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Protesto contra assassinato de João Alberto no Recife termina com prisão

João Alberto, negro, 40 anos, foi enterrado na manhã deste sábado no Cemitério Municipal São João, na capital gaúcha

21 novembro 2020 - 20h26
João Alberto Silveira Freitas, que foi assassinado aos 40 anos em um mercado Carrefour de Porto Alegre, é enterrado na capital gaúcha
João Alberto Silveira Freitas, que foi assassinado aos 40 anos em um mercado Carrefour de Porto Alegre, é enterrado na capital gaúcha - Imagem: Hygino Vasconcellos/UOL
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Manifestantes protestaram na manhã deste sábado, 21, em frente a uma loja do grupo Carrefour no bairro de Boa Viagem, no Recife, contra o assassinato na quinta-feira, 19, de João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças contratados pela empresa em supermercado do grupo em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A Polícia Militar de Pernambuco usou spray de pimenta para dispersar a manifestação. Uma mulher foi detida. Organizadores do protesto acusam a PM de truculência.

João Alberto, negro, 40 anos, foi enterrado na manhã deste sábado no Cemitério Municipal São João, na capital gaúcha. O protesto no Recife foi organizado pela Articulação Negra de Pernambuco (Anepe), entidade composta por cerca de 30 organizações militantes, como a Rede de Mulheres Negras, Frente Favela Brasil e a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas.

Os manifestantes mostraram faixas e cartazes exigindo respeito à população negra e pedindo boicote ao Carrefour. Houve discursos de representantes das entidades organizadoras. O protesto teve início em frente ao supermercado. Uma pista da Avenida Domingos Ferreira, onde fica a loja, foi ocupada. Em seguida, manifestantes entraram no estacionamento da loja. Imagens nas redes sociais mostram um dos participantes do protesto chutando equipamento que aciona a cancela no acesso ao estacionamento.

A Rede Mulheres Negras de Pernambuco afirmou que a organizadora foi detida injustamente. "O ato contra o racismo, que comec¸ou a se dispersar, teve trucule^ncia da Poli´cia Militar de Pernambuco que deteve injustamente a companheira enquanto ela se dispersava no final da manifestac¸a~o", afirma a organização.

A Polícia Militar de Pernambuco afirmou que foi chamada no fim da manhã por protesto com interdição de parte da avenida. Ao chegar ao local, ainda conforme a PM, foi negociado o desbloqueio da via e compromisso de dispersão de forma pacífica. A polícia afirma, porém, que, por volta das 12h20, uma das organizadoras teria instigado, usando o microfone dos discursos, os manifestantes a entrarem no estacionamento do supermercado.

O nome da mulher detida não foi informado. A PM afirma que "a organizadora foi conduzida à Delegacia de Boa Viagem, onde foi ouvida, juntamente com o gerente do supermercado, que prestou depoimento sobre os acontecimentos". A Polícia Civil, segundo a PM, instaurou inquérito e iniciou as investigações, com a coleta de depoimentos, informações e imagens de circuitos internos de videomonitoramento.

A polícia de Pernambuco em posicionamento enviado à reportagem não cita o uso de spray de pimenta para dispersar a manifestação, conforme mostram as imagens nas redes sociais. "É importante ressaltar que as Forças de Segurança em Pernambuco estão unidas à sociedade no combate ao racismo e à intolerância de qualquer natureza. E sempre resguardarão o direito à liberdade de expressão e à manifestação do pensamento, sem transigir quanto à firmeza, dentro da legalidade e da técnica, para preservar a ordem pública, o direito de ir e vir das pessoas, a proteção do patrimônio e da vida", afirma a PM.

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