23 de setembro de 2020 Grupo Feitosa de Comunicação
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Economia Cultural

Na feira do mercadão, território de resistência da cultura indígena

Feira Indígena destina espaço para o comércio de ervas e frutas
O FLOR DA MATA - NOTICIAS

Frutas como o poité, limão rosa, poucas mangas e pequis, mesmo escassos no inverno seco e quente do Estado, dividem espaço com orquídeas, mudas de temperos, ervas e mel.

Os aromas se misturam na Feira Indígena do Mercadão Municipal de Campo Grande, que oferece aos visitantes muito mais que sabores e belezas. Transporta um pouquinho para a vida e a cultura dos índios de Mato Grosso do Sul.

Em três quiosques organizados entre as ruas 26 de agosto e Sete de Setembro, na praça Oshiro Takimori – centro histórico que reuniu as primeiras edificações da Capital - reúnem cerca de 50 pessoas de famílias, comunidades e etnias diferentes. Na praça histórica elas se organizam e se revesam na venda de produtos feitos exclusivamente nas aldeias do interior, principalmente de Aquidauana, Anastácio e Miranda, no Pantanal. Os espaços são todos organizados, sem disputas. Tudo acontece na base do companheirismo. Cada grupo oferece ao público uma parte dos produtos feitos em suas comunidades. Não existe uma especialidade porque tudo varia conforme a época do ano. As flores, o mel, as frutas e o palmito mudam. Desta vez não foi possível encontrar o feijão verde e a mandioca.

Mas a história dos índios no Mercadão não é recente, apesar da construção do espaço destinado as etnias do Estado pela prefeitura de Campo Grande, em 1998. Já em 1967 indígenas de aldeias do interior utilizavam a praça para comercializar frutas e ervas produzidas em uma época em que a distância e o preconceito eram muito maiores.

“Naquela época eles sofriam demais aqui com a falta de estrutura, com as longas viagens e a repulsa dos demais feirantes. As coisas começaram a mudar com a destinação do espaço para a Feira Indígena. A partir daí a vida das famílias que vendem seus produtos aqui em Campo Grande melhorou”, informa Jurandir Ximenes, presidente da Associação dos Vendedores da Feira Indígena do Mercadão.

Para garantir mais comodidade para quem vem de longe e evitar que alguns índios durmam no mesmo espaço em que passaram o dia vendendo seus produtos, cena que já foi comum no início do projeto – a Associação, em parceria com o Estado e o governo federal, viabiliza a cessão de uma casa no centro da cidade para abrigar as famílias durante seu período de vendas.

Identidade

Além dos produtos, os “quiosqueiros” mantêm em estoque dicas sobre ervas medicinais e costumes locais. Bater um papo, conhecer suas origens, absorver um pouco da serenidade que eles transmitem ou simplesmente observar a beleza e os aromas dos produtos comercializados vale muito. Isso porque tendemos a crer que o índio fora de seu espaço deixa de ser índio.

Toda essa teoria se desfaz quando se está cercado pelo sotaque, pelos produtos e pelas histórias dos índios. Como a de Lidalva, que tira parte do sustento de sua família na aldeia Limão Verde, em Aquidauana, produzindo belíssimos arranjos de orquídeas roxas. “O difícil é trazer”, explica a índia com uma calma zen-budista transcendental sem se importar com as dificuldades.

“Por mais que as famílias trabalhem na cidade, utilizando o português para se comunicar e alguns dos costumes dos brancos para trabalhar, mantemos nossa cultura e tradição. Temos uma identidade que permanece forte, ensinamos nossa língua às crianças e levamos um pouco da nossa vida para as pessoas que passam pela Feira”, afirma Jurandir.

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