19 de janeiro de 2021 Grupo Feitosa de Comunicação
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Homenagem

Abboud Lahdo, o cineasta, é homenageado pela Câmara Municipal de Campo Grande

O cineasta Abboud Lahdo revivendo a época da filmagem de “Paralelos Trágicos”.
O cineasta Abboud Lahdo revivendo a época da filmagem de “Paralelos Trágicos”. - Arquivo Pessoal

O cineasta Abboud Lahdo recebeu o título cidadão campo-grandense na última quarta-feira, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo em sessão solene da Câmara Municipal.

Abboud foi homenageado por indicação do vereador Vanderlei Cabeludo. A homenagem, de acordo com Cabeludo, foi uma forma de reconhecimento à contribuição de Abboud à arte e à cultura através do cinema. A paixão pela cinematografia, levou Abboud Lahdo a se tornar o diretor do primeiro longa-metragem filmado em Campo Grande e com artistas exclusivamente locais, “Paralelos Trágicos”, lançado há 42 anos. O roteiro do filme se baseou no livro do mesmo nome de autoria de Bernardo Elias Lahdo, irmão caçula de Abboud.

O livro conta o drama social, mexe com as emoções, mostra o contraste na sociedade e é sempre atual. “Arrancou muitas lágrimas, provocou muitos desejos e comoveu a todos que assistiram ao longa-metragem”, afirma Abboud emocionado. Ele ainda se mostra magoado porque na época não recebeu o devido reconhecimento no Estado. Também se queixa que a Coleção Memória e Mito do Cinema em Mato Grosso, lançado pela Editora Entrelinhas e escrito por Luiz Carlos de Oliveira Borges, não o citou como o diretor do primeiro longa-metragem filmado inteiramente em Campo Grande. “O direito de roubar a virtude alheia altera a verdade em nome da cultura”, declara Abboud decepcionado com a Coleção. “Único longa iniciado em Mato Grosso e, ao mesmo tempo censurado em Brasília recebeu o certificado com o selo de boa qualidade e livre para a exportação”, conta Abboud.

Por ter sido mostrado um pouco da realidade social de Mato Grosso, o filme de Abboud foi objeto de perseguição política por parte do regime militar. Seu pioneirismo foi reconhecido pelo historiador e advogado José Otávio Guizo, assistente de câmera do filme mato-grossense, que reconheceu em Abboud como o diretor-ator do primeiro longa-metragem do Estado. O filme repercutiu no exterior ao ponto do cineasta francês Jean-Claude Lelouch, um dos mais consagrados do planeta e ganhador do prêmio Palma de Ouro de Cannes, ter convidado Abboud para participar do filme “O Sol se Põe no Oeste”. A história da Lahdo Produções Cinematográficos não pára por aí, a câmera Arriflex de propriedade da família Lahdo, filmou o primeiro seriado da televisão brasileira, intitulado “O Vigilante Rodoviário”, dirigido por Ari Fernandes.

A produção cinematográfica desafiou cineastas e fotógrafos dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e vários outros Estados do país. “Nunca esperei receber retorno algum, apenas por amor ao cinema e à divulgação da arte e da cultura. A gente cobria as deficiências com outras coisas, a maioria das pessoas não acreditava que conseguiríamos, mas sempre dávamos um jeitinho”, finaliza Lahdo.

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