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ECONOMIA

Governo federal publica portaria que autoriza venda do Edifício A Noite, no Rio

O prédio está vazio desde 2012, quando o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) foi transferido

29 setembro 2020 - 17h27
Inaugurado em 1929, o edifício A Noite, no Rio de Janeiro, é o  1º arranha-céu da América Latina
Inaugurado em 1929, o edifício A Noite, no Rio de Janeiro, é o 1º arranha-céu da América Latina - (Foto: Marcos Arcoverde)
Fort  Atacadista - 21 ANOS

O governo federal vai vender o edifício A Noite, situado na praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro. Com 22 andares e 102 metros de altura, o prédio era o mais alto da América Latina quando foi inaugurado, em 1929. A partir de 1937 abrigou a Rádio Nacional, então principal emissora de rádio brasileira. O prédio pertence ao governo federal desde a década de 1940 e está vazio desde 2012, quando o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) foi transferido. O governo federal pretende vendê-lo, em concorrência pública, por R$ 90 milhões.

A autorização para o procedimento de venda foi publicado nesta terça-feira (29) no Diário Oficial da União por meio da portaria 21.347 do Ministério da Economia. A venda será conduzida pela Superintendência do Patrimônio da União do Rio de Janeiro. Peritos já fizeram uma vistoria no imóvel, que é um dos cerca de 3.000 prédios que a União planeja vender.

O prédio foi projetado pelos arquitetos Elisiário Antônio da Cunha Bahiana (1891-1980), carioca responsável também pelo Viaduto do Chá, em São Paulo, e Joseph Gire (1872-1933), francês que também desenhou os hotéis Copacabana Palace e Glória, no Rio. Construído entre 1927 e 1929, era então considerado o mais alto edifício feito em concreto armado no mundo. Na época, o prédio mais alto do mundo ficava em Nova York e tinha estrutura em aço. Foi também o prédio mais alto da América Latina até 1934, quando ficou pronto o edifício Martinelli, em São Paulo, com 105 metros de altura.

Nos primeiros anos o edifício abrigou o jornal "A Noite", que havia sido fundado em 1911 por Irineu Marinho (pai de Roberto Marinho, fundador da TV Globo) e outros jornalistas. A publicação chegava às bancas às 19h e chegou a vender 200 mil exemplares. O nome do prédio é uma referência ao jornal. Na década de 1940 o edifício passou a pertencer ao governo federal, devido a dívidas da antiga dona, a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. Durante os anos em que abrigou a Rádio Nacional, o prédio recebeu os artistas mais famosos do Brasil.

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