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Economia

Dólar fecha no maior valor em mais de cinco anos por estímulo nos EUA

29 janeiro 2014 - 17h00
Refletindo a expectativa de corte no estímulo americano, que foi confirmada no final da tarde pelo banco central dos Estados Unidos, o dólar fechou esta quarta-feira (29) em alta pelo sétimo dia seguido e atingiu seu maior valor em mais de cinco anos.
 
Em uma decisão amplamente esperada pelo mercado, o Federal Reserve (BC americano) cortou em US$ 10 bilhões sua injeção mensal de recursos na economia dos EUA, através da compra de títulos públicos. A cifra passou de US$ 75 bilhões para US$ 65 bilhões mensais.
 
Em dezembro, o Fed já havia feito um corte na mesma proporção –o primeiro desde 2009, quando adotou a medida de estímulo para amenizar os efeitos da crise. O BC americano também anunciou hoje que manteve inalterada a taxa de juros dos EUA em seu menor patamar histórico, entre 0% e 0,25% ao ano.
 
Com o corte no estímulo, fica menor o volume de recursos disponíveis nos EUA para investimento em outros mercados –incluindo emergentes, como o Brasil. E diante da perspectiva de menor entrada de dólares por aqui, o preço da moeda americana tende a subir mais em relação ao real.
 
Os mercados brasileiros já estavam fechados quando o Fed anunciou o corte, mas a aposta dos investidores na nova redução –que se confirmou– foi suficiente para empurrar a moeda americana cima.
 
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 0,35%, para R$ 2,435, o maior preço de fechamento desde 9 de dezembro de 2008 (R$ 2,457). Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 0,41%, a R$ 2,437, maior valor desde 21 de agosto do ano passado (R$ 2,451), quando o Banco Central do Brasil adotou seu programa de intervenções diárias no câmbio.
 
Na Bolsa, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, terminou o dia em baixa de 0,59%, para 47.556 pontos.
 
AVALIAÇÕES
 
"Parece que o motivo que levou o Fed a tomar a decisão do corte no mês passado foi o mesmo que ele considerou neste mês. A autoridade voltou a dizer que a retirada do estímulo será gradual, o que é positivo para os emergentes", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
 
Para ele, o fato de o Fed manter a preocupação com o mercado de trabalho dos EUA, afirmando que a taxa de desemprego ainda está acima do considerado ideal, sinaliza que a autoridade não deve acelerar a retirada do estímulo em sua próxima reunião.
 
"A inflação também vai continuar sendo monitorada pelo Fed. Apesar de estar em um nível baixo, a taxa não é preocupante, o que dá margem para a autoridade manter a retirada gradual de seu incentivo", diz Felipe Machado, analista da Geral Investimentos.
 
Nicolas Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), avalia que o ritmo de retirada do estímulo americano também vai depender da troca de comando do Fed.
 
"A Janet Yellen, que assume o Fed após a saída de Ben Bernanke, em 31 de janeiro, é muito alinhada com a atual política da instituição", afirma. "Mas ela tem estilo próprio de gestão. Então, deve fazer a retirada gradual [do estímulo] olhando indicadores próprios. Ela é extremamente técnica, pode dar mais balizamentos técnicos ao mercado", acrescenta. 
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