25 de outubro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
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Fort  Atacadista - 21 ANOS

Viviane Feitosa (*)

  Ao assistir na quinta-feira, 7, ao penúltimo capítulo da minissérie Dalva & Herivelto, da Globo, e que aborda a trajetória do casal de músicos da década de 40 Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, tive uma engraçada sensação de “deja vu” com os dias de hoje.

  Em uma das cenas que mostra a lavagem de roupa suja em público do casal, “Dalva Adriana Esteves” desliga o rádio com raiva ao ouvir seu outrora amado Herivelto cantando uma música que a desacatava. Sim, era essa a forma que eles usavam para se comunicar, dizer o quanto estavam feridos, sofrendo ou se estavam muito bem e haviam dado a volta por cima.

  No rádio. E assim, de canção em canção, encontrei uma semelhança entre o meio de comunicação de ontem – o rádio - que fazia a mensagem chegar ao outro lado e o meio usado pelos indivíduos machucados ou em êxtase de hoje: as redes sociais como Facebook e Twitter, para citar duas.

  Sim, porque hoje se você está feliz, triste, dormindo, viajando, ouvindo a melhor música da sua vida, odiando alguém ou amando muito, nada é real se não for postado, bradado em alta e boa fonte, para toda a sua rede de amigos ( e amigos dos amigos), quem sabe também os desconhecidos.

  Parece que passa o tempo e nada muda, não é mesmo?

  Claro que não.

  Graças aos geeks, a tecnologia hoje trabalha a serviço da discórdia.

  E diferente de antes, em que se tinha de ficar hoooras pensando numa letra de música que levasse a desforra o outro lado, hoje são infinitos os meios de atingir o âmago e o cotovelo de nosso alvo. Veja alguns: anexar fotos de pessoas do sexo oposto em situação ambígua ( será que estão juntos?), colocar fotos da última viagem em que todos estão bronzeados, sorridentes e você deslumbrante; adicionar novos “amigos” ( tudo bem que você nunca os tenha visto antes) e dizer o quanto esta fase da sua vida é a melhor que já viveu.
Para o alfinetado, resta fazer como a Dalva: colocar o quanto antes esse indesejado (e toda a rede de amigos dele) como invisível.

  Simples assim. Tempos românticos os nossos, não?

(*) A autora é publicitária

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