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Cia. Solas de Vento encena '20 mil Léguas Submarinas', de Júlio Verne

Espetáculo estreia neste sábado, 16, no CCBB paulista; grupo também apresentará as peças anteriores

16 janeiro 2021 - 06h24
A Cia. Solas de Vento encena '20 Mil Léguas Submarinas', de Julio Verne
A Cia. Solas de Vento encena '20 Mil Léguas Submarinas', de Julio Verne - (Foto: Mariana Chamma)
Cassems

O novo espetáculo da Cia Solas de Vento chega neste sábado, 16, ao teatro do CCBB paulista, prometendo uma grande viagem pelos sete mares e usando muita imaginação. Fechando uma trilogia de obras de Júlio Verne, entra agora em cartaz 20 Mil Léguas Submarinas, que seguirá em temporada até o dia 14 de fevereiro, com sessões aos sábados e domingos. Na sequência, haverá ainda a apresentação dos espetáculos anteriores - A Volta ao Mundo em 80 Dias e Viagem ao Centro da Terra.

Surgida em 2007, a Cia Solas de Vento é formada pelos atores Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues que, nesta produção, conta novamente com a participação de André Schulle. E, como é costume do grupo, a montagem foi comandada por um diretor convidado, no caso, Álvaro Assad. "Cada trabalho acaba sendo um tanto diferente, apesar de ter uma paleta nossa, pois tem a assinatura de cada diretor visitante, com sua linguagem, como foi o caso da comicidade muito presente no trabalho de Carla Candiotto (A Volta ao Mundo em 80 Dias), em 2011, que foi o primeiro, ou a poesia e contação de história de Eric Nowinski (Viagem ao Centro da Terra), em 2015, e agora a pantomima, que é muito inerente ao trabalho do Álvaro", conta Rodrigues.

A nova empreitada da Solas conta a incrível história do Capitão Nemo, um homem que não se adapta a viver na sociedade da época. Então, decide sumir e, para isso, utiliza um submarino. Para o ator, é muito interessante falar desse personagem, que tem um nome que significa ninguém e que vê como criador do princípio da globalização. "Nemo manda fabricar cada parte do submarino em um ponto do mundo e monta a embarcação dele numa ilha, por isso que ninguém sabe o que é, ninguém nunca viu aquilo", explica. Com a embarcação pronta, Nemo parte para o mar e lá ele fica para sempre. "Ele acha um jeito alternativo de viver, pois não estava de acordo com a sociedade em que vivia e criou a dele com a sua comunidade." Mas tem um lado controverso, porque "ele é esse tal monstro marinho que destrói embarcações potentes, não é barquinho de pescador, essa é a narrativa do livro."

Aproveitando que Nemo é esse homem que desaparece pelos mares, a ideia foi de não colocá-lo em cena - o público não o verá no espetáculo. Segundo o ator, por ser esse personagem tão misterioso, ele nunca aparecerá por inteiro e nem se revelará, virando quase um Mágico de Oz, com três patetas estupefatos com o que visualizam à sua frente. "A gente fica com essa figura potente, respeita essa estrutura toda que ele criou, que é autossustentável, pois ele se alimenta, se veste, tem combustível dentro dos sete mares, e raramente vai à superfície", diz. Um espetáculo recheado de mistério é o que promete a companhia.

Um dos escritores mais traduzidos e vendidos no mundo, Júlio Verne (1828-1905) é tido como um visionário ao colocar em suas histórias elementos até então desconhecidos. Como o caso da criação de uma embarcação que podia navegar sob as águas, o tal do submarino, ponto principal do livro 20 Mil Léguas Submarinas, lançado em 1870. Além disso, passou a ser reconhecido como um dos criadores da ficção científica, além de ter também obras com trama convencional. Agora, para colocar essas invenções e tramas mirabolantes no palco, a Solas de Vento teve de esbanjar criatividade. Cativada exatamente por esse mundo de aventuras e de imaginação sem-fim, a companhia se propôs a montar a trilogia. Segundo o ator Ricardo Rodrigues, essa vontade de colocar no palco a obra do escritor francês veio "porque a história é rica em imagens, com aquelas embarcações, os trens, e, por termos a técnica circense muito presente no trabalho, logo visualizamos como montar o espetáculo, usando cordas, mastros, tecidos, enfim, o artefato aéreo que dispomos."

No palco, três atores, que dividem as cenas com dois técnicos saídos das cabines para compor o espetáculo, se desdobram para levar o público junto com eles nessa aventura subaquática, usando circo, teatro, dança e também projeção de vídeo no contexto teatral. "Também uma herança do circo é criar um aparelho", explica Rodrigues. "Como os artistas circenses, que constroem seus artefatos e ali mesmo criam seu número, a gente parte também de um cenário-aparelho, que será o ponto central para desenvolver a história."

Em Volta ao Mundo em 80 Dias, revela Rodrigues, foi montada uma estrutura de ferro que ia se transformando em todos os transportes necessários. Depois, em Viagem ao Centro da Terra, eles criaram estruturas de madeira, que culminavam em uma embarcação. "Agora, em 20 Mil Léguas Submarinas, a gente usa a própria caixa cênica e a nossa partitura pantomímica e tudo vai se transformando em corredores do submarino, dentro e fora, junto com a projeção de luz", explica.

Trata-se de um trabalho recomendado para crianças a partir de 5 anos, mas que vale para toda a família, pois a imaginação é o ponto forte, tanto entre o elenco como no público na plateia. Como conta o ator, a ideia é fazer com que o espectador embarque junto com o grupo e viaje nessa história fantástica. No palco, as peças ficam ali espalhadas e não dão leitura sozinhas, mas, de repente, unindo isso aos recursos técnicos, a mágica se faz. "O nosso corpo é muito o nosso cenário - a partir dele, a gente diz o que tem no espaço", acrescenta Rodrigues.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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