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Nacional

Sete mil pessoas exigem moradia digna na Nova Palestina

14 janeiro 2014 - 11h57
Acampamento Nova Palestina
Acampamento Nova Palestina - Beatriz Borges
Quem passa à beira da estrada do M´Boi Mirim, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, perde o fôlego ao ver o tamanho do acampamento Nova Palestina. Milhares de barracos improvisados com lonas azuis, amarelas e negras estão montados no local desde o dia 29 de novembro do ano passado, pedindo uma moradia digna. "Temos 7.070 pessoas cadastradas, que têm aqui sua barraca. A lista de espera [para novas barracas] era de mais de duas mil famílias, só que depois da chuva de sexta-feira, os cadernos ficaram molhados. Agora somente temos o nome de 800”, explica Helena Santos, uma das coordenadoras do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.
 
Os ocupantes, em sua maioria, ganham um salário mínimo (R$ 724). Considerando que o aluguel de uma casa com dois cômodos nesta zona não sai por menos de 600, a matemática da dignidade é, de fato, inviável.
 
O terreno, segundo indica o movimento, tem um milhão de metros quadrados e poderia ser utilizado para a construção das casas. No entanto, por tratar-se de um trecho do cordão verde da represa Guarapiranga e enquadrar-se como Zona de Proteção e Desenvolvimento Sustentável, somente 10% do espaço poderia ser utilizado para moradia. “As pessoas sentem que por colocar um barraco aqui já estão com a casa garantida”, explica Estela Maris de Jesus Sampaio, que há seis anos participa voluntariamente da coordenação do movimento. Sobre a tática de ocupação para obter a regularização fundiária, ela é taxativa: ¨Funciona.
 
Porque se formos esperar o Minha Casa Minha Vida, a casa não chega nunca¨, explica, referindo-se ao programa social criado pelo governo Lula em 2009, que facilita a compra de moradia com juros subsidiados à população de menor poder aquisitivo.
 
Estela começou no movimento em 2004, durante a ocupação do Jardim Salete, no extremo oeste da cidade. A sua experiência teve resultado: sua casa já está em construção, num projeto de 17 prédios populares com 60 apartamentos cada, no próprio bairro.
 
Caso o MTST consiga alterar o registro da área de Nova Palestina para Zona Especial de Interesse Social, 30% da área poderia ser utilizada para construir moradias, o que ainda seria insuficiente para a quantidade de pessoas sem-teto que buscam amparo no movimento. O local está a mais de 25 km do centro, mas, considerando as dificuldades de transporte da megalópole, é bem comunicado. A poucos metros está o Terminal de ônibus Jardim Ângela e o hospital municipal de M´Boi Mirim, o que atrai muitas pessoas que vivem de aluguel de várias partes da cidade, “até mesmo de Perus, bairro que está no extremo norte da capital, a 50 quilômetros do acampamento”, conta Osmar Barbosa dos Santos, um dos coordenadores do MTST.
 
A esperança é o que move essas pessoas a abdicarem do pouco que têm para viver com nada. Ao ouvir a expressão “casa própria” não há quem não se emocione. Os lotes atuais estão organizados por “bairros”, identificados por números e letras. Cada qual possui seu grupo de trabalho encabeçado por coordenadores e com encarregados da limpeza, cozinha e segurança. Apesar da boa vontade de muitos voluntários, as condições são insalubres. Sobre a previsão de permanência do assentamento, Helena levanta os ombros, com pouca esperança. ¨Ainda estamos esperando uma posição da prefeitura, vamos ver se semana que vem sai alguma coisa¨, responde.
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