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Estado investiga gastos de ex-diretor do Instituto Butantã Jorge Kalil

1 junho 2017 - 07h48

A Corregedoria-Geral da Administração (CGA) do Estado de São Paulo abriu investigação para analisar gastos de R$ 900 mil do ex-diretor do Instituto Butantã Jorge Kalil com viagens e cartão corporativo, de 2014 a 2016. Entre as despesas estão passagens aéreas em primeira classe e refeições em badalados restaurantes no Brasil e no mundo. O diretor afirma que todos os gastos ocorreram no período de trabalho, quando frequentemente tinha de participar de congressos fora do País e convidar pesquisadores estrangeiros para jantares de representação.

Renomado especialista na área de imunologia, Kalil ocupava a diretoria da instituição desde 2012. No mês de fevereiro, ele foi afastado do cargo após o ex-presidente da Fundação Butantã André Franco Montoro Filho pedir demissão do cargo e acusar Kalil de má gestão. As contas do instituto são alvo de apuração também no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Possíveis excessos nas despesas de diretores do Instituto fizeram a nova direção do Butantã determinar, anteontem, o cancelamento de todos os cartões corporativos de servidores da instituição. A medida é válida a partir de hoje.

A reportagem teve acesso aos documentos em análise pela Corregedoria referentes às despesas de Kalil nos últimos três anos. Somente com viagens em 2016 foram gastos R$ 402,7 mil, o dobro do valor registrado nos dois anos anteriores (R$ 201,3 mil em 2015 e R$ 158,8 mil em 2014). Já com o cartão corporativo, usado geralmente para pagar hospedagem, refeições e transporte em eventos científicos ou reuniões, Kalil gastou R$ 70,6 mil no ano passado e outros R$ 66,4 mil entre os anos de 2014 e 2015.

No que se refere às passagens aéreas, há pelo menos quatro delas que custaram ao Instituto cerca de R$ 30 mil cada, como o trecho entre São Paulo e Melbourne, na Austrália, para onde Kalil viajou em agosto do ano passado para o Congresso Mundial de Imunologia - com um bilhete de primeira classe no valor de R$ 31,9 mil.

Há ainda na documentação analisada pela CGA recibos de despesas em hotéis de Nova York e Paris, onde uma diária custa cerca de R$ 2 mil.

Nos gastos com alimentação, o ex-diretor apresentou notas de restaurantes famosos de São Paulo como Figueira Rubayat, Tre Bicchieri e Barbacoa. Neste último, foi registrada a maior despesa com refeições nos três anos: R$ 2,8 mil em um rodízio de carnes para 15 pessoas.

Apuração

A CGA afirmou que recebeu, em março, ampla documentação da Secretaria Estadual da Saúde com a prestação de contas do Instituto Butantã. Confirmou que entre os tópicos em análise estão despesas com passagens aéreas, hospedagem, alimentação e serviço de táxi, mas disse não poder adiantar nenhum detalhe sobre o andamento da apuração para não atrapalhar as investigações.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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