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auxílio do Planalto

Empresas veem 'improviso' do governo

Falta de clareza em informações já faz empresários se movimentarem para ações pela vacinação sem contar com auxílio do Planalto

22 janeiro 2021 - 12h00
Azul separou avião para trazer vacinas, mas negociação com Índia emperrou
Azul separou avião para trazer vacinas, mas negociação com Índia emperrou - ( Foto: Estadão/Pedro de Paula/Código19 )

Um executivo presente à reunião entre empresas e membros de três ministérios sobre a vacinação contra a covid-19, na semana passada, disse ter saído "aliviado" do encontro. Na ocasião, o governo garantiu ter o controle da situação, tanto no estoque de vacinas quanto para a entrega dos imunizantes. Após o barulho político e as dificuldades do governo em garantir vacinas, porém, a impressão mudou. Empresários entrevistados pelo 'Estadão' dizem estar dispostos a ajudar a agilizar a vacinação, mas se irritaram com os "improvisos" e cobram clareza da situação para poderem ajudar.

Segundo Pedro Passos, cofundador da gigante dos cosméticos Natura, o "empresariado como um todo está atônito porque a desinformação que vem do governo central é muito grande". "A sensação é que há muito improviso. E isso assusta. Temos de vacinar 200 milhões de pessoas. E, como só devemos ter vacina em quantidade em dois meses, se tudo der certo, teremos de imunizar 1 milhão de pessoas por dia para terminar a vacinação em 2021. É um desafio gigante", afirma.

Segundo empresários da indústria e do comércio ouvidos pela reportagem, depois da reunião com o governo na semana passada, ficou claro que o governo tenta vender a ideia de que a situação da vacina está sob controle quando essa não é a realidade. Por isso, a credibilidade do que o Planalto diz está abalada.

No encontro promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), representantes de três ministérios - o ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto; o ministro das Comunicações, Fábio Faria; e o secretário-geral do Ministério da Saúde, Élcio Franco - chegaram a dizer que o País teria 500 milhões de doses contratadas. Além disso, dispensaram a oferta do setor privado para adquirir vacinas.

Um dia após a reunião, o governo fracassou em importar 2 milhões de doses da Índia, apesar de ter mobilizado um avião da Azul para esse fim. A previsão é que as doses da vacina da parceria entre Oxford e Astra Zeneca comecem a chegar hoje.

Após os anúncios e recuos ao longo dos últimos sete dias - que incluíram também novas polêmicas entre poderes e risco de desabastecimento da Coronavac -, parte do setor produtivo quer "ver para crer". "O que adianta colocar minha estrutura à disposição se não há vacina para distribuir?", diz o presidente de uma empresa com 40 mil funcionários e atuação em todo o Brasil. "Com a quantidade de vacinas que temos, o governo consegue dar conta de distribuir sozinho."

Diante das idas e vindas, e da insistência do governo em propagar o tratamento precoce para a covid-19 - receita comprovadamente ineficaz, segundo cientistas -, há companhias que prefiram tomar suas próprias medidas sem se associar à administração central. "Estamos tomando algumas ações na 'moita'. Infelizmente, hoje no Brasil é assim", disse o executivo de uma grande indústria.

A disposição das empresas em se mobilizar sem intermediação oficial ficou clara ontem, com o anúncio de que 15 grandes empresas - entre elas Weg, Renner, Magazine Luiza, Mercado Livre, Ambev e Nestlé - se uniram para doar R$ 1,6 milhão ao programa Unidos Contra a Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para a criação de uma usina de produção de oxigênio a ser destinado aos hospitais do Estado do Amazonas.

O porta-voz da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) para a covid-19, Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai, reforçou, porém, que os governos lideram a agenda de saúde pública no mundo todo. "A posição da CNI é que a vacina é uma prioridade absoluta para dar segurança aos indivíduos e para o resgate da normalidade social, econômica e produtiva", afirma. "Tem de ser a prioridade zero do governo federal."

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