20 de outubro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
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Sindicato vai à Justiça para punir as farmácias que vendem remédio barato

No processo são citadas 38 farmácias, que teriam fechado as portas por terem sido engolidas pelas tr
No processo são citadas 38 farmácias, que teriam fechado as portas por terem sido engolidas pelas tr - Divulgação
Fort  Atacadista - 21 ANOS

Tendo como alvo três farmácias que oferecem descontos para o consumidor de até 70% , o Sinprofarms (Sindicato dos Proprietários de Farmácias de MS) recorreu à Justiça para limitar em 10% o desconto sobre o preço estabelecido pela tabela nacional de medicamentos para todas as farmácias de Campo Grande.

Esta intervenção do Sinprofarms de conotação cartelista,  de acordo com o advogado do Sindicato, José Lofti Correa, se inspirou em ações semelhantes movidas em estados nordestinos onde a Justiça teria estabelecido desconto limite de até 15% para todas as farmácias.

Na ação civil pública que está sob análise do juiz Dorival Moreira dos Santos, da Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Homogêneos, o Sinprofarms acusa as farmácias Delta, São Leopoldo e Pague Menos de concorrência desleal e predatória, por supostamente oferecer descontos que deixam o preço final inferior ao cobrado pelas distribuidoras.

A ação poupou apenas a farmácia Prodmex, da Rede São Bento, que também trabalha com altos índices de descontos. 

De acordo com o advogado do Sinprofarms, José Lotfi Correa, “com os descontos que concedem, estas farmácias estariam trabalhando no vermelho para monopolizar o mercado e depois praticar preços abusivos para com os clientes”.

O dono da Rede Delta Medicamentos, Silvio Serafim Junior, reage com veemência a acusação. “É impossível trabalhar no vermelho e manter cinco lojas abertas. Isso não existe. Nós pagamos o mesmo que todas as farmácias pagam aos distribuidores. Estamos com as portas abertas para que os proprietários de farmácias conheçam nosso sistema de trabalho. Nós apenas decidimos ganhar menos e trabalhar mais”. Ele diz que conforme a linha de medicamentos, as farmácias trabalham com margem de lucro que varia entre 20 e 70%, caso específico dos genéricos e similares. Sua empresa, por uma questão de estratégia comercial, repassou parte desta margem ao consumidor. Optou por uma margem de 20%, suficiente segundo ele, para manter a rentabilidade do negócio e ainda desenvolver ações sociais. “Temos hoje mais de 430 mil clientes cadastrados”, revela Serafim, para quem além do preço o segredo do crescimento da sua empresa no mercado local seria “a fidelização do consumidor”, assegura.

No processo aberto pelo sindicato, são citadas 38 farmácias, só em Campo Grande, que teriam fechado as portas por terem sido engolidas pelas três farmácias acusadas.

O proprietário da farmácia São Leopoldo, Átila Barbosa de Oliveira, contesta as informações. “Nessa lista aparecem farmácias que já fecharam há mais de dez anos, outras fecharam porque o dono morreu e aparecem ainda duas farmácias no mesmo endereço, como é o caso da Drogaria do Povo e Farmagem, ambas na Rua 14 de Julho com a Rua Antônio Maria Coelho”.

“Só a Delta empregou mais pessoas que todas essas farmácias que fecharam empregavam”, contra-argumenta Serafim Junior, contabilizando quase 300 funcionários. “Outros ainda foram absorvidos por outras farmácias e estão ganhando mais”, acrescenta.

A Delta Medicamentos e a São Leopoldo afirmam que “não vão tirar dos clientes o direito de pagar menos” e vão contestar juridicamente. “Eu só vou parar de dar desconto se Deus mandar”, revela Serafim Junior, que invoca princípios evangélicos para rebater insinuações de que conseguir vender mais barato porque recorre à sonegação.

“A verdade é que estamos incomodando. Tanto que a concorrência usa nossos preços para cobrir os nossos preços. Se eles conseguem vender mais barato para quem levar uma nota de uma pré-compra em nossas lojas, porque simplesmente não reduzem o preço de forma permanente?”, questiona.

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