27 de fevereiro de 2021 Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
Homenagem

Deputadas homenageiam mulheres que venceram ciclo de violência

12 março 2014 - 11h42
Patricia Mendes
Mulheres que venceram o ciclo de violência doméstica em Mato Grosso do Sul foram homenageadas nesta terça-feira (11) pela Assembleia Legislativa, durante sessão solene proposta pelas deputadas Mara Caseiro (PTdoB) e Dione Hashioka (PSDB). Um total de 11 mulheres receberam a comenda em troféu Celina Jallad, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.  Durante o evento, algumas histórias não apenas provocaram reflexão, mas emocionaram pelo sofrimento causado às vítimas.
 
Foram homenageadas Gabriela Oliveira, Ana Cristina Esselin, Ellen Auxiliadora de Barros, Cleide Morais de Assis, Vânia Maria da Silva, Lucimara Aparecida da Silva, Zenita da Silva Alves, Dirce de Campos Padilha, Tereza de Souza Franco Miranda, Cleide da Silva Santos e Berenice da Silva.
 
Dentre depoimentos no evento, se destacarram os casos Gabriela Oliveira de Castro, de 38 anos, e de dona Berenice, de 70 anos. A idosa, que casou aos 20, sofreu mais de três décadas com a violência doméstica. Ela conta que viveu este problema em uma época em que não havia uma rede pública de proteção, e apanhar do marido era visto como coisa natural. “A mágoa não passa. É muito triste lembrar das vezes em que eu apanhava e depois ainda era arrastada pelo braço para manter relações sexuais, logo em seguida”, relatou.
 
Já Gabriela Oliveira, foi atingida por quatro tiros, disparados pelo ex-marido. Em fevereiro de 2000, ela foi baleada no pescoço, pulmão, ombro e costas. O baço e metade do fígado precisaram ser retirados. Foram seis meses de recuperação. Hoje, ela superou a violência, convenceu o ex-marido a se apresentar à polícia e se formou em Direito para ajudar outras vítimas da violência.
 
Deputadas e outras autoridades são enfaticas
 
Em seu discurso, Mara Caseiro classificou a violência doméstica como um câncer que aflige a sociedade. “De acordo com informações da ONU, a forma mais comum de violência experimentada pelas mulheres em todo o mundo é a violência física, em que elas são surradas e forçadas a manter relações sexuais. Metade de todas as mulheres vítimas de homicídio é morta pelo marido ou parceiro, atual ou ex. Estes são dados extremamente preocupantes e motivo para reflexão no mês da mulher. Eles demonstram que, mesmo com toda a modernidade e evolução de nossa sociedade, esse tipo de crime tosco e cruel ainda nos aflige”, afirmou. 
 
Mara (acima) disse ainda que em sua opinião, a política é uma arma poderosa que possibilita a criação de ferramentas de combate a essa violência, por meio de políticas públicas específicas e leis que protejam e valorizem as mulheres. 
 
A deputada Dione Hashioka e a secretária adjunta de Estado de Educação, Cheila Vendrami, defenderam a educação, tanto formal quanto a que as crianças recebem dentro de casa, como ferramenta de combate à violência. “É na escola que podemos fazer as transformações necessárias, nesse relacionamento entre os professores e estudantes, trabalhando a solidariedade, o respeito, a questão dos direitos e dos deveres”, ressaltou Cheila. 
 
A subsecretária da Mulher de Mato Grosso do Sul, Tai Loschi, parabenizou as mulheres homenageadas, que “desafiaram seus medos e romperam o silêncio de anos a fio”. “Parabenizo a vocês pela garra e a coragem. Que vocês sirvam de exemplo para que outras mulheres vejam em vocês a força necessária para romper o ciclo da violência”, discursou.
 
União para vencer uma Violência silenciosa
 
Ela também lembrou que muitas mulheres precisaram se unir para garantir conquistas como o voto feminino, o trabalho fora do ambiente doméstico e o direito à educação, que dá autonomia e faz com que a mulher seja protagonista de sua própria vida. “Agradecemos as flores e as homenagens, mas quero destacar que março é um mês para reafirmarmos a importância da autonomia e do direito à liberdade para todas as mulheres”, destacou.
 
A titular da Deam (Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher) de Campo Grande, Rosely Molina, participou das homenagens e lembrou que a violência doméstica ocorre “intramuros”, é silenciosa. “No entanto, durante a sessão de hoje, muito além das estatísticas, vemos rostos, a cara dessas mulheres que sofrem violência. E essa violência não enxerga cor ou classe social: temos aqui mães, avós, servidoras públicas, manicures, advogadas, moradoras da cidade e da fazenda. Mulheres de todas as origens, que tiveram a coragem de denunciar”, disse.
 
Renzo Siufi, promotor de Justiça da Lei Maria da Penha, ressaltou que o ano começou trágico em Campo Grande, com muitos homicídios e ocorrências. De acordo com ele, a estatística leva à reflexão sobre a necessidade de vigília constante e um trabalho incisivo de combate a este mal. “Hoje há 4 promotorias na Capital de combate à violência doméstica e cerca de 44% de todas as ações penais de todas as promotorias da cidade são de violência contra a mulher. Um número alarmante”, revelou.
 
 
 
Banner Whatsapp Desktop
Banner TCE
TJ MS