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FRONTEIRA

"Segurança na fronteira é faz de conta", diz juiz que condenou traficantes

Juiz federal Odilon de Oliveira atuou na fronteira do Brasil com Paraguai

21 junho 2016 - 08h45Da redação com informações do G1
Odilon comenta clima de insegurança após quatro mortes em dois atentados
Odilon comenta clima de insegurança após quatro mortes em dois atentados - Divulgação
Cassems

O clima de insegurança que se agravou na região de fronteira do Brasil com o Paraguaim desde a execução do narcotraficante Jorge Rafaat (veja vídeo), em Pedro Juan Caballero, é uma das consequências da falta de policiamento, na opinião do juiz federal em Mato Grosso do Sul, Odilon de Oliveira.

Depois de três execuções no domingo (19), a segurança nos dois países foi reforçada com policiais paraguaios e militares brasileiros do Batalhão de Operações Especiais (BOPE). O Paraguai apura a relação entre os dois casos.

"A segurança na fronteira, cuidando-se da faixa de fronteira, é um faz de conta, simplesmente. Quem tem que cuidar da faixa de fronteira não é o policiamento do estado, que tem que cuidar é policiamento da União, e o policiamento da União é a Polícia Federal [...] A população da fronteira, dos dois lados, tem que conviver com essa insegurança. Na fronteira, todo dia, morre gente assassinada, isso é histórico, já faz parte do cotidiano daquela gente", afirmou Odilon.

Ele acredita que o efetivo de policiais deveria ser duplicado na região de fronteira. Omagistrado foi jurado de morte e é conhecido no país por condenar narcotraficantes em Ponta Porã, entre eles Rafaat, morto em uma emboscada na noite de terça-feira (14), a menos de 500 metros da linha internacional que divide Brasil e Paraguai.

Situação rara
O prefeito de Ponta Porãx, Ludimar Novaes (PDT) comenta que os casos de atentado na última semana são raros e afetam de forma negativa.

 "Acredito que é uma situação muito rara de acontecer, mas que em função da repercussão tem afetado o município, porque as pessoas deixam de vir até Ponta Porã. Temos uma economia que necessita do turista, necessita das pessoas que nos visitam, então, isso afeta muito o comércio, os hotéis, afeta negativamente a economia da fronteira como um todo".

O prefeito acrescenta ainda que está sendo feito trabalho para melhorar a segurança na região. "Estamos falando com responsáveis, solicitando aparato policial e nos colocamos a disposição para fornecer apoio necessário para qualquer tipo de reforço que venha".

Emboscada
Os atiradores usaram uma metralhadora ponto 50, que foi adaptada em uma caminhonete, na parte dos bancos traseiros, que foram retirados. Nove pessoas foram presas depois do atentado, segundo a agente fiscal do Ministério Público paraguaio Camila Rojas.

Para ela, tudo indica que a morte de Rafaat tenha sido motivada por disputa de território e poder entre organizações criminosas rivais interessadas no controle do narcotráfico na fronteira. Segundo a agente fiscal Camila Rojas, as características da emboscada, as evidências e as armas usadas levam a essa hipótese.

Condenação
Rafaat foi condenado pela Justiça brasileira por tráfico internacional de drogas em 2014, mas vivia no Paraguai como um empresário de sucesso. Ele era conhecido como o "rei da fronteira".

O processo que levou à condenação de Rafaat foi presidido pelo juiz federal Odilon de Oliveira, que é o único que recebe proteção permanente da Polícia Federal dentre os magistrados federais, segundo a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).

Disputa
O delegado de Polícia Civil de Ponta Porã, Jarley Inácio disse que a morte de Rafaat é mais um capítulo da disputa de poder entre facções de narcotraficantes na fronteira. Ele explica que a "extensa faixa de fronteira seca propicia a entrada de todo tipo de ilícito no Brasil" e ressalta que "as organizações criminosas perceberam isso ao longo do tempo". Desde então, "essa disputa trouxe para Ponta Porã índices de homicídios que têm aumentado nos últimos anos".

"O clima de medo entre a população porque está mudando o paradigma do narcotráfico. Um grupo organizado está assumindo, isso é uito sério, não s´po para fronteira, par aponta, mas ara po braisl inteiro.

Filme de terror
Moradores da região de fronteira ficaram assustados com o atentado. Uma testemunha paraguaia disse que parecia "filme de terror". Ela passava pelo local quando viu o carro com a metralhadora atirar contra o carro de Rafaat. "Tive medo de morrer porque os tiros não paravam. Eu só rezava", fala a jovem.

No dia seguinte à execução, a loja de pneus do traficante foi incendiada e na madrugada de sexta-feira uma empresa de segurança também foi atacada a tiros e um segurança foi feito refém.

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