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VACINA

Empresas doam R$ 100 milhões para nova fábrica que vai produzir vacinas contra o coronavírus

Previsão é que a unidade entre em operação até o começo do ano que vem, com capacidade de produzir até 30 milhões de doses por mês

8 agosto 2020 - 06h18
Enfermeira segura candidata a vacina contra covid-19 antes de aplicação em pessoas durante testagem
Enfermeira segura candidata a vacina contra covid-19 antes de aplicação em pessoas durante testagem - (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

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Um grupo de oito empresas e fundações vai investir R$ 100 milhões para contribuir com a montagem da fábrica para produção de vacinas contra a covid-19 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio. A previsão é de que a unidade entre em operação até o começo do ano que vem, com capacidade de produzir até 30 milhões de doses por mês.

A doação é uma iniciativa conjunta de Ambev, Americanas, Itaú Unibanco, Stone, Instituto Votorantim, Fundação Lemann, Fundação Brava e Behring Family Foundation.

A fábrica ficará numa área de 1,6 mil m² no complexo de Bio-Manguinhos, instituto da Fiocruz produtor de vacinas. O investimento empresarial dará apoio para a reforma da ala do edifício e a compra e instalação de equipamentos complementares aos já existentes no local.

A Fiocruz é vinculada ao Ministério da Saúde, responsável por definir como ocorrerá uma eventual distribuição das doses. Antes de isso acontecer, porém, é preciso terminar os testes e comprovar a eficiência e a segurança da vacina.

A vacina a ser produzida na unidade é a mesma que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica britânica AstraZeneca. No fim de junho, a Fiocruz fechou acordo de cooperação com ambas para compra de lotes e transferência de tecnologia. Ele dá ao instituto o direito de adquirir o insumo antes mesmo do fim dos ensaios clínicos, com o objetivo de assumir uma posição mais estratégica na área.

No momento, a pesquisa de Oxford e Astrazeneca se encontra na fase três, última etapa de testes antes de receber sinal verde. Os testes estão sendo conduzidos em países como o próprio Brasil, além de África do Sul, Inglaterra e Estados Unidos.

Ao avançar até a fase três, fica-se mais próximo de uma solução para a pandemia. Mas especialistas dizem que esta é uma etapa sensível no processo, quando muitos projetos se provam menos eficazes do que o esperado. Portanto, é preciso aguardar os resultados conclusivos antes de comemorar.

Quando concluídos todos os investimentos, a fábrica também terá capacidade para produzir outras vacinas, incluindo outros tipos contra o covid-19 que venham a ser aprovados.

A Fiocruz e a Ambev serão corresponsáveis pela gestão e execução do projeto, sob supervisão técnica da Bio-Manguinhos. O escritório de advocacia Barbosa, Mussnich e Aragão atuará voluntariamente como consultor jurídico do projeto.

A articulação entre empresas, fundações e governo para montagem da fábrica começou há cerca de um mês e meio, conta o vice-presidente da Ambev, Mauricio Soufen. Segundo ele, a iniciativa ganhou corpo quando o Brasil começou a se destacar como um dos polos para testes da vacina contra a covid-19.

"Daí começamos a nos mobilizar e entender como poderíamos ajudar. Nesse momento, ficou muito claro para o nosso time que o próximo gargalo seria na capacidade de produção em massa da vacina", disse. "Ajudar o Brasil a ter autonomia na produção da vacina passou a ser a prioridade do nosso time."

O grupo não revelou a participação de cada empresa nos R$ 100 milhões. Parte dos integrantes apoiará a preparação de fábrica similar no Instituto Butantã, em São Paulo. A Fiocruz não informou qual o porcentual do investimento que será coberto pelos R$ 100 milhões.

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