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Esporte

Vítima de racismo, Arouca critica falta de punição no Brasil

7 março 2014 - 20h26
Divulgação

Em nota oficial, o volante Arouca, do Santos, apontou como “inaceitáveis” as ofensas racistas dirigidas a ele na noite dessa quinta-feira, em Mogi Mirim. Enquanto dava entrevistas a repórteres na saída do estádio Romildão, após a vitória por 5 x 2 do Santos em cima do Mogi Mirim, o jogador foi hostilizado e chamado de “macaco” por um grupo de torcedores do time da casa. Os xingamentos foram registrados pela rádio ESPN – no texto, o atleta admite não ter ouvido as ofensas.

Destaque santista no jogo e autor de um gol de voleio, Arouca afirma que o ato racista o deixou decepcionado e “acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo o que deveria ser a essência do esporte”. O volante cobra que os autores sejam “severamente punidos” e alerta que a “impunidade e conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si”.

 Leia a nota do volante Arouca na íntegra:

Na saída do jogo desta quinta-feira, contra o Mogi Mirim, fui alvo de insultos racistas de um torcedor do time adversário. É lamentável e inaceitável que ainda haja espaço para esse tipo de coisa hoje em dia. Isso só mostra que o ser humano ainda tem muito a evoluir e a crescer, que não estamos nem perto de um mundo que viva a harmonia entre as pessoas e todas as suas diferenças.

Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar. Dando a entender que um negro igual a mim não serviria para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros. Não ouvi os gritos de ‘macaco’ que alguns repórteres disseram ouvir, mas, caso tenha realmente acontecido, é ainda mais triste.

Eu sei muito bem de onde venho e de toda a minha luta para chegar onde cheguei. Por isso, sentir na pele o que aconteceu comigo hoje – logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul – me deixa muito decepcionado. Acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo que deveria ser a essência do esporte.

O futebol é um espelho da nossa realidade, e isso não se resume apenas a xingamentos racistas. Continuam matando e morrendo por torcerem por um time diferente do outro. Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si. Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns.

Arouca


Santos entra com pedido de abertura de inquérito

Em seu site oficial, o Santos informou que encaminhou à Federação Paulista de Futebol (FPF) um pedido de abertura de inquérito para apurar os atos de discriminação contra Arouca. O clube salientou que racismo é crime previsto em lei, além de ser um grave ato de violência, e afirma que espera que o caso seja investigado e os responsáveis, punidos.

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