21 de outubro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
al outubro2
Mercado

Mercado aponta exportações de trigo "ração" do Brasil para EUA

13 janeiro 2010 - 17h00
Fort  Atacadista - 21 ANOS

  Estima-se que o Brasil já fechou negócios para exportar 1 milhão de t de trigo de baixa qualidade este ano, não apenas para os Estados Unidos, mas também para países da África e da Ásia, segundo um corretor que prefere ficar no anonimato. Em dezembro, os embarques para o exterior já atingiram cerca de 100 mil t, disseram outros dois traders (negociadores).

  As exportações do produto do Brasil, tradicionalmente um grande importador de trigo, só estão sendo possíveis neste ano porque recebem suporte de um programa do governo que subvenciona o frete para compradores que pagam um preço mínimo de garantia aos agricultores. O objetivo das autoridades é garantir a renda do setor produtivo e ao mesmo tempo escoar um grão que não pode ser usado pela indústria de farinha.

  "Sim, já está nos lineups (programação de navios) a exportação para os EUA, e vai sair muito mais, é o 'feed wheat' do Brasil, dos leilões da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento)", afirmou o corretor.

  Até o final do ano passado, o chamado leilão de PEP (Prêmio para o Escoamento do Produto) havia garantido em média R$ 140 por tonelada para exportadores que pagaram ao produtor o preço mínimo de R$ 355,50 pelo trigo brando ("soft) de baixa qualidade.

  O corretor disse que os negócios, na base FOB porto de Paranaguá (PR), foram feitos entre US$ 145 e US$ 164 por tonelada, dependendo das condições, do prazo e do período de embarque. Mas grandes volumes devem ser escoados pelo porto de Rio Grande (RS) também.

  Traders nos EUA afirmaram que entre dois e três carregamentos do cereal estão sendo embarcados para a costa leste americana.

  Parte da safra brasileira de trigo do ano passado teve a qualidade afetada por chuvas excessivas durante o período da colheita, que também aumentaram a incidência de doenças fúngicas, reduzindo a produtividade das lavouras.

  Estima-se que entre 1,5 milhão e 2 milhões de t da produção total do País, de 5 milhões de t, sejam de trigo com baixa qualidade.

  A exportação de trigo de baixa qualidade do Brasil para os Estados Unidos, o maior exportador mundial do cereal, não é a primeira. Entre janeiro e novembro de 2009, segundo dados do Ministério da Agricultura, o País embarcou para os EUA 125 mil t, de um total exportado pelos brasileiros de 384 mil t. O governo não divulgou dados detalhados de dezembro.

  "Acredito que já saiu mais de 100 mil t para exportação, para a África, e não descarto que seja para os EUA mesmo, como ração. Ano passado foi a Cargill que fez (para os EUA)", disse um experiente trader de uma multinacional que não quis se identificar.

  Além das cerca de 1 milhão de t já fechadas para exportação, o governo do Brasil havia subvencionado até o fim do ano passado o transporte de outras 1 milhão de t de trigo da safra nova, volume este que deve ter como destino, por meio de cabotagem, os moinhos do Nordeste.

  O cereal "soft" brasileiro, mas de boa qualidade, encontra demanda especialmente da indústria de biscoitos do Nordeste, região distante das áreas produtoras para a qual o PEP do trigo foi originalmente pensado.

  Na quinta-feira, outros dois leilões de PEP serão realizados, um deles para 250 mil t que devem ser destinadas à exportação. "O mercado no Brasil não existe sem PEP, ele só existe com PEP", disse o corretor.

  O governo brasileiro avalia que, por integrar um programa de garantia de preço mínimo, o PEP não fere regras de comércio internacional. O programa também tem ajudado os produtores de milho.

  Importação
  Com um consumo de cerca de 10 milhões de t por ano e uma produção com problemas de qualidade em 2009, espera-se que o Brasil tenha que comprar mais trigo no exterior, especialmente fora do Mercosul, uma vez que a Argentina também está colhendo uma safra menor.

  Fontes avaliam que o Brasil terá que importar este ano ao menos 1,5 milhão de t de trigo, de boa qualidade, no hemisfério norte, com boa parte vindo dos EUA. O maior volume, de ao menos 3 milhões de t, viria da Argentina, segundo as fontes.

Banner Whatsapp Desktop
ALMS
Annelies