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Ataque hacker interrompe aula de Lewandowski com 'Carreta Furacão' e nazismo

Invasores utilizaram um perfil fake do diretor da Faculdade de Direito para obter acesso à exposição e passaram a emitir 'sons e vídeos disruptivos e mensagens obscenas e de teor nazista'; participantes deixaram a sala e encontro foi retomado dez minutos

30 novembro 2020 - 17h23
Invasores inseriram vídeos do grupo 'Carreta Furacão' em aula do ministro Ricardo Lewandowski, na USP.
Invasores inseriram vídeos do grupo 'Carreta Furacão' em aula do ministro Ricardo Lewandowski, na USP. - (Foto: Reprodução0

Um ataque hacker interrompeu aula por videoconferência realizada pelo ministro Ricardo Lewandowski na Faculdade de Direito da USP nesta segunda, 30. A invasão inseriu vídeos do grupo 'Carreta Furacão' durante a chamada e referências nazistas nos comentários dos participantes, como citações de Adolf Hitler e o símbolo da suástica.

O ataque ocorreu quando o ministro começaria uma palestra chamada 'Releitura dos clássicos de teoria geral do Estado'. Quando a aula se tornou inviável, os participantes deixaram a sala virtual e aguardaram a coordenação enviar um novo link para a retomada da palestra. A paralisação durou cerca de dez minutos.

Procurado, o gabinete de Lewandowski afirmou que se tratou de um ataque a uma aula da USP e, por isso, a universidade deveria ser procurada. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Faculdade de Direito da USP e aguarda resposta.

A invasão da aula de Lewandowski não é caso isolado, segundo apurou o Estadão. Na última terça, um webinário sobre 'Acesso à Justiça e Racismo Estrutural' sofreu o mesmo tipo de ataque quando participantes que obtiveram o link do encontro inseriram vídeos pornográficos e outras referências ao nazismo durante o encontro. Fontes relataram que casos semelhantes se tornaram frequentes nas últimas semanas.

O ataque se soma às invasões recentes aos sistemas dos principais tribunais de Justiça do País. Na sexta, 27, invasores atacaram o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e alegaram ter obtido acesso a arquivos em mais de 40 bases de dados do tribunal, que concentra processos 13 Estados e do Distrito Federal. No início do mês, um ataque do tipo paralisou o Superior Tribunal de Justiça por seis dias, travando cerca de 12 mil processos pelo caminho.

Durante o primeiro turno, um hacker português afirma ter realizado ações contra o Tribunal Superior Eleitoral. 'Zambrius', como é conhecido, foi preso neste sábado, 28, pela Polícia Judiciária portuguesa na operação Exploit, deflagrada em parceria com a Polícia Federal, que mirou três brasileiros suspeitos de auxiliar no ataque. Segundo as investigações, o hacker tentou invadir o TSE em ao menos duas ocasiões - no dia 15 de novembro, no primeiro turno, e no último dia 19.

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