28 de outubro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
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Artigo

E começa uma nova era

Fort  Atacadista - 21 ANOS

Depois de usarem nariz de palhaço, tampas de panela e a “as caras pintadas”, jovens do país agora serão conhecidos por manifestações usando uma colher de pau. Isso mesmo, uma colher de pau. Tudo porque o Supremo Tribunal Federal decidiu, na última quarta-feira, extinguir a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo no Brasil. Após 70 anos de regulamentação e 40 anos da criação dos cursos universitários, derrubar este requisito é considerado por milhares de profissionais e acadêmicos um retrocesso a uma época em que bastava escrever textos curtos e tendenciosos, para ser respeitado em toda alta sociedade como um intelectual (pseudo) jornalista. Velha e arcaica época.

Tanto tempo de conquistas, tantas pessoas memoráveis doaram suas vidas às redações e às salas de aula, barrados e apagados da história em um único dia, por apenas oito pessoas. Um membro ainda tentou defender a classe, mas obviamente não obteve sucesso.

Bem, o fato já foi explicado, mas ainda fica a pergunta: por que a colher de pau servir como principal referência nas manifestações dos jornalistas? É simples. O presidente do STF e relator do recurso, Gilmar Mendes, que defendeu a extinção da obrigatoriedade do diploma, teve a brilhante e inescrupulosa idéia de comparar jornalistas a cozinheiros. Nada contra os profissionais da arte da alimentação. No entanto, errar uma nova experiência de massas, não pode ser equiparado a um erro envolvendo a informação veiculada para massa (leitores, ouvintes, telespectadores), que pode fracassar empresas, pessoas e até mesmo destruir vidas. É algo bem mais sério do que o Ministro imagina. 

De acordo com Beth Costa, membro da diretoria da FENAJ, a “tarefa do jornalista inclui RESPONSABILIDADE social, escolhas morais PROFISSIONAIS e DOMÍNIO da linguagem ESPECIALIZADA, da simples notícia à grande reportagem”. Portanto, o senhor Ministro precisa diferenciar de qual massa estamos discutindo.

Infelizmente, a decisão é fato. E para fatos não há argumentos. E quando se trata do maior poder jurídico brasileiro, não há argumentos nem mesmo aos profissionais diplomados da notícia. Resta apenas o título, que dispensa lead, pirâmide invertida, imparcialidade e outras expressões técnicas: COMEÇA UMA NOVA ERA DO JORNALISMO, SEM PRINCÍPIOS E SEM ESTUDO.

Talvez o fim da Lei de Imprensa, há poucos meses atrás, veio para avisar. Todavia, os jornalistas já estavam de sobreaviso, como um refém aguardando o bote certeiro de seu predador.
Neste momento, o país se divide entre os ‘colheres de pau’ e as futuras vítimas de notícias sem ética, sem técnica ou embasamento.

E como parece mesmo uma história inventada, que em sua maioria tem um final feliz, temos o consolo de podermos, como em todo país subdesenvolvido, nos espelhar nas potências mundiais. Por isso, mesmo onde a obrigatoriedade do diploma não existe como em países europeus, cresce o número de escolas de jornalismo. E com isso surgem, a cada ano, documentos reforçando a necessidade de formação na área. Tomara que no Brasil não seja diferente afinal, a ascensão depende da educação.
Viva a liberdade de expressão, mas vitória aos “colheres de pau”! Nada mais a declarar.

 

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