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Saiba como diagnosticar alergia ao leite de vaca

A alergia ao leite de vaca tem sido uma hipótese diagnóstica aventada cada vez mais frequentemente

10 janeiro 2016 - 15h38Da redação

A alergia ao leite de vaca tem sido uma hipótese diagnóstica aventada cada vez mais frequentemente. Trata-se de um assunto que merece atualização técnica dada à diversidade de manifestações clínicas que podem levar ao superdiagnóstico e como consequência à introdução de dietas e privações alimentares desnecessárias.

Existe uma predisposição individual de reações indesejáveis após a ingestão de determinados alimentos, que são denominadas “Reações Adversas aos Alimentos – RAA” . Essas reações resultam de diferentes mecanismos e podem ser classificadas como:

•Imune-mediadas: designadas como Alergia Alimentar (exemplo: alergia a proteína do leite de vaca);

•não imune-mediadas: designadas como Intolerância Alimentar (exemplo: intolerância a lactose).

Definição e Prevalência

A alergia à proteína do leite de vaca é resultante da sensibilização do indivíduo a uma ou mais proteínas do leite de vaca. Essas proteínas são absorvidas através da mucosa intestinal permeável, desencadeando assim uma reação imunológica.

A introdução precoce do leite de vaca, como substituto do leite humano, é um dos fatores que pode levar a essa doença.

Considerando-se as alergias alimentares de modo geral, sua prevalência nos três primeiros anos de vida está em torno de 6%. Quando se estuda especificamente a alergia ao leite de vaca, estima-se que 2,5% dos recém-nascidos terão reação de hipersensibilidade ao leite de vaca no primeiro ano de vida.

O período de tempo em que o indivíduo permanecerá alérgico também é uma incerteza. Existem trabalhos nos quais se demonstra que 50% das crianças deixam de ser alérgicas ao leite já no primeiro ano de vida; 70% por volta dos dois anos e 85% até os três anos de idade.

Manifestações Clínicas

As manifestações da alergia ao leite de vaca são muito variáveis podendo acometer vários órgãos, sendo a pele, o trato digestivo e o trato respiratório, os mais envolvidos. Os principais sinais e sintomas resultantes da alergia alimentar são:

- Pele: urticária, rubor, dermatite atópica
- Gastrointestinal: prurido e/ou edema de lábios, náusea, dor abdominal, vômitos e refluxo, diarréia, obstipação intestinal, hemorragia
- Respiratório: congestão nasal, coriza, prurido nasal/espirros, edema laríngeo, tosse rouca e/ou disfonia, chiado / tosse crônica
- Cardiovascular: hipotensão/choque, desmaio/vertigens

Diagnóstico

O diagnóstico deve ser feito com base em:

1 - Anamnese completa, na qual se valoriza a história alimentar da criança, principalmente o momento da introdução do alérgeno em questão. Tentar resgatar com a família se os sintomas coincidem com a introdução do leite de vaca. Valorizar os antecedentes da criança quanto à presença de outras alergias. Investigar alergia em outros membros da família.

2 - Exame físico: pode evidenciar anemia, lesões de pele e outros sinais conforme as manifestações clínicas predominantes

3 - Exames laboratoriais: a solicitação de exames laboratoriais depende do mecanismo envolvido.

A abordagem sistematizada de cada criança, envolvendo as várias etapas de avaliação, possibilitará o diagnóstico de alergia alimentar.

Considerações Finais

Dada a diversidade de sinais e sintomas presentes na alergia ao leite de vaca, existem inúmeras dificuldades para o seu diagnóstico. A alergia ao leite de vaca é uma das entidades clínicas a ser considerada em certas situações, porém, existem outras patologias de maior prevalência que cursam com manifestações clínicas semelhantes e que não podem ser esquecidas, como a Intolerância a Lactose.

Após episódios de diarréia persistente, a intolerância à lactose pode se instalar, sendo necessário, de início, diminuir o aporte de lactose e acompanhar a resposta clínica. Essa situação é muitas vezes interpretada, desde o primeiro momento, como alergia ao leite de vaca. No entanto, faz-se necessário diferenciar as duas entidades antes do encaminhamento ao especialista.

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