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PAIS E FILHOS

Estímulo à linguagem na primeira infância traz benefícios a longo prazo

Quando os pais conversam diretamente com seus filhos pequenos, também proporcionam experiências ricas em linguagem

5 junho 2016 - 17h18Da redação
A velocidade com que a criança aprende a aprender, falar e construir seus primeiros vocabulários faz diferença na vida escolar ao longo da vida
A velocidade com que a criança aprende a aprender, falar e construir seus primeiros vocabulários faz diferença na vida escolar ao longo da vida - Divulgação

Quando os pais conversam diretamente com seus filhos pequenos, também proporcionam experiências ricas em linguagem que fortalecem suas habilidades de raciocínio e facilitam a aquisição da linguagem. Por isso, três fatores costumam ser determinantes para um ambiente familiar que propicie o desenvolvimento da linguagem da criança: atividades de aprendizagem, como leitura cotidiana; resposta constante dos pais; e materiais educativos, como brinquedos e livros adequados à cada faixa etária. Essas atividades proporcionam à criança as bases para a aprendizagem também para a alfabetização que vai acontecer mais tarde, por volta dos seis anos.
Identificando atrasos no desenvolvimento da linguagem

Pediatras, professores e outros profissionais de atenção à Primeira Infância devem saber reconhecer as etapas de desenvolvimento da linguagem para poder detectar precocemente eventuais desvios. Devido à complexidade da linguagem, que requer da criança bom desenvolvimento orgânico (seja motor, fonador ou auditivo) e psíquico (constituição subjetiva do sujeito), a aquisição da fala pode acontecer apenas após os 3 anos de idade, necessitando de um tempo maior de amadurecimento em alguma etapa do desenvolvimento.

A percepção de que algo não caminha bem no desenvolvimento da fala pode ocorrer a partir da comparação com outras crianças, ou na observação de profissionais de saúde e educação. A investigação dos atrasos começa pela avaliação sensorial da criança e pela análise do desenvolvimento (área pessoal-social, adaptativa, motricidade ampla e fina, cognição e, é claro, linguagem expressiva e compreensão da linguagem).

Alguns aspectos, contudo, podem ser notados pelos adultos como fatores precoces de problemas no desenvolvimento da linguagem de modo geral. Na faixa etária dos 0 aos 6 meses, por exemplo, é necessário dedicar atenção especial caso o bebê não consiga sequer balbuciar. Entre os 9 e os 15 meses de vida, é preciso observar atentamente se o bebê ainda não pronuncia nenhuma palavra ou se, ao final dessa fase, não se consegue entender nem supor o que está sendo pronunciado pelo adulto ou por outra criança que venha a interagir com ele.

Entre o 18º e o 24º mês de vida, os bebês vivenciam o que se pode descrever como uma explosão da linguagem, momento em que o vocabulário aumenta exponencialmente. Um estudo publicado recentemente constatou que assistir à televisão por mais de duas horas por dia pode atrapalhar esse processo. O hábito estaria associado a atrasos na linguagem de crianças de dois anos de idade. Aquelas que o faziam por um período de 2 a 3 horas diárias apresentaram 2,7 vezes mais risco de atraso de linguagem do que aquelas que assistiam por menos de 1 hora por dia. Aqueles que passavam mais de 3 horas diárias apresentaram o triplo do risco.

A ciência também tem mostrado a que a velocidade com que a criança aprende a aprender, falar e construir seus primeiros vocabulários nesses primeiros anos – muito antes da pré-escola – faz diferença na vida escolar ao longo da vida.

O estímulo ao aprendizado de novas palavras desde cedo, portanto, causaria um impacto positivo na linguagem e no desenvolvimento do cérebro de crianças pequenas, provocando importantes efeitos a longo prazo.

Acredita-se que a maior parte das dificuldades de aprendizagem esteja intimamente relacionada a história prévia de atraso na aquisição da linguagem na família. As dificuldades de linguagem referem-se a alterações no processo de desenvolvimento da expressão e recepção verbal ou escrita. Por isso, a necessidade de identificação precoce dessas alterações no curso normal do desenvolvimento evita posteriores consequências educacionais e sociais desfavoráveis.

Fatores socioeconômicos também estão relacionados aos atrasos no desenvolvimento da linguagem. Por volta dos 36 meses, uma criança criada numa família com nível socioeconômico mais elevado tem, em geral, um vocabulário 3 vezes maior do que outra criada em lares pobres: 1.200 versus 400 palavras, respectivamente. As pesquisas apontam que essa criança que fala 1.200 palavras ouviu cerca de 50 milhões de palavras, cerca de 40 milhões a mais do que a criança que só fala 400 palavras. A leitura desde o nascimento é a solução mais indicada por especialistas para suprir essas diferenças causadas pela pobreza.

As habilidades de linguagem e comunicação, desde a infância, fornecem ferramentas fundamentais para a aprendizagem, o envolvimento em relações sociais e a regulação do comportamento e das emoções. Quando a criança tem dificuldade para se expressar e entender os outros, é comum que ocorram problemas de ajustamento psicossocial e emocional. Por outro lado, é relativamente grande a proporção de crianças em idade escolar que têm distúrbios psicossociais e emocionais e que frequentemente apresentam problemas de linguagem e comunicação.

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