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Morto no Carrefour, Beto Freitas era referência em torcida de clube do bairro

Pai de quatro filhos, João Alberto Silveira Freitas trocou a paixão futebolística do Grêmio pelo São José

22 novembro 2020 - 19h28
João Alberto e amigos membros da torcida organizada Os Farrapos, do clube São José
João Alberto e amigos membros da torcida organizada Os Farrapos, do clube São José - (Foto: Divulgação/Torcida Os Farrapos)
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Além da saudade, familiares e amigos relembram com carinho de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, que foi espancado até a morte em uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre, na noite da última quinta-feira, 19. Beto era o segundo filho de um casal dedicado à família. O pai é pastor e estreitou a relação com o filho após a morte da mãe dele. Segundo João Batista Rodrigues Freitas, o filho era uma "pessoa de bem" e muito amorosa. "Eu amava ele. Ele era uma cara muito amoroso", recorda. Beto era pai de quatro filhos, três meninas e um menino.

Inicialmente torcedor do Grêmio, ele trocou a paixão futebolística pelo São José, conhecido como Zequinha, clube de bairro da região Norte. Morador da região, o soldador era membro da torcida Os Farrapos. As lembranças da arquibancada seguem vivas na memória do amigo Everton da Silva dos Santos.

"A minha relação com nosso eterno irmão Beto era de família. Todo mundo curtia aquele trabalhador e pai de família. Ele era tudo. Sempre nos apoiava nos jogos e agora me acontece isso? Ninguém está acreditando no que aconteceu", emociona-se Santos.

O aeroportuário Robson Leite destaca a referência de Beto na torcida organizada. "Como o São José é um time de bairro, a gente conhece todo mundo. Sempre fazíamos churrasco e ele sempre estava disposto a ajudar. Ele era uma pessoa do bem e nunca teve problemas."

Noivo de Milena Borges Alves, 43 anos, Freitas morava ao lado da cuidadora de idosos em um apartamento no bairro IAPI, zona Norte da cidade. "Ele era muito brincalhão, estava sempre brincando", relatou a viúva em entrevista à Rádio Gaúcha.

A morte brutal de João Alberto causou uma onda de protestos em todo o País. Conforme laudo inicial da necropsia, a vítima morreu por asfixia. Em Porto Alegre, o protesto realizado em frente ao hipermercado Carrefour terminou em confronto entre manifestantes e a Brigada Militar.

Vídeos das câmeras de segurança do Carrefour mostram o cliente negro sendo espancado e imobilizado por dois vigias. Após a detenção, Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Os dois vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Sob aplausos e homenagens, Beto foi sepultado neste sábado, 21, no cemitério municipal São João, no bairro IAPI, também localizado na zona norte de Porto Alegre. Durante o velório, duas coroas de flores ornamentaram o ambiente. Uma delas exibia homenagem de familiares. A outra ostentava uma faixa com os dizeres "Justiça por João Alberto Freitas". Um bandeira do São José também foi estendida sobre o caixão.

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