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INTERNACIONAL

Armênia diz que teve jato abatido pelos turcos

O governo turco nega ter derrubado a aeronave

30 setembro 2020 - 06h03
O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ontem uma trégua aos envolvidos no conflito
O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ontem uma trégua aos envolvidos no conflito - (Foto: REUTERS/Vasily Fedosenko)
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O governo da Armênia disse que um caça F-16 turco abateu na terça-feira, 29, uma de suas aeronaves SU-25, em meio a combates entre as forças do Azerbaijão e separatistas pró-armênios na Província de Nagorno-Karabakh. O governo turco nega ter derrubado a aeronave. Líderes do Azerbaijão e da Armênia rejeitaram ontem a sugestão de conversações de paz, acusando um ao outro de obstruir as negociações sobre o território.

Desde o domingo, as forças desse enclave separatista - apoiadas política, econômica e militarmente pela Armênia - e as do Azerbaijão - que recebe respaldo da Turquia - se enfrentam nos mais mortíferos combates desde 2016. Uma intervenção direta da Turquia representaria uma importante mudança, após combates que deixaram centenas de mortos e prosseguem apesar dos apelos da comunidade internacional.

Segundo um porta-voz do Exército armênio, "o caça turco decolou da cidade azerbaijana de Ganja e apoiava a aviação e os drones do Azerbaijão que bombardeiam povoados civis em Vardenis, Mets Masrik e Sotk na Armênia".

"A alegação de que a Turquia abateu um caça armênio é absolutamente falsa", disse o diretor de comunicações da presidência da Turquia, Fahrettin Altun. A Turquia também negou ontem as acusações de que teria enviado combatentes sírios para apoiar as forças do Azerbaijão. Na segunda-feira, o embaixador da Armênia na Rússia acusou o governo turco de enviar cerca de 4 mil combatentes sírios que estavam na parte norte da Síria controlada pela Turquia. Dois combatentes sírios confirmaram à agência Reuters que tinham sido enviados pela Turquia.

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ontem uma trégua aos envolvidos no conflito durante um telefonema ao primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, informou o Kremlin em um comunicado, acrescentando que Putin enfatizou a necessidade de as duas partes adotarem medidas para conter a crise. A Rússia negociou as tréguas de 1994 e 2016.

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, disse a uma TV russa que não havia nenhuma possibilidade de conversações e o premiê armênio afirmou à mesma TV que as conversações não podem ocorrer enquanto prosseguirem os combates.

Vários líderes estrangeiros, incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel, pediram um cessar-fogo imediato. O Conselho de Segurança da ONU se reuniu ontem em caráter de urgência e pediu o fim dos combates para tentar evitar uma guerra aberta entre Armênia e Azerbaijão, que poderia desestabilizar a região e implicar a Rússia e a Turquia, as potências regionais do Cáucaso.

Rússia, França e Estados Unidos - os três mediadores do conflito dentro do chamado Grupo de Minsk - pediram sem sucesso um cessar-fogo e a retomada das negociações. "As partes devem deter a violência e trabalhar com o Grupo de Minsk para retomar as negociações substanciais o mais rápido possível", afirmou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo.

Autoridades dos dois lados do front afirmaram ter provocado grandes perdas aos rivais. O ministro da Defesa da Armênia afirmou ontem que os separatistas destruíram 49 drones, 4 helicópteros, 80 tanques, 1 avião militar e 82 veículos militares azerbaijanos desde domingo. O governo do Azerbaijão, por sua vez, destacou novos progressos na região, citando a destruição de uma "coluna motorizada armênia e de uma unidade de artilharia". O balanço oficial de mortos nos combates até ontem era de 98 pessoas, incluindo 14 civis. Mas os dois lados alegam que mataram centenas de soldados inimigos.

Nagorno-Karabakh é um território do Cáucaso povoado por armênios, anexado ao Azerbaijão nos anos 20. No início da década de 90, o enclave proclamou sua independência da então União Soviética, desencadeando uma guerra que foi vencida pelos armênios. Desde então, o Azerbaijão reivindica a posse do território. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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