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SAÚDE

Convênio firmado com prefeitura vai impedir fechamento do Hospital de Câncer

Depois de mobilizar a sociedade, a imprensa e autoridades locais, Alcina Reis consegue que convênio seja firmado

1 julho 2016 - 19h50DA REDAÇÃO
A situação foi denunciada no mês passado pela jornalista Alcina Reis, durante entrevista no programa Veredas da Fé, na Rádio Difusora Pantanal, mas até a sexta-feira (1), nada havia sido feito para mudar a situação
A situação foi denunciada no mês passado pela jornalista Alcina Reis, durante entrevista no programa Veredas da Fé, na Rádio Difusora Pantanal, mas até a sexta-feira (1), nada havia sido feito para mudar a situação - Divulgação

O possível fechamento da unidade do Hospital de Câncer de Barretos em Campo Grande foi o assunto mais comentado da semana no Mato Grosso do Sul. A unidade, que tem um déficit mensal de R$ 350 mil reais por mês e que vive exclusivamente de doações, por conta da burocracia e do desinteresse das autoridades municipais e estaduais, não tinha sido conveniada pelo SUS para receber repasses do governo federal.

A situação foi denunciada no mês passado pela jornalista Alcina Reis, durante entrevista no programa Veredas da Fé, na Rádio Difusora Pantanal, mas até a sexta-feira (1), nada havia sido feito para mudar a situação.

Depois de muitas idas e voltas, na quarta-feira (29), uma reunião entre o Conselho Municipal de Saúde, Promotoria de Justiça da Saúde, e representantes da Saúde de Campo Grande e Mato Grosso do Sul, discutiram a crise pela qual passa o Instituto de Prevenção Antônio Morais dos Santos.

O secretário Municipal de Saúde, Ivandro Fonseca, disse durante sua fala, que "toda a infraestrutura do estado esta sucateada, e que Campo Grande esta absorvendo toda essa demanda. Existe um problema muito sério, que é um problema cultural, que nós temos que tentar trabalhar isso. Se nós ficarmos esperando que a população venha até nossas unidades, infelizmente devido à questão cultural que existe em nosso país e principalmente no nosso município, muitas pessoas e muitos pacientes irão perder suas vidas".

A questão que envolve o credenciamento da unidade do Hospital de Câncer de Barretos em Campo Grande foi retirada da pauta de discussão, e o coordenador da Mesa Diretora do Conselho, Sebastião de Campos Arinos Júnior, alegou que a medida, aprovada pela maioria do Conselho, foi tomada porque o parecer que a Comissão fez não deixava muito claro como o trabalho seria feito na Rede Municipal.

Alcina Reis então questionou o Conselho sobre a retirada da pauta e disse: "saindo da pauta hoje, haveria condições desse assunto voltar antes do dia 2 de julho? Porque nesse dia finda o prazo por ser um ano eleitoral. Então só retorna para a pauta no ano que vem. Vamos mesmo perder o Hospital?".

Em seguida a promotora de Justiça da Saúde, Filomena Fluminhan, disse para os conselheiros que "os senhores têm responsabilidade social, eu quero dizer para os senhores que os princípios da lei exigem que seja feito o exame dessa situação, pois se esse Conselho não aprovar esse encaminhamento, nós vamos perder, possivelmente, um serviço que está em vias de fechar as portas. Há um tempo vem sendo tentando esse convênio com a prefeitura, então esse é um momento excepcional para ser esclarecido pela comissão durante a temática, os pontos obscuros dessa questão".

Sem cerimônia, o conselheiro Sebastião de Campos Arinos Júnior, cortou a fala da promotora alegando que o regimento do Conselho não permite falas de pessoas alheias ao Conselho de Saúde.

Polêmicas e repercussão

Imediatamente após a reunião, Alcina Reis foi procurada por diversos meios de Comunicação para passar a verdadeira situação da unidade do Hospital de Câncer de Barretos em Campo Grande.

Depois de Alcina Reis mobilizar a sociedade a partir de uma entrevista na Rádio Difusora Pantanal, toda a Imprensa se interessou pelo assunto, assim como alguns deputados estaduais que até então não tinham feito nada para auxiliar na questão, agora pedem a palavra na Assembleia Legislativa para falar sobre a questão.

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB), também resolveu tomar providências, e pretende ir até Barretos-SP, para visitar o Hospital de Câncer da cidade. Ele vai acompanhado do secretário Estadual de Saúde, Nelson Tavares, para saber sobre o funcionamento da instituição.

Decisão favorável

Na sexta-feira (1), o convênio a ser firmado entre a prefeitura de Campo Grande e o Instituto de Prevenção Antônio Morais dos Santos – unidade do Hospital de Câncer de Barretos –, foi confirmado pelo Conselho Municipal de Saúde, e vai assegurar repasse mensal de R$ 50 mil, valor que corresponde a menos de 15% do déficit mensal, que é de R$ 350 mil. O convênio está previsto para ser celebrado na próxima semana.

"Esse convênio vai ser uma porta de entrada para que o hospital receba outros recursos públicos. Estamos caminhando para que novas portas se abram em conjunto com o município e o Estado", disse a assessora da administração do hospital de Barretos, Lívia Braga Carvalho.

Casos de câncer no MS

Mato Grosso do Sul é um dos estados com maior número de novos casos de câncer de colo de útero do Brasil, com incidência de casos acima da média nacional. Os dados são de levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

De janeiro a dezembro de 2014 foram feitos 32.754 atendimentos à população e em 2015, 47.471. Foram constatados 14 casos de câncer de colo do útero invasivos e 154 neoplasias intra-epiteliais de alto grau no ano retrasado, bem como 49 invasivos e 138 neoplasias intra-epiteliais de alto grau ano passado. Em relação aos casos de câncer de mama, foram constatados 100 em 2014 e 153 no ano passado.

Sendo assim, o convênio firmado com a prefeitura de Campo Grande e a unidade de Prevenção Antônio Morais dos Santos, veio em boa hora, já que metade das pacientes com câncer de colo de útero é diagnosticada com a doença já em fase avançada. Quem ganha com isso é a população.

A redação do jornal A Crítica procurou Alcina Reis após a confirmação da aprovação do credenciamento e repasse do SUS para a unidade do Hospital de Câncer de Barretos em Campo Grande, que disse "graças a Deus! Essa é a primeira vitória de uma série de batalhas que temos pela frente, pois sem o repasse municipal que vai cobrir 15% da receita do hospital, não seria possível ir à busca de outros convênios. Sendo assim, foi dado o primeiro passo para mais batalhas que virão pela frente. Essa vitória é de toda a população do Mato Grosso do Sul, que se uniu pelo risco do hospital fechar. Agora conseguimos respirar com uma nova realidade".

 

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