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Famílias do Assentamento Eldorado estão sem água há um mês

O Eldorado é provavelmente o maior assentamento no MS, com 2 mil lotes que têm em média pouco mais d
O Eldorado é provavelmente o maior assentamento no MS, com 2 mil lotes que têm em média pouco mais d
Fort  Atacadista - 21 ANOS

Um grupo de 290 famílias do assentamento Eldorado com lotes nas regiões conhecidas como “ilha” e bafo”, em Sidrolândia, está há três semanas sem água.

A baixa vazão do único poço perfurado para abastecer os assentados teria estragado a bomba.  Moradores como o casal Walmir e Beatriz, pais de um bebê de quatro meses,   estão tendo de andar  até quatro quilômetros  para buscar água no córrego mais próximo.“ Abri um poço com 17 metros que simplesmente secou”, explica Walmir, que depois de dois anos acampado, há três está no assentamento. Até agora não conseguiu iniciar nenhuma produção. “Enquanto a casa não for construída , a energia elétrica não é instalada e não  há recursos do Pronaf (crédito  para custeio da agricultura familiar)”, explica Valmir que gastou suas economias na construção de duas peças e sobrevive fazendo bicos em fazendas da região.

  A situação dos assentados foi denunciada na Câmara Municipal por Laura Silva, presidente de uma das entidades que representa as famílias e relatada a dois vereadores, a presidente Rosangela Rodrigues e ao vereador Jonas Rodrigues, que se deslocaram até o assentamento para conhecer de perto os problemas. “Queremos pedir a intervenção do Ministério Público Federal para verificar se a empreiteira que ganhou a licitação aberta  pelo Incra para implantar a rede de água de fato executou  os serviços previstos no contrato que assinou”, avalia Laura. Ela e seus vizinhos de assentamento suspeitam que muita coisa deixou de ser feita: dos três poços projetados para esta região onde estão pouco menos de 300 famílias, só um foi aberto. Ao invés de 120 metros, tem 60 metros e a bomba, avaliada em R$ 7 mil, não seria nova, conforme atestaram os técnicos da oficina onde foi levada para concerto.

O projeto da rede de água só das 777 famílias ligadas à Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) no Assentamento Eldorado, teve um custo estimado de R$ 1,2 milhão, aproximadamente R$ 1,6 mil por lote, dinheiro que sai do crédito de fomento que o Incra liberou para  as despesas iniciais de instalação de cada família. ´”É dinheiro público que toda a sociedade pagou”, lembra outro assentado, Celso Neto de Oliveira, indignado. “Queremos saber se houve superfaturamento, desvio, afinal onde estão os outros dois poços que perduram abrir para atender as regiões do Bafo e da Ilha?”, questiona. Ele pessoalmente não está sofrendo tanto com a escassez de água, porque teve condições financeiras de abrir um poço e na região onde seu lote está localizado, o lençol freático apresenta boa vazão.   

A presidente da Câmara de Sidrolândia, Rosangela Rodrigues, colocou o Legislativo à disposição dos assentados para buscar solução para  o problema de abastecimento de água. “Já fizemos uma audiência pública para cobrar maior rapidez do projeto de habitação do assentamento “, lembra a vereadora. O Eldorado é provavelmente o maior assentamento no Estado, com 2 mil lotes que têm em média pouco mais de 9 hectares. Se originou de uma propriedade de 30 mil hectares, que o Incra comprou há 4 anos do Grupo Bertin por R$ 140 milhões. A propriedade tinha em seus pastos 20 mil cabeças de gado. Os assentados ainda não tiveram acesso aos recursos do Pronaf. A maioria mora em barracos de lona e sobrevive trabalhando em fazendas de região, porque só conseguiu desenvolver pequenas lavouras de subsistência. A qualidade da malha viária de 300 km aberta por empresas contratadas pelo Incra também foi contestada pela Prefeitura, que se recusou a encampar a manutenção das estradas, enquanto não sejam feitas algumas obras complementares.  

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