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PF prende auditor flagrado pela Operação Triuno jogando notebooks no lixo

Willians Gonçalves Nogueira foi alvo de buscas da Operação Triuno, assim como os fiscais Roberto Augusto Ribeiro e Eli Guedes da Silva

26 outubro 2020 - 16h58
PF acha computadores no lixo durante a Operação Triuno
PF acha computadores no lixo durante a Operação Triuno - (Foto: Polícia Federal)
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A Polícia Federal prendeu preventivamente nesta segunda, 26, o auditor da Receita Federal Willians Gonçalves Nogueira, alvo da Operação Triuno que no último dia 22 jogou notebooks e um HD na lixeira do andar de baixo do seu apartamento durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua casa. Afastado da Receita por decisão judicial, Willians é investigado, junto com os fiscais aposentados Roberto Augusto Ribeiro e Eli Guedes da Silva, pelo suposto recebimento de R$ 4 milhões em propinas das empresas Qualicorp e Rimo.

O mandado de prisão preventiva contra o fiscal foi expedido em razão de representação feita pela PF após Willians se desfazer de provas dos fatos criminosos em investigação. Além de expedir a ordem de prisão, a Justiça Federal autorizou dois novos mandados de busca e apreensão em imóveis a ele relacionados, um em São Paulo e outro em Santos.

Aberta no último dia 22, a Operação Triuno concentrou três novas fases da Operação Descarte, que descobriu escritório de advocacia dos Claro, especializado em operações simuladas de prestação de serviços e fornecimentos de produtos - contando até com uma produtora musical. A partir da análise de documentos apreendidos em tal escritório, a PF identificou três grupos empresariais que usaram tais serviços para obter recursos em espécie para pagar de propina a três fiscais federais e a um fiscal estadual.

Segundo documentos do inquérito, a Allied, controlada pelos empresários Ricardo Radomysler, Marcelo Radomysler e José Milstom Carman Mello, teria repassado R$ 996 mil aos Claro. Por sua vez, a Rimo Entertainment, controlada por José Radomysler, pai de Ricardo e Marcelo, transferiu R$ 1,5 milhão. Do Grupo Qualicorp, que foi dirigido por José Seripieri Filho, os advogados teriam lavado R$ 2,5 milhões.

Os três auditores fiscais federais investigados teriam apresentado relações com a Qualicorp e a Rimo Entertainment, segundo os investigadores.

No caso da Sonopress Rimo, a vantagem indevida teria sido acertada para que fosse reduzida autuação fiscal. Já no caso da operadora de planos de saúde, a propina foi negociada a fim de que não fossem lançados todos os tributos devidos pela empresa em procedimento de fiscalização.

Em razão dos 'fortes indícios' de que as transferências ao escritório dos Claro seriam o pagamento de propina aos três servidores da Receita, a juíza federal Michelle Camini Mickelberg, da 2ª Vara Criminal de São Paulo, decretou o bloqueio de mais de R$ 7 milhões dos três - R$ 3.610.083,39 no caso da Sonopress e de R$ 3.488.131,50 no da Qualicorp (valores das propinas atualizados).

Na decisão que abriu a Triuno, Michelle aponta ainda que os fiscais federais supostamente atuariam 'em conluio e com unidade de desígnios'. Segundo os despachos Willians era o supervisor da equipe composta por Eli e Roberto.

COM A PALAVRA, OS AUDITORES

Até a publicação desta matéira, a reportagem buscou contato com os auditores, mas sem sucesso. O espaço permanece aberto a manifestações.

COM A PALAVRA, A QUALICORP

Quando a Operação Triuno foi deflagrada, a Qualicorp divulgou a seguinte nota:

Qualicorp Consultoria e Corretora de Seguros S.A., (B3: QUAL3) ("Companhia" ou "Qualicorp"), vem, nos termos da Instrução CVM n° 358/2002 e da legislação em vigor, comunicar aos seus acionistas e ao mercado em geral que, na manhã de hoje, por determinação da 2a Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de São Paulo, especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem e ocultação de bens, direitos e valores, foi realizada, pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Triuno, busca e apreensão de documentos, na sede da Companhia e em outros locais. A nova administração da Companhia informa que adotará as medidas necessárias para apuração completa dos fatos, bem como colaborará com as autoridades públicas competentes.

COM A PALAVRA, A ALLIED

Quando a Operação Triuno foi deflagrada, a Allied divulgou a seguinte nota:

A Allied comunica que os fatos mencionados na reportagem são relacionados a contratações de prestadores de serviços realizadas entre 2011 e 2015, com os quais a companhia não mantém mais relacionamento desde 2015. Em meados de 2019, a companhia iniciou uma investigação interna sobre tais fatos com auxílio de assessores especializados e desde então, de forma proativa, se colocou e tem se colocado à disposição do Ministério Público Federal com o propósito de colaborar com as investigações.

COM A PALAVRA, OS DEMAIS CITADOS

Até a publicação desta matéira, a reportagem buscou contato com os demais citados, mas sem sucesso. O espaço permanece aberto a manifestações.

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