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DIFICULDADES

Índices de mortes nas aldeias de MS sobem e indígenas solicitam ajuda

São dez mortes em 15 dias

1 agosto 2020 - 10h40Da Redação
O indígena Edgar Kanaykõ Xakriabá
O indígena Edgar Kanaykõ Xakriabá - (Foto: Etnofotografia/Antropologia)
FAMASUL - SENAR

A situação dos indígenas nunca foi fácil, mas o que já era difícil, agora ficou pior. Com o avanço da pandemia no interior de MS, a curva de mortes tem aumentado a cada semana. Só na última quinta-feira (30), dois indígenas terenas morreram de Covid-19 em Aquidauana, a 130 km de Campo Grande. São dez mortes em 15 dias.

Tudo começou no dia 18 junho com a morte do primeiro indígena de etnia guarani-kaiowá. Ele tinha 59 anos e era diabético e estava internado no Hospital Evangélico de Dourados. A vítima vivia na Reserva Indígena de Dourados, que abriga as aldeias Jaguapiru e Bororo.

"Os povos estão bastante debilitados, não tem recursos necessários para atender a demanda de indígenas que é muito grande”, explica o cacique Josias Jordão da Aldeia Marçal de Souza, em Campo Grande ao portal A Crítica. O cacique explica que há uma grande carência de especialistas que assistem as aldeias do interior, em razão da dificuldade do acesso para entrar nas comunidades.

“Temos um número muito grande de indígenas que estão internados e precisando de ajuda. São nove aldeias em Aquidauana e em todas é possível ver o sofrimento. Precisamos da ajuda do governo e do município para atender a demanda”, desabafa.

O primeiro caso da doença nas aldeias do Estado foi confirmado em maio na reserva de Dourados. A indígena contaminada era funcionária do frigorifico JBS. Outros 32 funcionários guarani-kaiowá da indústria testaram positivos.

Em Campo Grande, a primeira aldeia urbana do Brasil, a Marçal de Souza, não há nenhum caso confirmado. "A gente tem orientado, divulgado vídeo no grupo do WhatsApp da comunidade, orientados os morados, as pessoas do grupo de risco para só saírem se for de extrema necessidade. Temos feito o nosso papel como liderança. Nós indígenas somos vulneráveis, do grupo de risco."

No último dia 23, foram distribuídos testes rápidos e frascos de álcool 70 para as sete aldeias indígenas de Aquidauana, que formam uma comunidade de 11.800 pessoas no distrito de Taunay. Além dos kits de proteção – luvas, máscaras, óculos, protetores faciais e aventais -, 1.200 litros de álcool 70 e 1.200 testes rápidos para diagnóstico do coronavírus, o Governo do Estado reforçará o atendimento nas aldeias, realizado pela prefeitura, enviando uma ambulância, médico e um técnico de enfermagem. O atendimento será feito nas escolas municipais que funcionam nas aldeias.

Para quem quiser fazer doação, o ponta de coleta é frente ao Memorial da Cultura Indígena, na Rua terena, em Campo Grande. "Temos um número muito grande de indígenas que estão internados com coronavírus. Se cada um ajudar, podemos melhorar a situação das pessoas que trabalham lá na linha de frente. Nós estamos precisando hoje de fio-dental, escova de dentes, álcool em gel, luvas, máscara, sabão líquido, fraudas geriátricas de todos os tamanhos", afirma. Os equipamentos recolhidos serão levados ao Hospital Regional de Aquidauana.

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