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Entidades de medicina ponderam críticas ao uso da ritalina

14 janeiro 2014 - 15h58
Divulgação
Cassems

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou, simplesmente, Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA) é um dos transtornos mentais com maior evidência científica em toda a psiquiatria, segundo a Associação Médica Norte-Americana. E, apesar de ser reconhecido oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), há uma volumosa corrente que não respalda a existência do transtorno. “Infelizmente, aqui no Brasil, ainda existe espaço para profissionais darem sua opinião pessoal, mesmo quando ela é oposta àquela das sociedades médicas”, opina o psiquiatra Paulo Mattos, Coordenador do Grupo de Estudos do Déficit de Atenção IPUB / UFRJ (GEDA) e presidente do Conselho Científico da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

A falta de testes sanguíneos ou medidas objetivas para avaliar a doença é um dos principais pontos de debate sobre a existência do transtorno. O diagnóstico só pode ser realizado com exames clínicos e relatos de parentes e educadores. Neste sentido, a pediatra Thelma de Oliveira faz um alerta. “O diagnóstico não pode ser feito em uma consulta só. E nem basta a mãe relatar: “Ele é hiperativo”. Demanda um certo lapso de tempo para realmente conhecer aquela criança”.

 O TDAH ocorre em cerca de 5%  das crianças, em diferentes regiões do mundo. De acordo com a ABDA, é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados e em mais da metade dos casos ele acompanha o indivíduo na vida adulta.

Segundo o doutor Paulo, a doença exige, necessariamente, o uso do metilfenidato - vendido com o nome de Ritalina ou Concerta – no tratamento do paciente. “Não existem dúvidas quanto à necessidade de tratamento farmacológico no TDAH. Esta é a posição oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Academia Brasileira de Neurologia, à semelhança do que ocorre com suas similares no exterior. Apenas em casos muito leves (e que não chegariam a atender os critérios de diagnósticos mais rígidos) é que não usamos medicamento”, relata.

Co-autor de um estudo sobre a relação entre o número de estimulantes vendidos e o número de  pacientes com TDAH, Mattos afirma que a doença é subtratada no país. “Na minha pesquisa demonstrei que nem 20% dos portadores de TDAH no Brasil estão em tratamento. Portanto, a preocupação (com o uso indiscriminado da ritalina) não se justifica”, conclui.

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