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ESPORTE

Hamilton garante que nem a FIA o fará parar com os protestos

De acordo com a emissora britânica BBC, a FIA se considera uma organização não política e avalia uma possível quebra de protocolo do piloto em relação a suas regras

24 setembro 2020 - 14h17
Piloto da Fórmula 1, Lewis Hamilton
Piloto da Fórmula 1, Lewis Hamilton - ( Foto: Jennifer Lorenzini/Reuters)
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A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) considerou político o ato de protesto de Lewis Hamilton no pódio do GP da Toscana de Fórmula 1. O inglês já imagina que a entidade vá criar regras para proibir suas manifestações antirracistas, mesmo assim o piloto da Mercedes garante que nada o fará parar.

De acordo com a emissora britânica BBC, a FIA se considera uma organização não política e avalia uma possível quebra de protocolo do piloto em relação a suas regras. Hamilton vestiu uma camiseta, no pódio, com os dizeres: "Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor". Policiais invadiram a casa da jovem negra de 26 anos, no Kentucky, atrás de um ex-namorado e, mesmo ela sendo inocente, a mataram com oito disparos.

Hamilton garantiu em entrevista nessa quinta-feira, antes do GP da Rússia, em Sochi, que não mudará sua postura. "Eu não me arrependo de nenhum momento, coloco meu coração no que acredito ser certo", afirmou o piloto. "As pessoas falam sobre esporte não ser lugar para política, mas essa é uma questão de direitos humanos", seguiu.

O inglês ainda exemplificou seus protestos, antes de mandar uma resposta direta à FIA.
"Falar sobre direção segura no trânsito também é um exemplo de direitos humanos. Ouvi que eles vão vir com algum tipo de regra, mas muitas regras já foram feitas pra mim nos últimos anos e isso não me parou", disparou.

Hamilton já vem realizando atos de protestos antirracistas ao longo de toda a temporada. Mas nunca havia utilizado uma camiseta, como fez na Itália.

Único negro na modalidade, Hamilton vem lutando para mudar essa história. "Desde que comecei minha carreira profissional em corridas de Fórmula 1, há 14 anos, fui o primeiro piloto de cor e até hoje, infelizmente, ainda é o caso", disse. "No entanto, o que é mais preocupante é que ainda há muito poucas pessoas de cor no esporte como um todo."

O inglês criou uma comissão com 14 pessoas importantes de seu país para tentar derrubar essas barreiras. "Na F-1, nossas equipes são muito maiores do que os atletas à sua frente, mas a representação é insuficiente em todas as habilidades - da garagem aos engenheiros nas fábricas e departamentos de design. A mudança não está chegando rápido o suficiente, e precisamos saber o porquê".

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