoriedade de permanecer em casa no período noturno.  Efetivamente, quais medidas restritivas do seu direito de ir e vir o Supremo lhe impôs?

Senador Delcídio - Esse é um erro grave que praticamente toda a mídia, não sei se por desconhecimento ou maldade, comete. Não estou em prisão domiciliar. Prisão domiciliar é cumprimento de pena para quem já foi condenado com trânsito em julgado da sentença. No meu caso, não fui condenado a nada, portanto, não estou cumprindo pena nenhuma. Sequer a denúncia contra mim foi aceita pelo judiciário. Fui solto com um "alvará de soltura" com a revogação da prisão preventiva, com medidas cautelares que, repito nada têm a ver com prisão domiciliar. Tenho, por enquanto, medida cautelar de recolhimento noturno e não posso me relacionar com outros investigados do meu processo. Medida cautelar não é prisão. Portanto, dizer que estou em prisão domiciliar é um erro crasso. Aliás, estou de volta, pela sentença de revogação, ao pleno exercício do meu mandato como senador, ou seja, ao meu trabalho. Prisão domiciliar não permite trabalho de ninguém que esteja nessa situação.

A Crítica - O senhor tirou uma licença médica de 15 dias. Está com algum problema de saúde mais sério?

Senador Delcídio - Não. Tenho normalmente alguns aspectos relativos à minha saúde que venho acompanhando há anos. Como fiquei 87 dias submetido a um grande stress, nada mais normal que eu faça um "check-up" completo para voltar à rotina normal de trabalho junto à minha base no Mato Grosso do Sul e às atividades no Senado.

A Crítica - O senhor se sentiu abandonado por seu partido que suspendeu sua filiação e pode até expulsá-lo?

Senador Delcídio - Soube que mantiveram minha suspensão até que eu apresentasse minha defesa e a mesma seja analisada. Oportunamente, veremos como ficará essa situação.

A Crítica - A quem o senhor atribui a versão de que teria ameaçado levar metade do Senado, caso viesse a ter o mandato cassado?

Senador Delcídio - Essa é fácil! Um jornalista irresponsável, que não me procurou, nem aos meus assessores ou advogados. O mesmo jornalista que invadiu, dois dias antes, o hotel onde minha mãe estava hospedada em Brasília, tentando intimidá-la para dar uma entrevista e fazer uma foto. Como ele levou uma boa reprimenda de um assessor meu, resolveu agir por vingança, cometendo essa irresponsabilidade.

A Crítica - O senhor está convencido de que vai conseguir preservar seu mandato no Senado? Não há o risco de os senadores preferirem os holofotes de justiceiros à pecha de estarem acobertando um colega supostamente envolvido em escândalos?

Senador Delcídio - Não vejo dessa forma. Não existem senadores justiceiros. Hoje mesmo distribuí uma carta pessoal a cada um dos meus pares no Senado esclarecendo a verdade dos fatos. Tenho certeza de que todos irão proceder com equilíbrio e isenção. Como disse, minha defesa é forte e baseada no bom direito.

A Crítica - Independente da questão jurídica, a opinião pública, via de regra, faz um julgamento sumário e condena quando se trata de políticos alvos de alguma denúncia. Que futuro político o senhor vislumbra para sua carreira? Vai buscar a reeleição em 2018?

Senador Delcídio - A opinião pública se baliza, basicamente, pela mídia. Se a mídia é correta com os fatos, somos poupados. Quando isso não ocorre, as coisas ficam mais difíceis. Quanto ao meu futuro político, prefiro andar um degrau de cada vez. Na hora certa, tomo as decisões que considerar adequadas.

A Crítica - Quando o senhor pretende retomar suas atividades políticas no Estado e reabrir o escritório?  Pretende trabalhar na estruturação do PT  para a eleição municipal?

Senador Delcídio - Assim que terminar meus exames e estando tudo bem, espero, voltarei às minhas atividades normais. O escritório, em novo endereço, já está funcionando a pleno vapor desde o final do recesso. Para mim é cedo ainda para tratar de eleições municipais. Por enquanto, não é o meu foco.

A Crítica - Que lições o senhor tira de todo este episódio?

Senador Delcídio - Quando isso acontece na vida da gente, refletimos sobre muitas coisas, principalmente a importância da família e dos amigos. Nos leva a muitas reflexões que nos permite a correção de rumos. Somos fortalecidos pela nossa fé que nos dá a oportunidade de sairmos melhor do que éramos antes. Certamente foi a mais dura experiência que pude experimentar, porém, graças a Deus, consegui superá-la sem mágoas, sem revanchismo e olhando para frente, sempre. É vida que segue!

Confira a carta aos senadores:

Texto da minha carta pessoal distribuída a todos os senadores:

Caro(a) Senador(a) ...,

 

Alguns órgãos da mídia nacional publicaram, nessa semana, inverdades imputando-me a propagação de ameaças e constrangimentos aos meus pares do Senado, com o objetivo de evitar uma eventual cassação do meu mandato parlamentar.

Ante a sincera deferência que tenho por V.Exª, sinto-me obrigado a esclarecer os fatos e restaurar a verdade:  - Tais notícias são falsas e delirantes! Não condizem com minha conduta de homem e de parlamentar. Jamais fiz ou farei ameaças a qualquer pessoa. Em momento algum os signatários dessas notícias procuraram a mim ou meus advogados para checarem as informações publicadas.  Tal conduta, temerária e leviana, fere os princípios do bom jornalismo e merece o meu repúdio veemente.

O injusto encarceramento me afastou temporariamente da vida familiar, social e política, todavia não me exonerou da coerência e da razão. -  Seria falso dizer que a injustiça não fere, testa a nossa força debilitando o corpo e atormentando o espírito, porém, essas provações não dobraram meu caráter.   Ódio e revanchismo não ocuparam minha imaginação. Mantive a serenidade e permaneço fiel aos meus princípios morais que não foram depreciados ou abalados.

Reafirmo meu compromisso de lealdade com o Senado Federal e com o povo brasileiro, em especial o do Mato Grosso do Sul e permaneço confiante nas decisões do Poder Judiciário e convicto da imparcialidade de V.Ex.ª.

 

                                         Reitero meu respeito e consideração.

 

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