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CASO ELIZA SAMUDIO

Morando em Campo Grande, mãe de Eliza Samudio é contra produção de série sobre sua filha

Em entrevista ao portal A Crítica, Sonia teme que isso pode mexer ainda mais com a cabeça do neto que completa 10 anos no mês que vem

11 janeiro 2020 - 11h02Carlos Ferreira
A Rede Globo comprou o direito do livro ''Indefensável — O goleiro Bruno e a história da morte de Eliza Samudio'', e possui o desejo de desenvolver uma série sobre diversos crimes
A Rede Globo comprou o direito do livro ''Indefensável — O goleiro Bruno e a história da morte de Eliza Samudio'', e possui o desejo de desenvolver uma série sobre diversos crimes - Foto: Reprodução
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Recentemente vários meios de comunicação noticiou a possibilidade de Rede Globo produzir uma série sobre o assassinato de Eliza Samudio. O caso obteve repercussão nacional e internacional, pois o goleiro Bruno, então jogador do Flamengo, estava entre os envolvidos. Morando atualmente em Campo Grande com o neto que cria desde os quatro meses, Sonia Moura indaga ser contra a produção da série, e que isso pode causar danos irreparáveis a criança, filho de Eliza e Bruno.

"Ele ainda não sabe de nada. Estou tentando ao máximo evitar envolver o meu neto no meio disso tudo, afinal ele é um dos mais afetados disso. Se eles abordarem a história da forma que está no livro, isso vai ser retratado de uma forma muito pesada, afetando de forma absurda o psicólogico dele", diz Sonia em entrevista ao portal A Crítica de Campo Grande.

Em uma época em que as crianças tem acesso em tempo real a informação, Sonia teme que isso pode mexer ainda mais com a cabeça de uma criança que está entrando na pré-adolescência.

"Eu cuido muito do meu neto para que ele não tenha acesso a um monte de informações que aconteceu, e, de repente, vai estar escancarado aos olhos dele. Como o psicológico dessa criança vai ficar? Já não tem mãe, não tem pai e ainda é vitíma de vários comentários maldosos", diz.

A Rede Globo comprou o direito do livro ''Indefensável — O goleiro Bruno e a história da morte de Eliza Samudio'', e possui o desejo de desenvolver uma série sobre diversos crimes.

Sonia explica que ter que lidar com comentários maldosos de pessoas julgando a vida de Eliza é a parte mais dolorida da história.

Eliza Samudio

"Está sendo sofredor tendo que lidar com esse sentimento. Com quase 10 anos do crime, eu sofro diariamente com isso, pois as pessoas continuam julgando o estilo de vida que a Eliza levava, como se ela fosse a culpada pela sua morte", desabafa.

O livro diz que Bruno se recusou a reconhecer a paternidade, pois não mantinha um compromisso sério com ela, além de não saber se ela tinha outros relacionamentos enquanto estava com ele e também devido ao seu passado como prostituta, acusando-a de querer dar o "golpe da barriga" por ele ter dinheiro.

O crime aconteceu em 2010 e na época não era comum relacionar assassinatos de mulheres ao feminicídio. Sonia ressalta que a morte de sua filha foi um dos que desencadeou este assunto e lamenta que até hoje a justiça não tenha descobrido o que aconteceu com o corpo de Eliza.

"Ninguém sabe ainda o que de fato aconteceu com o corpo da minha filha e percebo que a justiça ainda está de olhos vendados para este caso. Bruno foi solto e outras mulheres são assassinadas o tempo todo. É justo fazer isso com uma família? É justo fazer isso com uma criança?", lamenta.

A mãe de Eliza informa que a Rede Globo ainda não a procurou e que vai tentar barrar a produção da série. "Denigriram muito a imagem da minha filha. Era um momento em que todos estavam muito abalados, e hoje estou mais fortalecida. Eu sofro, por que fico revivendo e isso é muito massante, uma tortura. O que minha filha foi só dizia respeito a ela e mais ninguém. Deveriam respeitar a memória da Eliza e de seu filho", finaliza.

Segundo informações, a atriz Vanessa Giácomo já está escalada para viver Eliza na série. A autora de novelas da Rede Globo, Gloria Perez criticou sobre a possibilidade da criação da série.

O crime

Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010. A jovem tinha 25 anos na época do crime e pedia judicialmente o reconhecimento da paternidade do filho ao jogador Bruno Fernandes de Souza, na época goleiro e capitão do Flamengo.

Luiz Henrique, o Macarrão, o goleiro Bruno, e Marcos Paulista, fichados pela polícia de Minas

Bruno, conheceu Eliza em 2009, foi indiciado e preso sob a acusação de ter planejado o assassinato da ex-modelo. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, Eliza foi assassinada em 10 de junho de 2010, no interior de uma residência em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com um dos acusados pelo crime, Eliza teria sido morta por estrangulamento e depois esquartejada e concretada. Os restos mortais da jovem, entretanto, permanecem desaparecidos. O ex-goleiro e outros cinco envolvidos no crime já foram condenados pela justiça.

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