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Economia

Crise na Argentina deve prejudicar acordo entre Mercosul e UE

28 janeiro 2014 - 09h24
Cassems
A crise cambial na Argentina tende a causar um novo dano na negociação do acordo de livre-comércio de Mercosul com União Europeia (UE) e vai exigir decisões rapidamente por parte da presidente Dilma Rousseff.
 
A crise reduz ainda mais a competitividade da indústria do país vizinho, o que poderá elevar a resistência da presidente Cristina Kirchner em fazer oferta de liberalização no nível dos outros membros do Mercosul para a negociação avançar, na avaliação de círculos do governo brasileiro.
 
Os europeus cobram uma troca de oferta de liberalização com cobertura de pelo menos 90% do comércio bilateral. No caso específico da oferta que o Brasil submeteu para harmonização no Mercosul, a cobertura ficou em 87%. Sob pressão, a Argentina chegou a oferecer 80%, e o Brasil continua pedindo a Buenos Aires um esforço maior.
 
Se a Argentina mantiver sua posição, a opção dos outros países será voltar à mesa no Mercosul para o bloco fazer uma oferta no primeiro momento sem a participação da Argentina. Ainda mais que a União Europeia já avisou que não aceitará que Buenos Aires se comprometa com menos abertura de mercado que Brasil, Uruguai e Paraguai na troca de ofertas.
 
O Mercosul, porém, só poderá bater o martelo na cúpula do bloco, que já foi adiada mais de uma vez desde o fim do ano passado. O encontro do Mercosul, que aconteceria no fim do mês, pode ser empurrado de novo para mais tarde, dependendo da crise argentina.
 
Nesse cenário, a presidente Dilma Rousseff vai ter de decidir proximamente se mantém ou não a cúpula Brasil - União Europeia para 27 de fevereiro, em Bruxelas. É que, inicialmente, ela avisou que não queria ter essa cúpula antes da troca de ofertas entre os dois blocos. Dilma queria fazer da troca uma demonstração do avanço e importância que o Brasil dá à negociação birregional.
 
Porém, Dilma surpreendeu executivos globais no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na semana passada, com uma forte declaração sobre comércio e que reflete também o distanciamento em relação a postura argentina.
 
"É hora de superar posturas defensivas e reconhecer o papel do comércio mundial na recuperação das economias", afirmou Dilma. "O Brasil está pronto, está empenhado, também, nas negociações do Mercosul com a União Europeia para um acordo comercial."
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