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Abel Ferreira conquista jogadores do Palmeiras com bordões e convencimento

Abel Ferreira conquista jogadores do Palmeiras com bordões e convencimento

Técnico português conquista o Palmeiras com forte trabalho motivacional e frases fortes que fazem sucesso entre os jogadores

24 janeiro 2021 - 04h55
Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em novembro e levou o time às finais da Libertadores e Copa do Brasil
Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em novembro e levou o time às finais da Libertadores e Copa do Brasil - (Foto: César Greco/Ag. Palmeiras)

O Palmeiras vai disputar as decisões da Libertadores e da Copa do Brasil movido por uma série de lemas criados e repetidos pelo técnico Abel Ferreira. A ênfase no jogo coletivo, em superar rapidamente o resultado do dia anterior e em confiar nas próprias capacidades viraram uma espécie de mantra dentro do elenco. As frases contundentes são reflexo de como o treinador tem conseguido levar para o elenco um pouco da trajetória e do perfil de um rapaz que deixou uma pequena cidade do Norte de Portugal para seguir carreira no futebol.

Nas preleções antes dos jogos, o técnico de 42 anos costuma repetir frases fortes. Uma das mais marcante é: "Vamos jogar de cabeça fria e coração quente". O vocabulário lusitano também ajuda os jogadores a fixarem as orientações. "O Abel sempre fala: 'Focar nas vossas tarefas'. Ou também: 'Focar na baliza zero'. O elenco tem aprendido muito com ele", contou o goleiro Weverton. Desde que chegou, o português reergueu atletas que estavam em baixa. O principal exemplo é o atacante Rony.

A habilidade para criar frases motivacionais já pertencia a Abel mesmo antes de virar treinador. O ex-atacante Hélder Postiga conviveu com o então lateral-direito durante três anos no Sporting Lisboa. "O Abel tinha uma frase boa: 'Atraímos aquilo que pensamos'. Ele sempre teve um poder forte de argumentação e de saber entrar na cabeça dos atletas, pois sabe qual é a hora da crítica ou do carinho", contou Postiga ao Estadão.

Abel teve de encerrar a carreira aos 33 anos por causa de um problema no joelho direito. Foi estudar Educação Física e fez curso para ser treinador. Ainda em atividade, ele chamava a atenção pela entrega nos treinos e pela maneira como procurava compensar lacunas na formação. Desde jovem, se preocupava com a qualidade dos trabalhos e questionava os treinadores sobre a utilidade do treino a ser realizado.

"Como dizemos aqui em Portugal, o Abel teve de 'partir a pedra' para chegar onde chegou. Ele não teve a formação como jogadores em times grandes, mas teve a humildade para trabalhar", contou Postiga. Abel nasceu na pequena Penafiel, onde começou a carreira. A primeira oportunidade em um time de elite veio no Vitória de Guimarães, graças ao apoio do técnico Paulo Autuori.

A relação com o futebol brasileiro marcou a carreira de Abel. A primeira convocação para a seleção portuguesa veio com Luiz Felipe Scolari. Mais tarde, já como técnico do Braga, recebeu para um estágio Thiago Larghi e Guto Ferreira, que agora reencontra no próximo domingo. Os dois serão adversários na partida entre Palmeiras e Ceará.

Ao trocar o PAOK, da Grécia, pelo trabalho no Palmeiras, o técnico português tentou conhecer todos os detalhes do clube. Estudou os jogadores, leu sobre a história da equipe e, ao começar o trabalho, reuniu todo o elenco e funcionários para ressaltar a união. Nos primeiros dias, ele até morou na Academia de Futebol, mas recentemente alugou um apartamento na região e se tornou vizinho de um ex-palmeirense.

Candinho foi jogador, técnico e dirigente do clube. Semanas atrás, saía de casa para caminhar quando encontrou Abel. O português havia acabado de fechar contrato e agora mora no mesmo prédio de Candinho. "Ele é muito simpático. Pena que ele passa o dia todo fora e não conseguimos conversar mais. Quando tiver tempo, vou chamar o Abel na minha casa para tomar um vinho do Porto. Sou filho de português, vamos nos entender bem", brincou.

Com o Palmeiras em grande momento, Abel conquistou a torcida do Palmeiras pelos resultados e também por um bordão antes dos jogos. Assim como os jogadores gostam de repetir as orientações dele, a torcida também gostou de ver qual a última frase dita pelo português antes de cada jogo do time: "Avanti, Palestra".

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