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ECONOMIA

Juros fecham em baixa e encerram mês com taxas pressionadas pelo risco fiscal

O cenário de queda também é marcado pelo término do trimestre

30 setembro 2020 - 16h58
Prédio do Banco Central, em Brasília
Prédio do Banco Central, em Brasília - (Foto: André Dusek/Estadão)
Fort  Atacadista - 21 ANOS

Os juros futuros deram uma trégua no último dia do mês, também marcado pelo término do trimestre, com o fechamento da curva após dois dias de alta com o estresse gerado pela estratégia do governo para custear o Renda Cidadã, programa que deve substituir o Bolsa Família. O movimento não é um sinal de que o mercado está fazendo as pazes com Brasília, mas resulta de um ajuste técnico diante da percepção de que as taxas estavam muito elevadas, além do bom humor externo e tentativas da equipe econômica de reforçar o compromisso fiscal. Apesar disso, os juros futuros encerram o segundo mês consecutivo com abertura das taxas na curva, o que não se via desde maio de 2018, na época da greve dos caminhoneiros no Brasil.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou o último dia do mês em 3,05%, de 3,174% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 terminou em 4,51%, de 4,665% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 6,50% (6,625% ontem) e o para janeiro de 2027, em 7,48%, de 7,604%. Para se ter ideia, este último havia encerrado julho com taxa de 7,19% e no último dia de agosto marcou 7,41%.

"Com o fechamento do mês e da Ptax, importante para empresas que têm receitas e despesas em dólar, as curvas reagiram bem à calmaria de Brasília e ao aumento do prêmio de risco nos últimos dois dias", diz o analista de Renda Fixa da Eleven Financial, Felipe Beckel. "Trata-se de um ajuste técnico porque o movimento dos últimos dias foi muito intenso e o mercado entendeu que talvez não tenha força para continuar porque a maior pressão já ocorreu".

Somado aos fatores locais, o clima externo positivo ajudou no recuo das taxas e o mercado tentou adotar uma postura mais "racional" após o estresse gerado pelo financiamento do Renda Cidadã, em meio ainda a declarações otimistas do ministro da Economia, Paulo Guedes, e a geração de vagas no Caged acima do esperado, de acordo com o gerente da Mesa de Reais da CM Capital Markets, Jefferson Lima. "Tivemos Guedes à tarde defendendo o teto de gastos e as reformas, o que deu um pouco mais de força à queda das taxas", afirmou.

Sobre o Renda Cidadã, Guedes disse hoje que o financiamento não será feito com o dinheiro reservado no Orçamento para o pagamento de precatórios, e que essa não é uma fonte de recursos "saudável, limpa, permanente e previsível". "Ligaram uma coisa a outra, estávamos estudando a redução das despesas com precatórios e disseram esse estudo aqui é para fazer o financiamento de um programa populista. Não é. Não há essa ligação direta", afirmou.

O ministro da Economia também destacou que é necessário um programa social bem financiado, ou seja, por meio de uma receita permanente. "Não pode ser financiado com puxadinho, ajuste. Não é assim que se financia o Renda Cidadã, é com receita permanente", reforçou Guedes.

Para o economista do BTG Pactual digital, Álvaro Frasson, a declaração do ministro da Economia coloca o Renda Cidadã como um 'anúncio ioiô', vai e volta, mas "ajudou bastante" os juros futuros, cujas taxas recuaram hoje. "Primeiro, o discurso em si mostra que o financiamento do programa não será bem assim. E, segundo, o fato de o Paulo Guedes falar", justifica. "O mercado estava carente de uma fala mais incisiva e pública do ministro dentro da linha de responsabilidade fiscal".

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