19 de outubro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
al outubro2
Pecuária

Pecuaristas recebem informações sobre mercado orgânico

30 julho 2009 - 15h15
Fort  Atacadista - 21 ANOS

   Produtores reunidos no 1º Simpósio de Pecuária Orgânica, realizado no dia 24 de julho, na fazenda Rancharia, no Pantanal da Nhecolândia, tiveram acesso a informações relevantes sobre o mercado de produtos orgânicos, em especial da carne orgânica. Os dados foram apresentados pelo pesquisador André Steffens Moraes, da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

   Cerca de 80 pessoas acompanharam a palestra, que mostrou a liderança mundial da Austrália em termos de área agrícola sob manejo orgânico, seguida pela Argentina e pelo Brasil. Em quarto e quinto lugares estão os Estados Unidos e a China.

   No entanto, apesar de manter a maior área de produção, a Oceania tem apenas 1% dos produtores. A grande maioria deles (44%) está na África e é formada por pequenos produtores. Em todo o mundo, estimava-se, em 2007, a existência de 1,2 milhão de produtores orgânicos.

   André Steffens disse ainda que quase dois terços da terra sob manejo orgânico são de pastagens. Isso corresponde a aproximadamente 20 milhões de hectares.

  De acordo com o pesquisador, a produção de carne orgânica no Brasil e no mundo cresceu consideravelmente entre 2006 e 2007. Os principais mercados consumidores ainda são os chamados países ricos, que importam da Austrália, da Argentina, do Brasil e do Uruguai. “Esses países enxergaram a oportunidade de mercado, que vai continuar crescendo”, afirmou.

   Mas o consumo no mercado interno também tende a aumentar, de acordo com o pesquisador.  A previsão é que cresça o número de produtores no país. “Em alguns países da Europa, a carne orgânica está deixando de ser um nicho de mercado, de ser vendida em butiques de carne ou lojas especializadas. Ela é encontrada facilmente em supermercados e está cada vez mais acessível”, disse.

   André afirmou ainda que no caso da produção orgânica, não é o produto que detém a tecnologia, mas o processo de produção. Daí a importância da certificação porque apenas visualizando o boi ou a carne, não é possível saber se ele é orgânico ou não.

   O pesquisador disse ainda que a crise econômica mundial afetou o mercado de orgânicos, reduzindo o poder aquisitivo dos consumidores e o volume de investimentos de produtores no sistema, mas o mercado vai continuar apresentando taxas de crescimento positivas nos próximos anos.

EVENTO

   O Simpósio de Pecuária Orgânica foi prejudicado pelo mau tempo no fim de semana no Pantanal. Temperaturas próximas a 6ºC, céu nublado, ventania e chuva impediram a chegada do governador André Puccinelli e do palestrante Márcio Buainain, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Eles iriam de avião até a fazenda Rancharia, onde também aconteceu, no sábado, a 4ª Cavalgada do Pantanal.

   O simpósio foi aberto pelo presidente da ABPO (Associação Brasileira de Pecuária Orgânica), Leonardo de Barros. Ele disse que o objetivo da cavalgada seria reverenciar a cultura pantaneira, responsável, em grande parte, pela conservação de 85% da vegetação original do ecossistema.

   Esses dados foram apresentados por cinco ONGs (Organizações não Governamentais), que fizeram um estudo do desmatamento na região, com a consultoria técnica da Embrapa Pantanal. Leonardo lembrou ainda que a pecuária está presente no Pantanal há mais de 200 anos, sem agredir o meio ambiente.

   Ele afirmou ainda que 18 propriedades pantaneiras já estão certificadas para a pecuária orgânica, um projeto que começou em 2002. Para o presidente da ABPO, o associativismo dos produtores voltado à gestão comercial, foi fundamental para o sucesso do projeto. “A união garante escala e poder de negociação na cadeia mercadológica”, afirmou.

   Leonardo disse que outro fator importante é a padronização da carne, que deixou de ser uma vantagem competitiva e se tornou um “dever de casa”. Em seguida, ele falou das alianças estratégicas do projeto, incluindo o frigorífico JBS Friboi, a Embrapa Pantanal, a WWF-Brasil, a Real H e a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), além de ONGs que reúnem produtores pantaneiros.

   O chefe geral da Embrapa Pantanal, José Aníbal Comastri Filho, também afirmou que a cultura pantaneira ajudou a salvar o Pantanal da degradação. Lembrou que a empresa de pesquisa está inserida na cadeia produtiva da carne porque busca tecnologias que possam agregar valor ao produto. Comastri disse ainda que a fazenda Nhumirim, da Embrapa Pantanal, está em fase de certificação para a produção orgânica.

   Ainda na abertura do evento, o pecuarista Nilson de Barros, coordenador do projeto Equali (Escola de Qualificação Rural), ligado aos cursos de veterinária e zootecnia da UFMS, fez um breve histórico sobre a ocupação da região centro-oeste, incluindo a busca pelo ouro e a chegada dos primeiros animais. Ele se baseou no livro “A propósito do boi”, de Aline Figueiredo, que conta a história das primeiras fazendas da região.

    Também se manifestaram na abertura o presidente da ACCP-MS (Associação dos Criadores de Cavalo Pantaneiro) de Mato Grosso do Sul, Ayrton Bacchi Neto, e Cristiano de Barros, da Real H.

 

 

Banner Whatsapp Desktop
Annelies
PMCG