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Após crítica sobre coordenação, SSP diz ter feito aviso

26 maio 2017 - 07h49

Quatro dias após a megaoperação policial na Cracolândia, no centro de São Paulo, a Guarda Civil Metropolitana (GCM), subordinada à gestão do prefeito João Doria (PSDB), já identificou 22 pontos de concentração de usuários de drogas egressos do quadrilátero onde, até domingo, cerca de 800 viciados se reuniam em um único "fluxo" sob o domínio de traficantes.

O mapeamento, obtido pelo Estado, foi feito entre a noite de quarta-feira e a manhã de ontem pelo Setor de Acompanhamento e Controle da GCM e mostra que os novos "fluxos" de dependentes químicos já chegam à Avenida Paulista, cartão-postal da cidade, onde os guardas flagraram um grupo de 20 usuários por volta da 1 hora. O maior "fluxo", contudo, se concentra na Praça Princesa Isabel, próxima de onde ficava a Cracolândia, com 300 viciados.

Na Praça da Sé, onde já viviam muitos moradores de rua, a GCM contou um "fluxo" de 200 viciados à noite. "Tem muito mais gente usando droga na rua", afirma a vendedora Roseane Belarmino, de 28 anos. "O policiamento aumentou, mas o fluxo também", reclama Ben Hur Augusto, de 48 anos, dono de uma banca de jornal.

Segundo a gestão Doria, a GCM "está monitorando desde domingo os grupos de dependentes químicos para informar as equipes de saúde e assistência social para que possam realizar as abordagens e atendimentos". Ainda segundo a Prefeitura, não é possível afirmar que existem 22 pontos fixos de consumo de droga porque "os dependentes andam ao longo do dia pelas ruas do centro".

Internação

As Avenidas Liberdade, São João e Brigadeiro Luís Antonio são outros endereços onde os guardas-civis localizaram mais de 40 viciados concentrados. A dispersão dos usuários foi um dos argumentos usados pela gestão Doria no pedido feito anteontem à Justiça para poder realizar "busca e apreensão de pessoas em situação de drogadição" para fazer avaliação e internação compulsória. Segundo a Prefeitura, "o domínio desses locais continua com os traficantes".

A proposta de internação compulsória em massa foi criticada por promotores, defensores públicos, médicos e até por aliados de Doria, como o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para quem a internação à força deve acontecer "em último caso". "A última palavra é do juiz." O pedido da Prefeitura deve ser julgado nos próximos dias pela 7.ª Vara da Fazenda Pública.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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