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SOLIDARIEDADE

Dia da Adoção: “Estamos à procura de bons pais para nossas crianças e adolescentes”

Dia Nacional da Adoção é comemorado no dia 25 de maio

25 maio 2017 - 09h20Com informaçoes do TJMS
A juíza Katy Braun do Prado, que responde pela Coordenadoria da Infância e da Juventude de MS explica que, antigamente, 99% dos interessados em aumentar a família preferia criança recém-nascida, menina e sem grupo de irmãos
A juíza Katy Braun do Prado, que responde pela Coordenadoria da Infância e da Juventude de MS explica que, antigamente, 99% dos interessados em aumentar a família preferia criança recém-nascida, menina e sem grupo de irmãos - Divulgação

Foi em 1996, durante o Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (Enapa), que se decidiu comemorar no dia 25 de maio o Dia Nacional da Adoção. Porém, somente seis anos depois, com a edição da Lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002, o dia ficou oficialmente instituído.
 
De lá pra cá, muitas vitórias na área de adoção podem ser contabilizadas, contudo não se pode afirmar ainda que a adoção deixou de ser vista com preconceitos. Prova disso são os números do Cadastro Nacional de Adoção: no Brasil existem atualmente mais de 47 mil crianças e adolescentes em instituições de acolhimento e destas somente sete mil e quinhentas estão disponíveis para adoção, enquanto os pretendentes ultrapassam os 37 mil.
 
“A conta não fecha, mas esperamos que um dia seja possível fazer mais. Enquanto isso, temos que olhar o que já foi conquistado e trabalhar para melhorar esses números. É um trabalho de formiguinha. É preciso coragem porque as crianças não podem ficar reféns da biologia. É preciso investir no preparo dos pretendentes”, disse a psicóloga e presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD), Suzana Sofia Moeller Schettini, que esteve em Dourados há alguns dias para proferir a palestra “Nunca é Tarde para Ser Filho”.
 
A juíza Katy Braun do Prado, que responde pela Coordenadoria da Infância e da Juventude de MS (CIJ) e é titular da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Campo Grande (VIJI), explica que, antigamente, 99% dos interessados em aumentar a família preferia criança recém-nascida, menina e sem grupo de irmãos. Hoje, com o auxílio dos Grupos de Apoio à Adoção e o trabalho de profissionais da área da infância, ao lado de juízes corajosos, essa realidade começa a mudar. 
 
De acordo com Suzana Schettini, a adoção também é gestada, é preciso uma atitude adotiva, pois o ser humano é um ser de vínculos. Katy Braun concorda e defende que os pretendentes que têm sucesso na adoção são aqueles que tomaram a decisão e buscam preparação para receber um filho. 
 
“Assim como uma gestante participa do pré-natal, os pretendentes à adoção se preocupam em estar física e emocionalmente saudáveis para a chegada do filho desejado e esperado, adotando novas posturas e buscando conhecimentos para bem exercerem o poder parental”, explica.
 
A coordenadora da CIJ lembra que todas as comarcas de Mato Grosso do Sul devem oferecer o curso de preparação à adoção e aquelas que não tem estrutura ou demanda significativa para organizar o programa, podem participar do curso à distância juntamente com os pretendentes de Campo Grande, graças à tecnologia disponibilizada pelo Tribunal de Justiça.
 
Questionada sobre os grupos de apoio à adoção, se estes realmente ajudam a mudar essa realidade, a juíza garante que, se houver uma análise dos últimos 25 anos no panorama da adoção, será possível constatar que houve uma grande mudança na visão da sociedade em relação à família adotiva. 
 
“Os grupos de apoio à adoção contribuíram muito e ainda contribuem para o fortalecimento da cultura da adoção, sensibilizando para a mudança do perfil da criança desejada, mostrando a realidade das crianças disponíveis para a adoção, fazendo busca ativa para crianças e adolescentes que não encontraram pretendentes no cadastro nacional, auxiliando na preparação dos pretendentes e dando apoio contínuo às famílias que adotaram. Exemplo da atuação deles é que todos os municípios de MS que contam com grupos de apoio à adoção estão promovendo eventos nessa semana da adoção”, acrescenta.
 
Sobre a possibilidade de se mudar a postura ou a escolha dos pretendentes à adoção, já que a maioria prefere criança recém-nascida, Katy Braun garante que não se pode interferir na escolha do pretendente, pois o processo que leva alguém a definir o perfil do filho desejado é muito particular e, como a adoção é para sempre, é necessário ser muito cuidadoso. 
 
“A nós cabe informar, descortinar a realidade das crianças disponíveis para adoção e buscar dentro do universo das pessoas que se habilitam para adoção as que aceitam as crianças e os adolescentes com suas histórias de vida e os queiram como filhos. Essas pessoas existem, precisamos encontrá-las e fazemos isso divulgando as adoções exitosas e a satisfação naqueles que se abriram sem restrições à adoção”.
 
Apesar de todo trabalho realizado até agora, infelizmente ainda há muito a se fazer para tornar a adoção mais popular e permitir que inúmeros adolescentes e crianças tenham uma família. O que pensa a juíza a respeito, depois de atuar tantos anos na área da infância?
 
“Para permitir que crianças e adolescentes cresçam em família precisamos primeiramente evitar a separação de pais e filhos biológicos. Há fatores de risco como falta de moradia, abuso de álcool, uso de drogas, violência, pais com doença mental não tratadas, que precisam ser enfrentados visando a prevenção do abandono e maus tratos de crianças e adolescentes. Não há do Poder Judiciário nenhum prazer em retirar uma criança de sua família natural, pois nosso maior interesse é garantir o direito à convivência familiar”.
 
Quanto às crianças e adolescentes definitivamente afastados da família natural e extensa, Katy Braun ressalta que é preciso desmitificar que adoção é uma filiação secundária. “Trabalhamos para que pessoas sejam tocadas, afetadas, descobertas para que brotem como famílias disponíveis para adoção. Estamos à procura de bons pais para nossas crianças e adolescentes. Como fala a nossa campanha, juntos podemos mudar a realidade das crianças acolhidas. É um trabalho conjunto, onde cada um tem sua responsabilidade pelo destino dessas crianças e adolescentes”.
 
O que dizer então para pessoas resistentes à adoção? “Eu as convidaria a conhecer mais sobre a adoção, integrar os programas de apadrinhamento para saber quem são as crianças e adolescentes acolhidos. Oriento também a observar a convivência de famílias com filhos por adoção e participar do curso de preparação à adoção, aberto a toda a comunidade. Há filmes e séries de TV que tratam do tema e levam a reflexão. Tudo isso permitirá o afastamento dos pré-conceitos e, quem sabe, tornará a pessoa um amigo da adoção, um propagador dessa boa ideia”, concluiu.

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