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Automobilismo

É no Rali Dakar que novos equipamentos são testados, como freios de motos

10 janeiro 2014 - 16h58
Piloto brasileiro Jean Azevedo encara duna
Piloto brasileiro Jean Azevedo encara duna - Victor Eleuterio
Se você acha que sua moto funciona bem, agradeça a um “maluco”. Não a um qualquer, mas sim a um específico, o que topa experimentar aquilo que outros “malucos”, técnicos ou engenheiros, bolaram. De quem estou falando? Dos pilotos de moto profissionais.
 
É uma categoria tida invariavelmente como gente que tem um parafuso a menos e, neste exato instante em que você lê esta coluna, um bando deles está agarrado aos guidões de motos muito especiais, participando daquela loucura chamada rali Dakar, que neste ano chega à sua 34ª edição
 
 
Acredite: boa parte da evolução técnica nasceu de experiências feitas em competições como esta, que percorre os piores terrenos, premiando as melhores marcas e pilotos com glória, prestígio, reconhecimento e... conhecimento.
 
Tanto em ralis como o Dakar como em outras modalidades do esporte sobre duas rodas – motocross,  enduro, motociclismo de velocidade – a tecnologia anda de braços dados com a necessidade de superação. É uma guerra sem fim na busca de resultados esportivos, tecnológicos e, claro, comerciais. 
 
Quem anda nelas há pelo menos uma dezena de anos há de constatar que hoje o ato de frear é algo bem mais fácil do que era no passado. O mérito dessa evidente maior segurança se dá, integralmente, aos pilotos profissionais. Exigindo dos freios o máximo, os “malucos” do guidão deram aos técnicos a informação necessária para aperfeiçoamento dos sistemas.
 
Haja freio
 
Os que agora correm feito alucinados pelas areias dos desertos da Argentina, Bolívia e Chile exigem dos freios em um só dia mais do que a maioria de nós precisa em um mês. O mesmo acontece naqueles 30 ou 40 minutos de duração de uma corrida da MotoGP, onde Valentino Rossi e seus colegas usam suas motos de uma maneira que bem poucos mortais seriam capazes.
 
Exigir de freio, pneu, motor, amortecedor o máximo, provocando um exagero na utilização na fase de desenvolvimento é o segredo para que sua moto, seja ela uma pequena 125 cc ou uma grande 1.200 cc, consiga sair da linha de montagem tendo um comportamento adequado, seja do ponto de vista da performance, da excelência do funcionamento em termos dinâmicos, seja do ponto de vista da segurança. Resumindo: exceder na utilização (caso típico das competições...) eleva o grau de confiabilidade. Se funciona bem na pista, funcionará otimamente no dia a dia.
 
Um bom exemplo de evolução está nos sistemas hidráulicos, presentes nas suspensões bem como nos freios. Tais aparatos estão muito expostos a situações de uso radical mesmo nas mãos de um condutor comportadíssimo. Descer uma serra cheia de curvas vai obrigar a frear continuamente, e o vira para a direita vira para a esquerda fará as suspensões trabalharem bem mais do que se você estivesse percorrendo uma estrada reta. É nessa hora que o "maluco" que compete no Dakar ou na MotoGP deve ser louvado, pois a especificação dos fluidos de freio e óleos da suspensão de sua moto deriva da experiência em utilização excepcional.
 
Do mesmo modo que a frenagem e dirigibilidade de sua moto se beneficiam da correria por pistas e trilhas planeta afora, o motor também ganhou em termos de performance global por causa da competição. Durabilidade, potência e economia é um tripé onde se apoia a evolução definitiva que o esporte da motocicleta ofereceu a indústria do setor.
 
Colocou a moto no bolso
 
Soichiro Honda, fundador da empresa que leva seu nome, era um apaixonando por competições. Gostava delas não apenas no aspecto esportivo, mas principalmente pela chance de expandir seu conhecimento técnico para melhorar seu produto, seja para uso em pista ou diariamente.
 
É notório um episódio ocorrido entre o final dos anos 1950 e o começo dos 1960, quando Honda começou a inscrever suas motos para competir em eventos internacionais. Aquela era uma época onde as marcas dominantes eram europeias, e diz a lenda que, depois de uma humilhante derrota em uma corrida no Reino Unido, Soichiro comprou a motocicleta vencedora para levá-la para o Japão e estudar profundamente a tecnologia empregada.
 
Obstinado, renunciou à sua bagagem pessoal e ali mesmo, na fila de embarque, desmontou a pequena moto, enchendo os bolsos de seu sobretudo com as partes essenciais à sua pesquisa
 
Com a companhia aérea querendo impedi-lo de embarcar com a pequena moto – uma cinquentinha – alegando excesso de peso na bagagem, o obstinado Honda renunciou à sua bagagem pessoal e ali mesmo, na fila de embarque, desmontou a pequena moto, enchendo os bolsos de seu sobretudo com as partes essenciais à sua pesquisa.
 
Tal fato escancara a importância da guerra travada nas pistas pela melhor performance, uma benção para a indústria de veículos em geral, verdadeiro laboratório de testes a céu aberto difícil de ser reproduzido entre quatro paredes por maior e melhor que seja a tecnologia empregada. E, além disso, fascinante ação de marketing refletida pela manjada máxima: vencer no domingo, vender na segunda-feira...
 
Lubrificantes de motor, sistemas de arrefecimento e várias outras fronteiras tecnológicas estão em constante evolução graças à competição. Processo químicos inéditos, metalurgia experimental e uso cada vez mais extensivo de materiais cerâmicos, compósitos (fibras aramídicas e etc...) e polímeros tem no motociclismo, o esporte praticado ao guidão de uma moto seja na terra, na areia, lama ou asfalto, a ferramenta ideal de progresso.
 
Goste você ou não de corridas, o fato é que na chegada a Valparaíso, Chile, daqui a uma dezena de dias, o Rali Dakar terá contribuído para o aperfeiçoamento das motos que você comprará daqui bem pouco tempo. Tenha certeza disso.
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