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ESPORTE

Campeão mundial de surfe, Adriano de Souza anuncia que vai se aposentar em 2021

Surfista brasileiro anunciar que vai competir pela última vez profissionalmente na temporada de 2021

16 setembro 2020 - 13h51
Adriano de Souza, campeão mundial de surfe em 2015
Adriano de Souza, campeão mundial de surfe em 2015 - ( Foto: Márcio Fernandes/Estadão)
O FLOR DA MATA - NOTICIAS

Campeão mundial de surfe em 2015, Adriano de Souza, o Mineirinho, anunciou que vai se aposentar ao final da próxima temporada. Um dos maiores surfistas do País acredita que chegou o momento de parar após ficar 18 anos competindo em alto nível no Circuito Mundial. A decisão do atleta foi revelada nesta quarta-feira.

"A temporada de 2021 será minha última como atletas profissional. Tomei a decisão com a WSL (World Surf League, na sigla em inglês), meus patrocinadores e minha família. Saio super honrado, será um ano de despedida e tenho certeza de que será bem bacana", avisou o atleta.

Foram 14 temporadas na elite do surfe e, além do título mundial, Mineirinho foi responsável por abrir portas para a atual geração chamada de "Brazilian Storm". Entre suas façanhas está a vitória no Pipe Masters de 2015, justamente na edição que foi campeão, a primeira de um brasileiro nos temidos tubos de Pipeline, no Havaí.

Até por essa trajetória, os surfistas mais jovens como Gabriel Medina, Italo Ferreira e Filipe Toledo enxergam Mineirinho como um líder dessa geração. "O que eu sinto é que atleta sempre vive de inspirações", afirmou.

Mineirinho cresceu na periferia de Guarujá, no litoral paulista. Aos 8 anos começou a se jogar nas ondas de sua cidade e, mesmo com as condições financeiras precárias de sua família, lutou para fazer o que mais gostava. Tanto que quando foi campeão mundial dedicou o título ao seu irmão, que deu R$ 30 para ele poder comprar a sua primeira prancha na época.

Quando chegou aos 14 anos, deixou sua casa e decidiu perseguir o sonho de ser surfista. E foi em 2006 que fez a sua estreia no Circuito Mundial. Além do talento, sempre chamou atenção por sua determinação nas ondas e por vitórias expressivas diante de atletas mais renomados, principalmente o americano Kelly Slater.

"Quando entrei no Circuito Mundial tinha três referências: o Victor Ribas, o Fabio Gouveia e o Neco Padaratz. Quando entrei eu tinha que passar por esses obstáculos. Tive sete vitórias, fui campeão e trouxe um surfe inovador. Aí deixei meu sarrafo, Gabriel veio e tirou. Novos atletas vão ter outras metas e passar os limites. O atleta sempre vai deixar algo para outros superarem", comentou.

Nos últimos anos sofreu bastante com lesões e até poderia continuar competindo, mas optou agora por fazer uma última temporada e parar. "O ano de 2019 foi difícil, de muita luta, de recuperação do meu joelho. Aí me machuquei novamente. Voltei em janeiro para tentar retomar a vontade de competir novamente, iniciei na Austrália, mas veio a pandemia", comentou.

Aos 33 anos, ele vê que chegou ao fim o seu ciclo. "Anteriormente, eu tinha colocado como meta de encerrar a carreira em 2020. Mas veio lesão, pandemia, então achei que era hora de anunciar e poder dar a oportunidade aos meus fãs de me verem pela última vez", disse.

"Vou tentar respirar novos ares e entrar num novo ciclo que eu tenha mais energia para enfrentar. Mas o que vou fazer após 2021 ainda está se concretizando. Mas vou ficar no mínimo mais três anos dentro do surfe, mas vivendo de uma outra forma", completou o surfista.

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