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Tiroteio contra manifestantes deixa pelo menos um morto na Nigéria

Anistia Internacional denuncia um total de 12 mortes nos protestos da terça-feira, 19; protestos pacíficos de jovens nigerianos denunciam violência policial no país e pedem mudança no governo

21 outubro 2020 - 12h55
Manifestantes protestam contra a violência policial em Lagos, na Nigéria.
Manifestantes protestam contra a violência policial em Lagos, na Nigéria. - (Foto: Pius Utomi Ekpei/AFP)
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Violento tiroteio de terça-feira, 20, contra manifestantes na Nigéria provocou uma grande comoção no país: a Anistia Internacional denuncia várias mortes, mas as autoridades reconhecem apenas uma vítima fatal. O governador do Estado de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, reconheceu no Twitter que uma pessoa morreu no tiroteio contra manifestantes pacíficos que desafiaram o toque de recolher na terça-feira à noite na cidade, capital econômica da Nigéria.

A ONG Anistia Internacional afirmou que vários manifestantes faleceram no ataque, mas que ainda tenta determinar o número exato. "Estamos preocupados? Não, morreremos aqui!", gritava a multidão, que balançava bandeiras nigerianas.

As mais de mil pessoas que se reuniram na terça-feira no ponto de pedágio de Lekki foram dispersadas com tiros de munição letal, após o anúncio do toque de recolher total, declarado na terça-feira, para sufocar o movimento de protesto iniciado há quase duas semanas.

"As manifestações pacíficas se tornaram um monstro que ameaça o bem-estar da nossa sociedade", declarou o governador Babajide Sanwo Olu antes de anunciar o toque de recolher. "Tenho a responsabilidade sobre este incidente infeliz e vou trabalhar com o governo federal para elucidar o que aconteceu", escreveu no Twitter o governador.

Sanwo-Olu afirmou ainda que a repressão escapou de seu controle.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram homens vestindo uniformes militares atirando com armas de fogo, mas o exército chamou as imagens de "fake news". Tiros foram ouvidos perto do posto de pedágio na terça-feira à noite e na manhã desta quarta-feira. Os bairros comerciais e as lojas da cidade de 20 milhões de habitantes permanecem fechadas.

O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, pediu compreensão e calma em um comunicado na quarta-feira, um dia depois que soldados abriram fogo contra manifestantes na cidade de Lagos.

Ele não abordou diretamente os tiroteios, mas pediu aos nigerianos que tenham paciência enquanto as reformas policiais "dão andamento".

"Terça-feira sangrenta", afirmaram os jornais nigerianos esta manhã.

Nas redes sociais, manifestantes pedem a renúncia do presidente, uma campanha que ganhou o apoio de Davido, estrela da música nigeriana.

A polícia mobilizou na terça-feira a unidade antidistúrbios como resposta aos confrontos em várias manifestações. A indignação tomou conta do país e atravessou fronteiras.

Comoção internacional

Milhares de jovens nas grandes cidades da Nigéria saem às ruas há duas semanas em protestos que começaram no sul do país para denunciar a violência policial e que evoluíram em manifestações contra o poder central. Até a terça-feira, 18 pessoas, incluindo dois policiais, morreram nos protestos.

Além de uma representação melhor na política, os jovens pedem aumentos salariais e mais empregos. Até agora, a maioria das manifestações tinham sido pacíficas, com jovens levando cartazes, cantando e dançando.

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu ao presidente Buhari e aos militares que "interrompam a violenta repressão que custou a vida de vários manifestantes".

"Os Estados Unidos têm que ficar ao lado dos nigerianos que se manifestam pacificamente pela reforma da polícia e o fim da corrupção em sua democracia", completou em uma mensagem sem seu site.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu o fim do que chamou de "brutalidade" da polícia na Nigéria.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, condenou a sangrenta repressão contra os manifestantes que desafiaram o toque de recolher em Lagos.

"Não suporto ver a tortura e a brutalidade que ainda existem em nossos países", escreveu no Twitter a cantora Rihanna. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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